Brasigóis Felício *

O fomigerado Comando de Caça aos Coquetéis

Nestes dias metidos a besta e hiperconectados de nossos tempos, não sei dizer se o CCC continua, intrépido e contumaz, a bater o ponto em todos os eventos bebemoratícios. (Foto: Venessa Kosop)

O fomigerado Comando de Caça aos Coquetéis

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O fomigerado Comando de Caça aos Coquetéis estaria menos atuante? É certo que, se atua com menor nível de organização e assédio, não o faz por motivos nobres, ou porque seus integrantes receberam alguma educação – ou tomaram lugares mais altos na pirâmide social, a ponto de não precisarem mais comparecer a eventos culturais, artísticos e literários, para fartarem-se de comes e bebes.

Em verdade, em nível de Biafras, Haitis e Miamares, felizmente, no Brasil nunca estivemos. Mas ser membro implacável do Fomigerado CCC não é questão de se estar em situação e privacidade: é na verdade uma situação mental – ou estado de espírito, se é que seja lícito colocar o espírito nisto.

Houve tempos em que soube mais da atuação deste movimento social indesejado e temido por organizadores de festas e eventos.Pelo fato de, na condição de jornalista atuando na área cultural, ser destacado para cobrir muitos deles.

Nos anos 70 e oitenta o Comando de Caça aos Coquetéis – veja bem, não falo aqui do Comando de Caça aos Comunistas, que também existiu – atuou com implacável sofreguidão e resiliência, com sua diretoria e militância comparecendo a todos os eventos.

Eram o terror dos garçons, que tinham de ser garrinchas e Pelés, para driblar seus avanços. Ao menos tentavam escapar aos ataques às bandejas que por dever de ofício portavam, no transe e no trânsito de seu ofício.

Nestes dias metidos a besta e hiperconectados de nossos tempos, não sei dizer se o CCC continua, intrépido e contumaz, a bater o ponto em todos os eventos bebemoratícios.

Por força de estar sempre viajando, ou de ter ficado muito velho para sair tanto, além de não estar mais no ofício do jornalismo cobridor de exposições de arte e lançamentos de livros, tenho levado pouco o meu semblante a tais eventos.

Mas recebo notícias de que o CCC continua ostensivo e impetuoso, sendo menos ostensivo, quando convidantes de eventos pertencem a classes sociais que estão em pontos mais altos da pirâmide. Uma espécie de seleção natural aí se instala.

Garçons podem trabalhar mais à vontade, sem risco de serem atropelados por hordas de esfameados.

No mais, a vida segue, em seus trâmites. Sendo motivo de riso e furor, e em muitos casos nada significando.

P.S. Ao contrário do que cidadãos integrados e apocalípticos possam ser levados a pensar, com o que acima foi dito, o fomigerado movimento biafrense do CCC não se mantém vivo por ser ou estar famintos os seus militontos.

Tal movimento nasce e alimenta-se no vício macunaímico de gostar de beber e comer à tripa forra, desde que não seja às custas de seus próprios bolsos.

*Brasigóis Felício é poeta, jornalista e escritor. Ocupa a cadeira 25 da Academia Goiana de Letras.

Tal movimento nasce e alimenta-se no vício macunaímico de gostar de beber e comer à tripa forra, desde que não seja às custas de seus próprios bolsos. (Foto: Venessa Kosop)
Nestes dias metidos a besta e hiperconectados de nossos tempos, não sei dizer se o CCC continua, intrépido e contumaz, a bater o ponto em todos os eventos bebemoratícios. (Foto: Venessa Kosop)
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