Odebrecht tem concessão gratuita de ilha paradisíaca

Ilha Odebrecht nas mãos de piratas (Foto: Google)
Ilha Odebrecht nas mãos de piratas (Foto: Google)

Odebrecht tem concessão gratuita de ilha paradisíaca

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No Sul da Bahia, entre Salvador e Ilhéus, a segunda maior baia do Brasil – Camamu – esconde um arquipélago ainda selvagem e de rara beleza. Um quase paraíso de primavera perpétua. Águas de azul translúcido, com ilhas verdejantes, pontilhadas por um colar de praias. Este local paradisíaco está na rota dos turistas estrangeiros que penetram uma fenda do mar, de lancha ou de barco, a partir de um deque, em Barra Grande, para um passeio com sabor de aventura.

O roteiro inclui paradas em cachoeiras e praias de águas claras e calmas de ilhas apaixonantes e muitas fotos, principalmente na Ilha de Pedra Furada, a mais exótica. Não a mais bela. Porque não tem como saber qual é a mais bonita. O local mais instigante, todavia, é uma porção de terra em mar aberto localizado a quatro quilômetros da ponta da Península de Marau, denominado Ilha do Quiepe – ou Kieppe –  cantada em prosa e verso por guias e barqueiros como “Ilha Odebrecht”.

Apesar da localização estratégica, no portal da baia, a ilha não está na rota das embarcações convencionais e é escondida a sete chaves. Simplesmente foi tirada do mapa e da internet. Raríssimas imagens no Google. Nenhuma no Google Earth. Por ocasião das festas de fim de ano na ilha fogos de artifícios colorem o céu e iluminam a areia de um dos mais belos recantos do litoral brasileiro. “Gente que ocupa os mais altos escalões de Brasília é o que não falta”, garante o guia.

Se não fosse trágico, seria cômico.

A concessão gratuita de uma ilha milionária pelo Governo Federal a uma das famílias mais ricas do Brasil é motivo de zombaria, enquanto deveria provocar indignação. Ao mesmo tempo em que expõe a ingenuidade de um povo que ri de sua própria desgraça mostra uma imensa capacidade de superação. Para o nordestino, ser alegre é melhor do que ser triste. Visse? O pescador de sorriso carcomido aponta para um helicóptero que desce na ilha, enquanto o respingo da água salgada enche os vincos da sua testa castigada pelo sol. Decerto os filhos não freqüentam escola nem a família tem morada decente. Tampouco comida quando o mar não está peixe. Percebe-se, todavia, que ele é um homem feliz.

Assim como os guias, barqueiros e toda a gente que vive e trabalha na Baia do Camamu, o pescador assimila resignadamente o desvio de um patrimônio público avaliado em milhões de dólares para as mãos de pessoas que roubam a nação brasileira. Como se roubar do Brasil não fosse tomar o que é do povo do Sul da Bahia.

O País exige atestado de bons antecedentes do cidadão comum, enquanto não cobra honestidade dos signatários de concessões milionárias. Tribute-se às autoridades a responsabilidade de revisar os efeitos dos aforamentos do patrimônio público, especialmente a concessão da Ilha de Quiepe. Até porque existem provas de irregularidades praticamente em todos os negócios da Odebrecht e porque não se dá de presente uma propriedade tão valiosa – e estratégica – em troca de nada.

Quanto vale esta ilha? Centenas de casas populares, leitos hospitalares, salas de aula e empregos. O suficiente para resgatar a dignidade de milhares de pessoas, através de projetos público-privados voltados para o incremento do turismo na Península de Marau e focados na diminuição das desigualdades sociais na Baia de Camamu.

A concessão gratuita da Ilha de Quiepe é uma benesse aos bilionários da Odebrecht e uma afronta aos pobres do Sul da Bahia – ó xente!

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