Virou alvo de ações nos EUA

Como as teorias da conspiração de Alex Jones levaram 'Infowars' a ser apagado de redes

Apresentador espalha falsas histórias como de que Lady Gaga é satanista, Bill Gates tem projeto assassino e crianças mortas eram atores; ele é alvo de processos e sites veem 'discurso de ódio'.

Alex Jones em 2016 (Foto: REUTERS/Lucas Jackson/File Photo)

Como as teorias da conspiração de Alex Jones levaram ‘Infowars’ a ser apagado de redes

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O apresentador norte-americano Alex Jones foi alvo de uma reação conjunta de grandes
empresas na segunda-feira (6): Facebook, Google, Twitter e Spotify apagaram grande parte dos
conteúdos do seu programa, chamado “Infowars”.

Mas quem é Alex Jones e por que seus discursos levaram estas empresas, que em geral evitam
interferir nos conteúdos de suas redes, resolveram tomar esta decisão?

O apresentador de rádio do Texas e dono do site Infowars ficou conhecido por defender
teorias que levaram a “New York Magazine” a dizer que ele é o “principal teórico da
conspiração dos EUA”.

Eis algumas histórias que ele defende sem comprovação científica ou factual:

O show de Lady Gaga no Super Bowl teria sido, segundo ele, um ritual satânico disfarçado.
Bill Gates teria, de acordo com Alex, o objetivo secreto de eliminar outras raças e
implantar um sistema de eugenia baseado em Adolf Hitler.
O governo dos EUA, principalmente sob o comando de Obama, seria capaz de manipular o clima
para transformá-lo em arma. O Furacão Sandy teria sido criado pelo governo com ondas
eletromagnéticas.
Ele também ajudou a espalhar a falsa teoria do “pizzagate”, segundo a qual Hillary Clinton e
outros políticos teriam uma rede pedófila que matava e abusava de crianças.
Vários ataques recentes teriam sido orquestrados pelo governo e o FBI, como os de 11 de
setembro, Maratona de Boston e Boate Pulse. Ele diz que as crianças de Sandy Hook eram, na
verdade, atores mirins.
Com teorias da conspiração como estas, ele virou alvo de piadas de parte da população dos
EUA, mas também viu seu público crescer através do seu site e das redes sociais.

Alex apresenta o programa sempre em tom raivoso contra supostos ataques aos valores
conservadores do país.

Ele classifica inimigos como satânicos, pedófilos e criadores de enormes e maléficas
manipulações secretas, como nas teorias acima.

Consequências reais
Seus críticos começaram a levá-lo mais a sério quando viram que falsas informações tinham
consequências reais.

Em 2016, um homem deu três tiros de AR-15 no local onde funcionaria a rede de pedofilia do
“pizzagate”, segundo a teoria do Infowars e outros sites e fóruns dos EUA. Houve diversas
outras ameaças.

Alex Jones apagou vídeos relativos ao caso, e mesmo assim recebeu uma carta do dono do local
pedindo retratação, sob ameaça de processo. Em março de 2017, ele pediu desculpas e
desmentiu a teoria.

Mas a principal reação na Justiça veio de sua teoria sobre o massacre em 2012 na escola
infantil Sandy Hook, que deixou 28 pessoas mortas, 20 delas crianças entre 6 e 7 anos.

Após perderem seus filhos, os pais destas crianças ainda começaram a ser alvo de assédio e
desrespeito de seguidores de Alex, que acreditam que eles fazem parte de uma encenação. Alex
Jones está sendo processado por estes pais.

Outro ação da qual ele é alvo é de um cidadão americano que foi falsamente identificado no
“Infowars” como autor do atentado de Parkland, na Flórida.

O que dizem as empresas e o apresentador

“Levamos a sério os relatórios de conteúdo de ódio e analisamos todo podcast que seja
reportado por nossa comunidade. Devido a repetidas violações das políticas de conteúdo
proibido do Spotify, o Alex Jones Show perdeu o acesso ao Spotify”, disse um porta-voz do
serviço.

As justificativas das outras empresas para apagar grande parte do conteúdo de Alex em seus
sites foram semelhantes – leia aqui.

Alex Jones mantém o seu tom de enfrentamento, se diz vítima de perseguição e diz que estas
empresas ferem o seu direito de livre expressão em censura coordenada.

“Entendam isso: a censura ao Infowars só prova tudo o que a gente vinha dizendo. Agora, quem
vai enfrentar a tirania e quem vai defender a livre expressão?”, ele disse no Twitter.

“Somos todos Alex Jones agora”, ele afirmou.

“Entendam isso: a censura ao Infowars só prova tudo o que a gente vinha dizendo. Agora, quem vai enfrentar a tirania e quem vai defender a livre expressão?”, ele disse no Twitter.
Edgar Maddison Welsh, de 28 anos, entrou em pizzaria com fuzil por conta de informações falsas sobre rede de pedofilia (Foto: Sathi Soma/AP)
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