ELEIÇÕES 2018 ELEIÇÃO EM NÚMEROS

Mulheres devem ficar de fora da disputa pelo governo em 8 estados

Só há candidatura de homens ao Executivo em Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul e Rondônia. Chapas ainda podem mudar.Só há candidatura de homens ao Executivo em Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul e Rondônia. Chapas ainda podem mudar.

Infográfico mostra número estados sem mulheres na disputa pelo governo em 2018 (Foto: Alexandre Mauro/G1)

Mulheres devem ficar de fora da disputa pelo governo em 8 estados

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A disputa pelo governo nas eleições de 2018 deverá se dar apenas entre homens em 8 estados
brasileiros: Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul e
Rondônia, segundo um levantamento do G1 com 186 nomes confirmados após as convenções
partidárias.

Em 7 desses estados, nenhum partido político lançou uma candidata para a chefia do Executivo
estadual durante o período de convenções – primeiro passo para a oficialização das
candidaturas –, que terminou no domingo (5). No Rio Grande do Sul, havia uma, do PCdoB, mas
a legenda desistiu do nome na segunda-feira (6).

O cenário ainda pode mudar, pois os partidos ainda precisam registrar as candidaturas até o
dia 15 e têm até o dia 17 para fazer alterações nas chapas. Nesse período, podem ocorrer
desistências e substituições.

Veja todos os candidatos aos governos estaduais em 2018
Veja todos os candidatos à Presidência
O número de estados sem mulheres candidatas ao governo em 2018 é menor do que o registrado
em 2014. Naquele ano, foram 10 estados (Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato
Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco e São Paulo), de acordo com os registros do
Tribunal Superior Eleitoral. Em 2010, foram 13, e em 2006, 9.

Os dados para os anos anteriores levam em consideração as candidaturas apresentadas ao TSE,
independentemente de os candidatos terem ou não obtido autorização para concorrer, pois a
Corte também não avaliou as candidaturas deste ano até o momento. As informações foram
obtidas no CespespData, que organiza as informações oficiais disponibilizadas pelo TSE.

A região Norte, assim como em anos anteriores, concentra o maior número de estados sem
candidaturas de mulheres ao governo: 4 dos 7 existentes (veja relação abaixo).

2018: Amapá, Amazonas, Pará e Rondônia
2014: Acre, Amapá Amazonas e Pará
2010: Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins
2006: Acre, Amazonas e Amapá e Tocantins
E, mesmo nos estados do país em que há candidaturas de mulheres (18 estados mais o DF), o
número de homens na disputa é sempre maior. Isso se reflete nos números gerais até agora:
das 186 candidaturas atuais, 160 são masculinas e 26 são femininas.

Gênero de candidatos ao governo em 2018

E a lei de cotas para mulheres?
O Brasil não possui legislação que obrigue os partidos a lançarem mulheres para cargos
majoritários, como os de governador. A legislação que estabelece o preenchimento de ao menos
30% das vagas por cada gênero só se aplica a cargos proporcionais – deputados, na eleição de
2018. Por isso, as legendas têm total liberdade para deixar as mulheres de fora das disputas
pelo Executivo.

Para Maria do Socorro Sousa Braga, cientista política da Universidade Federal de São Carlos
(UFSCar), a inexistência de candidaturas de mulheres ao governo em vários estados do país
está ligada a dois fatores interrelacionados:

Os partidos não preparam as mulheres para que elas possam disputar com os homens, em pé de
igualdade, a vaga de candidato
O cargo de governador é usado como moeda de troca nas alianças. Por isso, os partidos
apostam em nomes mais consolidados – que tendem a ser homens
“Cargo de governador é muito visado. Então existe uma dificuldade dos partidos de terem
mulheres com musculatura eleitoral para a disputa e eles acabam privilegiando as
candidaturas masculinas que já tem uma trajetória na vida política”, explica.

Para Helcimara Telles, professora de ciência política da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG), um dos fatores principais para a falta do que Maria chama de “musculatura
política” é que, para participar da política, a mulher precisa dar conta de uma jornada de
tripla: o trabalho, o cuidado doméstico e a atividade política.

“[Isso] impede que as mulheres tenham tempo e disponibilidade para participar da mesma forma
que homens das atividades dentro dos partidos.”

Helcimara afirma que, uma vez dentro da atividade política, as mulheres contam com menos
apoio — os partidos têm menos interesse em colocar dinheiro nas candidaturas femininas, por
exemplo. Maria do Socorro, da UFSCar, lembra que, neste ano, as legendas são obrigadas a
investir nas candidaturas femininas 30% do Fundo Eleitoral, uma das principais fontes de
financiamento das campanhas.

“A tendência é que os partidos, especialmente médios e pequenos, que têm mais dificuldade de
sobreviver e perdurar, turbinem suas disputas para fazer boas bancadas e aumentar a
capilaridade para atrair mais apoio, apostando em candidaturas conhecidas e masculinas”, diz
Maria do Socorro Braga, da UFSCar.

*Estagiárias, sob supervisão de Vitor Sorano. Colaboraram G1 AL, Fabiana Figueiredo, John
Pacheco, Lorena Kubota e Rita Torrinha (G1 AP), G1 AM, G1 CE, G1 MT, Gabriela Azevedo e
Jorge Sauma (G1 PA), G1 RO e G1 RS.


Infográfico mostra número estados sem mulheres na disputa pelo governo em 2018   (Foto: Alexandre Mauro/G1)
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