Ernani de Paula

Políticos na Fogueira

Não há solução para uma sociedade livre fora da política.

Nos últimos anos, temos visto um processo de degradação da imagem da classe política pelo Brasil afora. ( Youtube)

Políticos na Fogueira

Mes de Vacinação - Prefeitura de Anápolis

Nos últimos anos, temos visto um processo de degradação da imagem da classe política pelo Brasil afora.

Com ênfase nos últimos dois anos, desde o início das campanhas municipalistas de 2016, mais precisamente, temos atravessado por um caminho perigosamente silencioso de “criminalização” da ação política.

Basta perceber o grande mote da campanha daquele ano: a vitória dos não-políticos, daqueles que ensejaram peças de marketing dizendo-se não político como se isto fosse uma vantagem sobre os demais.

Algo que os pusesse numa condição de preparo e até de honestidade superiores aos demais.

É preciso reconhecer que os recorrentes desgastes de grandes nomes da política brasileira, como líderes que conseguiram amealhar dezenas de milhões de votos, também contribuíram para este cenário de desolação.

Hoje é fácil compreender este sentimento entre a população.

Das conversas sobre política até as redes sociais, basta um olhar e um ouvido atentos para receber informações como:

“é preciso acabar com esta raça chamada políticos”.

Outros, mais moderados, repetem o mesmo mantra, mas com um ar de falsa racionalidade:

“Não vamos reeleger ninguém”.

Enquanto o primeiro grupo quer o fim da raça por completo o segundo pede “apenas” o fim de uma geração dela.

Como se, em seu lugar, viesse outra pura.

É um tipo de Eugenia Política, num formato decepcionado, revoltado, mas – principalmente – inócuo.

Será que o nosso ponto de corte é mesmo eliminar um indivíduo a partir da condição de “ser político”?

Não teríamos formato de fiscalização para uma filtragem mais detalhada e mais objetiva?

A ideia posta soa ingênua, até mesmo infantil, como se houvesse de fato uma raça a ser exterminada.

Como se esquecêssemos que o político de amanhã é o vizinho, o amigo, o primo, o conhecido de hoje.

O votado de amanhã.

Políticos não ascendem ao Poder por levitação, mas pela escolha.

Se há um problema com ele é porque há um problema conosco e com a nossa capacidade de selecioná-los a partir do voto.
Afinal, quando nos deparamos com as histórias de assassinos em série, de pedófilos ou estupradores, nós não temos a reação de gritar pelo fim da humanidade.

Se eles são tão humanos como nós, por que uns são e outros não?

A resposta é simples: porque as pessoas podem pertencer a qualquer estratificação social, econômica, educacional ou cultural e serem honestas e capazes ou não.

Se isto soa óbvio em alguns casos, é justamente este pensamento que falta quando temos de nos posicionar sobre a política brasileira.

Não há saída democrática fora da política. E política é feita por políticos.

O conto do vigário – ou do “não político” – já mostrou seus péssimos resultados em diversos cantos do Brasil.

Esta Escola de João Dórias é tão inverídica como ineficaz para resolver os problemas de uma cidade, seja São Paulo ou qualquer outra onde também um suposto neófito da Política fez carreira.

O resultado está aí.

Não é o caso de abraçar a tese da Teoria da Conspiração e imaginar que exista um processo em curso para perseguir políticos, como se algo fosse surgir a partir disto.

No entanto, a principal armadilha que devemos evitar cair é a do sensacionalismo.

A imprensa, por exemplo, tem força importante para antecipar julgamentos e jogar aos leões do Facebook e dos grupos de Whatsapp a trajetória de políticos.

Nomes citados por delatores, sem provas, sem conexão com esquemas montados chegam à superfície e isto é o bastante para que aquele indivíduo seja trucidado.

“Eu sabia”, “Não sobra ninguém”, “É mais um safado” e por aí vai.

Hoje, condenamos num tribunal sumário de exceção pela pura sede histórica que temos de Justiça.

Mas não é com pressa, sem critério e com um sentimento de vingança e caça às bruxas que vamos melhorar a classe política ou mesmo a nossa sociedade.

A começar, precisamos ter a parcimônia de saber compreender o que pode ser verdade e o que pode ser mentira.

As “Fake News” que andam na moda hoje em dia datam da época de Cristo.

Ou será que se soubessem que Jesus era o filho de Deus o teriam deixado morrer ao lado de bandidos, ladrões e degenerados?

O princípio da inocência deve ser aplicado a todos, até mesmo “à raça” dos políticos.

Afinal, ser parcimonioso e equilibrado não é um favor que você faz ao próximo, mas sim um gesto de equilíbrio que você permite a você mesmo.

Ernani de Paula é ex-prefeito de Anápolis

Outros, mais moderados, repetem o mesmo mantra, mas com um ar de falsa racionalidade: “Não vamos reeleger ninguém”. ( Google)
Ernani de Paula é ex-prefeito de Anápolis ( Divulgação)
Mandela . “Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer” ( Divulgação)
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