Operação Lava-Jato

Resultado do julgamento de Lula não vai melhorar o Brasil

Em meio aos naturalmente inertes ou desinteressados, descrentes ou alienados, existem duas correntes que estarão de olho no veredicto de Porto Alegre

Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista logo após sua condução coercitiva, em 2016: alvo de torcidas pró e anti ( Foto? J. Opção )

Resultado do julgamento de Lula não vai melhorar o Brasil

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Existe uma ansiedade absolutamente natural em relação ao julgamento do recurso da de­fesa do ex-presidente Luiz Iná­cio Lula da Silva (PT) contra a con­denação sofrida em primeira ins­tância pelo juiz Sérgio Moro, em julho do ano passado.

Na quarta-feira, 24, em Porto Alegre, quando os três desembargadores do Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4) iniciarem seus trabalhos, para um contingente considerável de pessoas estará em jogo nada me­nos do que o futuro do País.

Em meio aos naturalmente inertes ou desinteressados, descrentes ou alienados, existem duas cor­rentes que estarão de olho no ve­redicto de Porto Alegre:

A primeira, cujos mais radicais consideram Lula “o maior bandido da his­tória do Brasil”, só aguarda a ho­ra de festejar sua prisão;

A ou­tra, composta inclusive por admiradores incondicionais do réu, acredita que será a consumação de um golpe dado pela elite brasileira e iniciado com o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT).

À primeira ala poderia ser dito que, além de Lula, existem outros po­líticos que deveriam se sentar no banco dos réus, mas que não fo­ram pegos pelas garras da Ope­ração Lava Jato – ou delas se desvencilharam rapidamente; à se­gunda, que existem outros políticos na esquerda e até mesmo dentro do próprio PT que poderiam (e até deveriam) tomar a dianteira da condução dos conceitos e ideias de seu grupo, independentemente do destino do petista.

Um lado teme que uma absolvição seja um “passe livre” para o petista rumo a uma nova vitória nas eleições presidenciais – das quais desponta como favorito nas pesquisas de intenção de voto.

Pensam, grande parte, da seguinte forma: ora, se tendo sido condenado em primeira instância Lula ainda conta com um eleitorado cativo que muito provavelmente o levaria, no mínimo, ao segundo turno, se ele se livrar da pena – ainda que esteja réu em outros processos – terá campo livre para nova vitória. Para essas pessoas, se­ria um crime de lesa-pátria inocentar Lula.

Com a espetacularização do Poder Judiciário, em que promotores e magistrados tornaram-se celebridades, muita gente já sabe melhor a composição dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) do que a escalação dos 11 titulares da seleção brasileira – e isso em ano de Copa do Mundo.

Nesta semana, o julgamento de Lula será assunto de ro­das de entrevista com especialistas em Direito nas TVs, mas também de rodas de populares nas ruas, nos botecos, nos escritórios.

A grande pergunta, obviamente, é: o ex-presidente Lula é culpado ou inocente do que lhe acusam? A partir dessa, uma série de outros questionamentos podem ser feitos: as provas são suficientemente fortes para condená-lo? Existe um trâmite justo do processo?

Se não, pela importância do caso, se justifica o trâmite diferente?

O quão político tem sido esse julgamento?

A decisão influenciará outras do mesmo nível? Como ficará o cenário para as eleições presidenciais?

Uma pergunta feita em um perfil no Facebook dá a medida do envolvimento:

“E, se Lula for absolvido no julgamento do dia 24, o que você dirá?”.

Algumas respostas evocam o clima de torcida em torno do evento jurídico. As aspas de um lado: “Um tiro na cada desse bandido”; “Vade retro, satanás!”; “Chuta que é macumba”; “Mais um pilantra solto!”; “Bye bye, Brasil!”. As aspas do outro lado: “Volta, querido!”, “Chu­pa!”, “Bem-vindo, Exce­len­tís­simo Sr. Presidente da Repú­bli­ca, Luiz Inácio Lula da Silva!”, “A jus­tiça foi feita”, “Glória a Deus!”.

O fato é que o personagem em questão não é comum. É amado e odiado há décadas, mesmo antes de chegar ao poder e de se tornar o líder carismático e populista. A con­denação de Lula ou sua absolvição, qualquer resultado dará um novo rumo às eleições deste ano e, talvez, sirvam para reavaliar os rumos da Operação Lava Jato. Mas o Brasil é maior do que esse processo.

Se não é, precisaria ser.

PT, Bolsonaro e suas militâncias: os extremos se encontram?

Nas últimas duas semanas, com reportagens em grandes veículos da imprensa nacional que ti­ve­ram como alvo Jair Bolsonaro (PSC-RJ, mas em busca de novo partido), ficou claro o surgimento de uma nova espécie de “político de estimação”. É que o vice-líder nas pesquisas de intenção de voto à Presidência, conhecido por suas posições extremistas e discursos radicais, foi defendido de forma ardorosa nas redes sociais por aqueles que podem vir a ser seus eventuais eleitores – caso sua postulação se concretize.

Mais do que eleitores, prometem ser efusivos cabos eleitorais. “Pa­ra ele,   faço campanha de graça” foi uma frase muito lida e ouvida como forma de reação às dúvidas levantadas sobre a evolução considerável do patrimônio de sua família durante seu período como político e o questionável re­pas­se do auxílio-moradia a deputados federais como ele – em seu caso, mesmo sendo dono de um apartamento em Brasília.

A expressão entre aspas do parágrafo inicial não é exatamente essa.

Quando a Operação Lava Ja­to começou a abrir seus tentáculos para além do PT – em movimento ultimamente bem contido – e se verificou que os indícios de cor­rupção iam além do governo pe­tista, foi cunhada, pelos opositores ao partido, a frase “não te­nho bandido de estimação”. “Ban­dido” ou “político” de estimação, tanto faz: ambos os termos dão mais uma pista sobre o que de fato está no DNA da cultura política brasileira: a crença no mes­sianismo, nas pessoas acima dos partidos – esses, cada vez mais execrados.

Podem ser feitas diversas críticas ao que é o PT hoje, mas não se pode negar a história da sigla. Aliás – nunca é demais repetir –, ela é a abreviatura do nome, “Par­ti­do dos Trabalhadores”, que já se ex­plicou melhor do que faz hoje.

A base se fez juntando movimentos sociais, sindicatos, estudantes, a ala progressista da Igreja Ca­tó­lica, intelectuais, artistas e pequenos produtores rurais, dando origem a uma terceira via viável onde antes só existia UDN e PSD e seus herdeiros com novos nomes.

Lula foi o condutor desse processo, mas, por ironia, atuou para que o partido hoje se tornasse dependente dele.

Bolsonaro caminha na mesma via.

A diferença é que seus eleitores nem querem saber a que partido ele vai se filiar para buscar sua candidatura.

Partido pouco importa.

Jair Bolsonaro: o novo “político de estimação” da população brasileira .A diferença é que seus eleitores nem querem saber a que partido ele vai se filiar para buscar sua candidatura. Partido pouco importa. ( Foto: Redes Sociais )
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