Brasil Black Friday começou em 2010

Chegada da Black Friday contrasta consumidores eufóricos e receosos saiba uma boa compra

Apesar de o nome remeter a apenas um dia, muitas empresas, principalmente as de comércio online, começam suas promoções no início do mês – a Black Friday neste ano ocorre nesta sexta-feira, dia 23 de novembro.

As ofertas da Black Friday deixaram de ser apenas no e-commerce e acontecem também em lojas físicas (Dario Oliveira/Estadão Conteúdo)

Chegada da Black Friday contrasta consumidores eufóricos e receosos saiba uma boa compra

Novembro chegou e, com isso, as promoções de Black Friday começaram a aparecer em todos os cantos. “50% de desconto”, “90% de desconto”,“Compre 1, Leve 3” e muito mais. No Brasil, a Black Friday começou em 2010, e a cada ano as promoções conseguem atrair mais consumidores – e, por vezes, gerar mais reclamações.

Apesar de o nome remeter a apenas um dia, muitas empresas, principalmente as de comércio online, começam suas promoções no início do mês – a Black Friday neste ano ocorre nesta sexta-feira, dia 23 de novembro. Assim, mais consumidores vão atrás de ofertas nos mais variados segmentos: de alimentação a eletrodomésticos, de roupas e eletroeletrônicos.

O economista especialista em investimentos e finanças pessoais, Danilo Zanini, destaca que a data é interessante para quem procura algum produto, mas aconselha o consumidor a ter alguns cuidados na hora da compra (confira dicas no fim da reportagem). “É uma época em que as pessoas colocam descontos muito grandes e você deve tomar muito cuidado para não ser enganado”, diz.

De acordo com pesquisa do site ReclameAQUI, em uma escala que mede a confiança de quem pretende aproveitar os descontos durante o evento neste ano, 46% consideram a Black Friday parcialmente confiável; outros 2,7% acham muito confiável, e 51,3% confiam pouco ou nada.

O diretor de Operações da empresa, Felipe Paniago, explica que a desconfiança do consumidor vem por conta de edições anteriores da Black Friday.

“Muita gente não achou uma promoção boa, ou atrasou na entrega. A primeira impressão é a que fica, mas as lojas estão correndo atrás. A cada ano aumenta a adesão do público, as empresas estão melhorando, os sites estão mais confiáveis. Além disso, o brasileiro está com mais dinheiro no bolso e pesquisa bastante”, ressalta.

No que diz respeito às pesquisas, Paniago afirma que o consumidor está cada vez mais atento:

“é um dos dias que o ReclameAQUI recebe mais reclamações, mas o consumidor entra muito mais para pesquisar do que para reclamar. No dia da Black Friday a gente recebe em média 1 milhão de visitas no site, mas em 95% delas é só para pesquisar”.

“Black Fraude”
Mas e se você cair em uma fraude – ou como dizem, na “Black Fraude”?

O advogado e ex-secretário nacional do Consumidor, Arthur Rollo, dá o caminho das pedras:

“é importante prevenir problemas, mas se você se der conta de que foi enganado e o desconto prometido não existiu, você tem o direito de arrependimento”.

O direito de arrependimento consta no Art. 49 do Código de Defesa do Consumidor e diz que

“o consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio”.

Para mostrar o arrependimento, o “consumidor deve apresentar a justificativa por escrito ou via e-mail ao Serviço de Atendimento ao Consumidor ou mandando uma carta ao endereço contido na nota fiscal com aviso de recebimento”, como explica Rollo.

Já para as compras feitas em lojas físicas, o processo é um pouco mais complicado, mas ainda segue amparado pelo Código de Defesa do Consumidor no Art. 35, que diz que se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá, alternativamente e à sua escolha:

“I – exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade;

II – aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente;

III – rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos”.

Nas compras em sites do exterior, o cuidado deve ser redobrado, segundo Rollo, porque se o consumidor não recebe o produto ou tem algum problema, fica muito mais difícil de reaver o dinheiro.

Confira dicas do especialista em investimentos e finanças pessoais, Danilo Zanini:

1. Pesquise por empresas sólidas atuando no mercado e que possuem um bom histórico de vendas. “Muitas vezes a empresa usa da boa vontade do consumidor de querer comprar e atuam de má-fé”, diz.

2. “Tenho dinheiro guardado. Compro agora ou mais próximo do Natal?”. Se você possui esse dinheiro, verifique se realmente quer (e precisa) fazer essa compra. Faça pesquisas, se não vir vantagens nos preços, não vale a pena. Espere a euforia passar e compre depois.

3. Compra consciente. “Aquele produto com desconto astronômico você precisa? Muitas vezes as pessoas gastam dinheiro com coisas supérfluas. Tome cuidado para não gastar desnecessariamente”.

4. Está endividado? O principal ponto é regularizar suas dívidas. Aproveite a Black Friday para fazer pesquisas. “Não é porque você está endividado que você tem que aumentar sua dívida”, destaca Zanini.

5. Não tem dívidas e quer gastar? “Tudo tem que ter um equilíbrio. Pode gastar, mas não se endivide. Não aumente algo que você não tem”, aconselha.

6. Tenha acesso ao Código do Consumidor. Saiba a compra que você realiza. Às vezes o produto que você comprou não tem direito à troca, por exemplo.

7. Acesse o site ReclameAQUI e faça uma consulta sobre o que outros consumidores falam sobre a reputação de uma empresa.

8. Faça uma busca no perfil das lojas nas redes sociais. “Para você ter uma ideia de como tem se posicionado essa empresa perante seus consumidores”, diz.

9. Como o fluxo de compras na Black Friday é alto, fique atento ao valor do frete. Às vezes as empresas aumentam o prazo da entrega por conta da alta demanda.

No Brasil, a Black Friday começou em 2010, e a cada ano as promoções conseguem atrair mais consumidores – e, por vezes, gerar mais reclamações

As reclamações caíram ao longo dos anos, mas registraram leve alta em 2017 (Divulgação/ReclameAQUI)

 

 

 

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