Impreciso e individualista

Neymar começa mal seu projeto Bola de Ouro

Jogador mais caro da história teve iniciativa, mas foi impreciso e individualista na vitória da seleção brasileira sobre o Equador, em Porto Alegre

Neymar prendeu demais a bola e sofreu com a marcação equatoriana (Pedro Martins/Mowa Press)

Neymar começa mal seu projeto Bola de Ouro

Neymar decepcionou em sua primeira partida na seleção brasileira como estrela do Paris Saint-Germain e jogador mais caro de todos os tempos.

Na vitória por 2 a 0 desta quinta (31), o jogador destoou negativamente e não ganhou pontos em seu claro projeto para se tornar o melhor do mundo. Diante da forte marcação do Equador na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, ele deu pequenas amostras de talento com lances de efeito, mas abusou do individualismo, foi impreciso na maioria das jogadas e voltou a levar cartão amarelo – está novamente pendurado.

Atleta mais festejado pelos torcedores – mais até do que o gremista Luan –, ele não pecou por falta de iniciativa. Buscou o jogo o tempo todo, recuou para tentar armar as jogadas e alternou os lados com Willian, mas não conseguiu ser efetivo. O atacante de 25 anos falhou por excesso: segurou a bola, tomou decisões erradas e demonstrou certa imaturidade, lembrando muito seus primeiros jogos na Olimpíada do Rio.

Cartão amarelo

À medida em que a marcação do Equador se tornou mais forte, o camisa 10 foi se irritando e repetiu hábitos ruins que há algum tempo não se viam. Por vezes prendeu demais a bola em zonas pouco produtivas, como no lance em que levou uma rasteira de Fidel Martínez que, corretamente, recebeu um amarelo. Minutos depois, foi a vez de o brasileiro ser advertido com o cartão, por uma falta boba, fora da disputa de bola, em Pedro Velasco.

Neymar está pendurado para a próximo jogo contra a Colômbia, um adversário que não lhe traz boas lembranças. Ele foi cortado da Copa de 2014 por um entrada violenta de Camilo Zúñiga e, no ano seguinte, expulso e suspenso por causa de um “chilique” contra os colombianos na Copa América.

Na Rio-2016, voltou a apanhar muito e também bateu, mas se saiu melhor contra a Colômbia. A tendência é que a partida da próxima terça, em Barranquilla, seja novamente tensa. Se levar novo cartão, ficará fora da disputa contra a Bolívia, em La Paz, em outubro. Será mais uma boa chance para testar sua maturidade.
Controle emocional

No segundo tempo em Porto Alegre, o cenário se repetiu. Neymar se movimentou muito e distribuiu dribles e toques de classe, mas abusou das jogadas individuais e foi infeliz nas finalizações.

Após a partida, atendeu à imprensa com educação, mas sem grande entusiasmo. E responsabilizou a retranca equatoriana por sua má atuação.“Temos de nos acostumar com isso, os outros países já sabem que gostamos de ficar com a bola, e vão marcar sempre atrás, mas temos de buscar soluções. Foi um jogo muito difícil, truncado, mas tivemos calma para conseguir os gols e a vitória”, disse, em um discurso protocolar.

O técnico Tite também foi perguntado sobre a atuação de seu melhor jogador e levou a questão para um plano tático. “Não quero individualizar, vou contextualizar (…) Deixei Neymar livre para criar e ampliar sua área de atuação, mas marcação deles era tão boa que ele só conseguia receber a bola livre muito atrás. No segundo tempo, com a entrada do Coutinho, prendemos mais o Paulinho e avançamos os laterais, para abrir mais espaço para Neymar, Gabriel Jesus e Willian Os três cresceram porque receberam a bola num plano mais avançado”, disse.

O craque tem talento suficiente para sonhar com o prêmio de melhor do mundo e a temporada 2017/2018 será uma ótima oportunidade, pois termina justamente na Copa do Mundo da Rússia. Para ter sucesso, porém, precisará de muito mais inspiração e controle emocional do que demonstrou no jogo desta noite, na capital gaúcha.

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