Diversão de mau gosto

Jovem confessa ter assaltado e amarrado motorista de aplicativo no mato para se divertir

Vítima foi resgatada um dia após desaparecer, em Anápolis. Suspeito de comprar o carro roubado também foi preso.

Motorista da Uber Cleyton da Silva Nascimento 30 anos após ser encontrado amarrado em mato perto da BR-153 Anápolis Goiás (Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

Jovem confessa ter assaltado e amarrado motorista de aplicativo no mato para se divertir

Um jovem de 18 anos foi preso suspeito de roubar o motorista de aplicativo de transportes Cleyton da Silva Nascimento, de 30 anos, e amarrá-lo em um matagal, em Anápolis, a 55 km de Goiânia. De acordo com a Polícia Civil, Bruno dos Santos Gomes disse em depoimento que cometeu o crime com a ajuda de um menor, que ainda não foi localizado pela corporação.

Segundo o delegado Carlos Antônio Silveira, que apura o caso, o suspeito cometeu o crime “simplesmente para se divertir”. Ele contou que a vítima compareceu à delegacia nesta terça-feira e reconheceu o jovem pela voz. Um outro jovem foi preso apontado como receptador do veículo roubado.

“Eles eram até um pouco amadores na situação, em termos de não ser um grupo organizado”.

“Eles arquitetaram esta conduta visando obter este lucro fácil e queriam só se divertir e usufruir do carro da vítima”, afirmou o delegado.

Cleyton é motorista cadastrado na Uber, mas desapareceu na noite de quinta-feira (30) após buscar dois homens que o chamaram por meio de um aplicativo de mensagens. Ele ficou quase 24h desaparecido. Colegas de profissão dele alertaram que ele não havia dado notícias após iniciar a corrida e as buscas começaram, até que uma denúncia os levou até o local onde ele foi achado, já na noite de sexta-feira (1º).

Bruno foi preso por volta das 14h30 de segunda-feira (4), pela Polícia Militar, após uma denúncia anônima. Além dele, a corporação localizou Augusto Pedro Pimenta, suspeito de comprar o veículo roubado.

“Chegamos a autoria do sequestrador do Uber e, posteriormente, ao veículo que estava sendo guardado em uma residência com o receptador”,

contou o capitão Ricardo Marcos França.
De acordo com o delegado, Bruno tinha passagens, quando menor, por ato infracional análogo ao crime de roubo, e agora deve responder pelo furto qualificado. Já augusto será indiciado por receptação.

‘Pensei que iam me matar’
Em entrevista à TV Anhanguera, Cleyton afirmou, no último sábado (2), que teve medo de ser morto. “Em uma estrada de chão, mandaram eu ir no caminho do mato. Eu pensei: ‘Agora eles vão me matar’”, disse ao G1.

A vítima contou que aceitou o chamado dos clientes, e, chegando ao local combinado, os rapazes entraram no carro e evitaram deixar o rosto à mostra. “O cara me deu o endereço de lá certinho com rua, quadra, tudo. Eles entraram no carro, um na frente e o outro atrás de mim. Durante a viagem eles meio que tentaram esconder o rosto. Um deles falou: ‘Rapaz, estou gripado’ e deitou no banco”, relatou.

Chegando ao destino, os clientes deram voz de assalto e Cleyton disse que não reagiu, entregando seus pertences e tentando ir embora. No entanto, a dupla insistiu para que ele voltasse para dentro do carro, desta vez no banco traseiro, e fosse com eles.

“Eles me colocaram no banco de trás com a cabeça no assento para eu não olhar para eles. Me ameaçando o tempo inteiro, perguntando se tinha rastreador no carro. Me levaram para outro lugar. Chegou lá, em uma estrada de chão, mandaram eu ir no caminho do mato. Eu pensei: ‘Agora eles vão me matar’”, completou.

No entanto, o motorista contou que a dupla pediu que ele se deitasse de bruços no chão e amarrou os braços e as pernas dele juntos. “Eles falaram: ‘Nós vamos matar um cara ali e depois a gente liga para a polícia para te acharem aqui’”, completou.

Durante o tempo que ficou amarrado, Cleyton afirma que sentiu muita dor nos braços. Ainda assim, disse que teve bastante esperança de ser encontrado bem.

“Durante esse tempo todo que eu fiquei lá eu estava bastante otimista que alguém iria me achar. Pensei que se quisessem me matar tinham matado na hora. Daí fiquei pensando positivo. Graças a Deus me acharam.  Eu estava sentindo muita dor demais no braço porque me amarraram muito forte, então não tive cabeça para sentir frio, dor no corpo, fome sede, o tempo inteiro com muita dor no braço”, completou.

Carro foi encontrado na casa de um jovem apontado como receptador, em Anápolis (Foto: TV Anhaguera/Reprodução)
Bruno dos Santos Gomes foi preso e confessou o roubo, em Goiás (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)
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