Disponíveis no site da Câmara

Ao contrário do que diz Temer, vídeos de Lúcio Funaro não foram vazados

Trechos dos depoimentos da delação premiada do doleiro começaram a ser divulgados na sexta. Ele acusa a existência de um suposto esquema de propina envolvendo o presidente.


Defesa de Temer chama divulgação de vídeos de ‘criminoso vazamento’ ( Foto: Marcos Corrêa/PR)

Ao contrário do que diz Temer, vídeos de Lúcio Funaro não foram vazados

Ao contrário do que acusa a defesa do presidente Michel Temer, não houve vazamento dos depoimentos do doleiro Lúcio Funaro à Procuradoria Geral da República. Os depoimentos estão disponíveis no site oficial da Câmara dos Deputados.

Após a divulgação dos vídeos, o presidente Michel Temer passou o sábado (14) recolhido em casa, no Palácio do Jaburu.

A reação do presidente da República à divulgação dos vídeos veio por meio de seu advogado, Eduardo Carnelós, que divulgou nota para dizer que houve um “criminoso vazamento” das declarações do delator.

“O vazamento de vídeos com depoimento prestado há quase dois meses pelo delator Lúcio Funaro constitui mais um abjeto golpe ao estado democrático de direito”.

“Tem o claro propósito de causar estardalhaço com a divulgação pela mídia, como forma de constranger parlamentares que, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados votarão no dia 18 (próximo) o muito bem fundamentado parecer do relator, deputado Bonifácio Andrada”, diz a nota.

De acordo com o texto, é “evidente que o criminoso vazamento foi produzido por quem pretende insistir na criação da grave crise política no país, por meio da instauração de ação penal para a qual não há justa causa”.

Acrescenta ainda que autoridades que têm o “dever de respeitar o ordenamento jurídico não deveriam permitir ou promover o vazamento de material protegido por sigilo”.

Câmara
Os vídeos foram enviados pelo Supremo Tribunal Federal no dia 22 de setembro em ofício endereçado ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). E foram liberados pela Câmara no dia 29 de setembro.

Eles fazem parte de uma lista de arquivos relacionados à segunda denúncia contra o presidente Temer, por obstrução de Justiça e organização criminosa.

A Câmara dos Deputados é que vai dizer se concorda com o arquivamento da denúncia. Foi isso que recomendou o parecer já apresentado na semana passada.

Aliados de Temer dizem que a divulgação dos vídeos da delação não vai mudar o apoio que Temer possui.
Já a oposição sinalizou que vai apostar no desgaste político para reverter os votos. A votação na Comissão de

Constituição e Justiça está prevista para esta semana.
Concluída a etapa, segue para votação do plenário. Essa sessão será conduzida por Rodrigo Maia, que não quis comentar os ataques da defesa de Temer.

Divulgação dos vídeos
Trechos de gravações dos depoimentos da delação premiada de Funaro foram divulgados na sexta-feira (13). O delator faz acusações sobre a existência de um suposto esquema de propina envolvendo o presidente Michel Temer, aliados dele e o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os vídeos foram divulgados no site do jornal “Folha de S.Paulo”.

Funaro, apontado como operador do PMDB, conta ainda nos vídeos os motivos de ter ido ao escritório do advogado José Yunes, amigo de longa data e ex-assessor do presidente Temer, para pegar R$ 1 milhão, que teriam de ser entregues ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, em Salvador (BA).

O doleiro, que está preso desde junho de 2016, fechou acordo de delação, que foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em outro depoimento, também em vídeo, Funaro fala sobre a atuação do deputado cassado Eduardo Cunha, a quem era muito ligado. Funaro conta que o peemedebista era uma espécie de “banco” para os corruptos.

Ainda em sua delação, Funaro conta que o então vice-presidente Michel Temer estava “empenhado” para eleger Gabriel Chalita prefeito de São Paulo, em 2012. Nos relatos registrados em vídeos, o doleiro citou pagamento de propina, pedido de apoio feito por Temer e o empréstimo de seu helicóptero pessoal para campanha de Chalita.

Os termos do acordo de delação premiada do doleiro Lúcio Funaro com a Procuradoria Geral da República (PGR) preevem o pagamento de uma multa aos cofres públicos de R$ 45 milhões e o cumprimento de prisão em regime fechado em presídio de apenas 2 anos.

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