JUSTIÇA e LIBERDADE
“Xandão recuou?”: Moraes arquiva investigação, e o que parecia uma soltura geral exige lupa
Caso envolvendo Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio foi encerrado após parecer da PGR; Débora do Batom ganhou progressão de regime em outra decisão, mas permanece em prisão domiciliar.
Brasília, 7de outubro de 2026
No celular, a manchete cabe numa linha: “Xandão liberou geral”. Nos processos, a história ocupa mais páginas — e entrega uma notícia relevante, embora diferente da festa anunciada.
Alexandre de Moraes arquivou uma investigação envolvendo Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio, Marcos do Val e Ed Raposo. Em outro caso, autorizou a progressão de Débora Rodrigues dos Santos para o regime semiaberto.
Há decisões favoráveis às defesas.
Há limites importantes.
E há uma pergunta que merece sair do grito das redes para entrar na investigação: o que as provas sustentavam?
Na Petição 12.404, a Polícia Federal investigou publicações com ataques e exposição de dados do delegado Fábio Shor.
O grupo foi indiciado por obstrução de Justiça e incitação ao crime.
Mas a Procuradoria-Geral da República não encontrou suporte suficiente para levar essas imputações adiante.
Segundo o relato do parecer divulgado pelo Poder360, a apuração não demonstrou uma articulação estruturada para incitar crimes ou obstruir investigações. Moraes acolheu a posição da PGR e encerrou o procedimento.
Aqui está o ponto central: indiciamento policial não é condenação.
Entre a suspeita e uma acusação que possa seguir na Justiça, existe uma exigência que nenhum personagem deveria conseguir pular: prova.
A PGR considerou que as publicações poderiam configurar crimes contra a honra.
Nesse enquadramento, faltou a iniciativa formal do ofendido necessária para o prosseguimento, conforme o caso. A ausência dessa manifestação também pesou no arquivamento.
Portanto, o encerramento não autoriza concluir que toda postagem era legítima. Significa que aquela investigação não reuniu as condições para continuar nos termos examinados.
E as prisões? É justamente aí que a manchete acelerada perde a curva.
O arquivamento de um procedimento não cancela automaticamente ordens expedidas em outros.
Allan e Eustáquio continuam com pendências judiciais distintas.
A defesa de Eustáquio anunciou que pretende pedir a revogação de outro mandado — o que demonstra que a questão ainda depende de decisão.
Eustáquio também manifestou desejo de voltar ao Brasil caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial.
Mas expectativa eleitoral não funciona como alvará.
Além disso, o Poder360 informou que ele foi denunciado pela PGR em agosto por associação criminosa em outro caso. Trata-se de acusação, não de condenação.
Débora do Batom entra nessa história por outra porta.
Ela não integra a investigação sobre Shor. Em decisão de 2 de outubro, Moraes autorizou sua progressão para o semiaberto, preservando a prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
Sua condenação a 14 anos pelos atos de 8 de janeiro permanece.
É uma mudança relevante na execução da pena.
Não é absolvição nem liberdade sem restrições.
Também convém olhar o calendário antes de anunciar que o ministro “arregou” depois das urnas.
Segundo o Poder360, o arquivamento foi decidido em 4 de setembro e ganhou publicidade em outubro.
A decisão sobre Débora é de 2 de outubro. Ambas antecedem o primeiro turno de 4 de outubro.
As datas não revelam pensamentos ou intenções do ministro.
Mas impedem apresentar uma reação ao resultado eleitoral como fato comprovado.
O episódio deixa uma cobrança legítima: investigações que atingem a liberdade precisam de fundamentos verificáveis, e suas conclusões merecem tanta atenção quanto as suspeitas iniciais.
Se a acusação faz barulho, o arquivamento não pode passar de chinelos pelo noticiário.
Para quem comemora, há motivo concreto:
- uma apuração foi encerrada e uma condenada obteve progressão de regime.
Para quem exige transparência,
- há trabalho pela frente: acompanhar os demais processos e cobrar explicações precisas sobre cada restrição.
O Brasil merece conhecer a decisão inteira.
Afinal, entre “arquivou” e “soltou todo mundo”, existe uma distância que nem a manchete mais animada consegue apagar.
Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília
FONTES E NOTA DE APURAÇÃO
A íntegra em PDF indicada na pauta não pôde ser acessada nesta apuração. Os detalhes do arquivamento foram conferidos na reportagem do Poder360. A data de 4 de setembro é atribuída a esse veículo; há divergência de data em outras publicações.
Alexandre de Moraes arquiva investigação envolvendo Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio após parecer da PGR. Em decisão separada, Débora do Batom obtém progressão para o semiaberto, mas permanece em prisão domiciliar com tornozeleira. Arte ilustrativa.
Um processo termina, mas as pendências judiciais continuam: Moraes arquivou uma investigação envolvendo Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio. Em decisão separada, Débora do Batom obteve progressão para o semiaberto, mantendo a prisão domiciliar e a tornozeleira eletrônica. Arte ilustrativa do Portal 7Minutos.
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— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) December 15, 2025
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