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PT entra no modo emergência:

Lula reclama da bagunça e o resgate digital chega com pedido de desculpas

Depois de ficar atrás de Flávio Bolsonaro, campanha petista reforça o comando e enfrenta uma crise envolvendo publicações antigas de Ana Elisa

Opinião |

O PT saiu do primeiro turno com uma missão urgente: encontrar os votos que faltaram.

Mas, pelo movimento nos bastidores, parece ter encontrado primeiro uma reunião, depois outra reunião e, por garantia, uma reunião para organizar as próximas reuniões.

Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos,

contra 45,16% de Lula.

A diferença foi de 1,87 ponto percentual.

Não é eleição encerrada, mas foi suficiente para transformar o quartel-general petista em oficina de reparos com o motor ligado.

E quem abriu o capô foi o próprio Lula.

Na quarta-feira, 7 de outubro, o presidente classificou sua campanha como a menos organizada de suas disputas desde 1989.

A bronca acabou transmitida nas redes do partido, e a transmissão foi interrompida durante a fala.

É uma cena pronta para a comédia política:

  • a comunicação encarregada de vender organização entrega ao público o candidato reclamando da desorganização.

O adversário quase pode dispensar a edição.

O material já chega com começo, meio e constrangimento.

Para tentar acertar o rumo, Lula incorporou Camilo Santana à articulação política, Rui Costa à agenda e Rafael Fonteles à comunicação.

Edinho Silva continua como coordenador-geral.

Segundo Camilo, trata-se de reforço.

Na tradução bem-humorada dos bastidores, quando chegam três pessoas para ajudar a conduzir o mesmo veículo, convém conferir quem está segurando o volante.

Janja também aparece entre os alvos de críticas internas relatadas pela imprensa.

Isso não comprova que tenha escolhido pessoalmente Ana Elisa, nem autoriza colocar toda a confusão na conta da primeira-dama.

A cobrança, porém, expõe um comando pressionado a mostrar resultados.

Nesse cenário, a deputada federal eleita Ana Elisa, de 21 anos, ganhou protagonismo no esforço digital da campanha.

Eleita por Minas Gerais com 524.219 votos, ela tem experiência de mobilização nas redes.

Sua idade, portanto, não serve como explicação automática para os problemas de comunicação.

O problema político apareceu com a repercussão de publicações antigas.

Segundo o Poder360, parte dessas mensagens aborda igrejas, padres nas redes e provocações contra brancos.

Em nota de 9 de outubro, a equipe da deputada reconheceu posts autênticos, afirmou que foram retirados de contexto e informou que ela se retrata, pede desculpas e já não pensa como antes.

Para uma campanha em busca de ampliar apoios, começar uma nova fase explicando o passado de uma aliada é uma estreia indigesta.

Chamaram reforço para melhorar a mensagem; veio junto uma pauta de esclarecimentos.

Há, contudo, uma distinção indispensável: a equipe de Ana Elisa nega a autenticidade do print de outubro de 2022 sobre fechamento de igrejas divulgado por Nikolas Ferreira e anuncia que pedirá perícia.

Esse conteúdo não pode ser apresentado como declaração comprovada.

A nota também relata ameaças e explica a desativação temporária do perfil no X como medida de proteção.

A sátira tem material suficiente nas contradições da campanha.

Não precisa de montagem nem de ameaça.

Também falta comprovação para a tese de que os principais parlamentares petistas abandonaram Lula por causa da jovem.

As notícias consultadas mostram críticas e reorganização; não demonstram uma debandada coletiva.

O retrato é o de uma campanha que tenta conquistar o eleitor enquanto administra a própria discussão interna.

Lula cobra organização, dirigentes distribuem funções e o reforço digital precisa responder a uma crise.

O segundo turno continua aberto.

Mas o PT já produziu um curioso espetáculo:

antes de convencer o país de que sabe aonde quer chegar, precisa demonstrar que seu próprio GPS parou de anunciar

recalculando rota .

Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília

Fontes:

Agência Brasil — resultado do primeiro turno:

Folha de S.Paulo — declaração de Lula sobre organização:

Poder360 — reforços na campanha:

UOL — críticas a Janja e Edinho:

Poder360 — publicações de Ana Elisa:

Nota da equipe de Ana Elisa:

 

 

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Ana Elisa foi ajudar nas redes e descobriu que o grupo tem cinco administradores, todos digitando ao mesmo tempo e nenhum esperando a resposta! 😂📱 . Charge fictícia sobre as cobranças e a confusão na coordenação da campanha petista.
No ônibus da campanha, todo mundo indica o caminho, ninguém concorda com a direção e o GPS já pediu férias! 😂🚌. Ilustração satírica sobre a reorganização da campanha de Lula após o primeiro turno.

 

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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