DIPLOMACIA sob PRESSÃO
Eduardo Bolsonaro promete “faxina” no Itamaraty e diz que estará “na cola” de diplomatas
Ex-deputado acusa servidores de sabotarem a gestão de Jair Bolsonaro; declarações envolvem auxílio à família de Lulinha e propostas para um eventual governo de Flávio
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro colocou o Itamaraty no centro de uma nova disputa política. Em vídeo divulgado em 30 de setembro, afirmou ter mapeado embaixadores e diplomatas e prometeu uma “faxina” no Ministério das Relações Exteriores caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vença a eleição presidencial.
Eduardo disse ter acompanhado transferências e movimentações de servidores e acusou integrantes da carreira de atuar contra o governo de Jair Bolsonaro. O recado foi explícito: “Se você ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade, porque eu vou estar na sua cola”.
A acusação de sabotagem é de Eduardo. As declarações, por si só, não comprovam irregularidades dos servidores mencionados.
O episódio que motivou a manifestação envolve notícias sobre o auxílio da embaixada brasileira em Madri à família de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante sua instalação na Espanha. Eduardo apresentou um áudio atribuído ao diplomata Orlando Leite Ribeiro e prometeu retirar do posto o embaixador brasileiro naquele país.
Há, porém, uma correção importante: Ribeiro já não comandava a representação em Madri. Segundo as reportagens consultadas, ele passou a chefiar a embaixada em Praga, enquanto Luiz Alberto Figueiredo assumiu a missão na Espanha.
Em resposta à Folha de S.Paulo, Ribeiro afirmou que serve a todos os governos com profissionalismo. Disse que o atendimento se limitou ao setor educacional da embaixada: uma funcionária acompanhou familiares em visitas previamente organizadas a escolas durante dois dias, utilizando um veículo de serviço. Essa é a versão apresentada pelo diplomata para o auxílio questionado.
A discussão também alcança o futuro da política externa. Segundo a Folha, Marcos Degaut, aliado de Eduardo, apresentou a interlocutores propostas de avaliação por resultados comerciais, concentração de recursos em países prioritários e revisão das promoções na carreira.
Essas ideias não equivalem a decisões de um futuro governo. A campanha de Flávio informou à Folha que Eduardo e Degaut não falam pelo candidato. A possibilidade de Eduardo assumir o Itamaraty permanece no campo das especulações, sem anúncio de nomeação.
Reportagem do Estadão, publicada no Terra, descreve apreensão nos bastidores diplomáticos com possíveis afastamentos motivados por desconfiança política. Não foi identificada, nas fontes consultadas, uma manifestação institucional que permita atribuir ao Itamaraty inteiro a classificação de “perseguição ilegal”.
O debate exige respostas concretas. Se houve sabotagem ou uso indevido de recursos públicos, quais são as provas? E quais critérios orientariam a reformulação anunciada? A cobrança por eficiência ganha força quando vem acompanhada de transparência, apuração e explicações verificáveis.
Fontes: SBT News (30/09/2026); Estadão/Terra (30/09/2026); Folha de S.Paulo (29/09 e 01/10/2026).
Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília
Eduardo Bolsonaro promete uma “faxina” no Itamaraty em eventual governo de Flávio e afirma que cobrará diplomatas que acusa de sabotarem a gestão de seu pai. Arte ilustrativa.
Eduardo Bolsonaro coloca o Itamaraty no centro do debate ao prometer uma “faxina” em eventual governo de Flávio e acusar diplomatas de sabotarem a gestão de Jair Bolsonaro. Arte ilustrativa.
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— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) December 15, 2025
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