Fé não pode virar armadilha:
Uma oferta de kit “gratuito” de São Bento termina em cobranças por Pix
Comprovantes mostram dois Pix, de R$ 14,80 e R$ 12,68, destinados à Nuvix Solutions Tecnologia Ltda.; outra tela exige ao menos R$ 25 para liberar o kit
Uma oferta na internet que utiliza o nome do Mosteiro de São Bento e promete um presente religioso está sendo denunciada pelo diretor do Portal 7Minutos, Gildo Ribeiro.
Segundo ele, a expectativa de receber um kit anunciado como gratuito deu lugar a cobranças sucessivas: primeiro pelo frete e depois pela caixa de remessa.
Gildo afirma ter se sentido ludibriado após realizar dois pagamentos por Pix durante o processo.
Os comprovantes fornecidos à reportagem registram transferências de R$ 14,80 e R$ 12,68, totalizando R$ 27,48, em 12 de outubro de 2026.
O episódio levanta uma suspeita de fraude que precisa ser apurada e expõe uma questão direta: por que despesas aparecem em etapas, depois que o interessado já confiou na promessa e começou a pagar?
O PRESENTE E A COBRANÇA
Na captura da página saobentobr.vercel.app fornecida à reportagem, a oferta dirige-se ao devoto e apresenta um presente atribuído ao Mosteiro de São Bento.
A imagem exibe um terço, um frasco anunciado como água benta e uma publicação sobre o santo.
Um botão convida o visitante a responder a um questionário.
Outra captura, com o endereço ajude-o-kau.vercel.app visível no navegador, apresenta uma condição adicional.
A mensagem afirma que o kit está sendo preparado e exige uma ajuda mínima de R$ 25 a alguém identificado como “Kauê”, supostamente para cobrir taxas da caixa ou embalagem.
O aviso encerra com uma condição explícita: “Sem essa etapa, o kit não é liberado.”
Os dois comprovantes identificam como destinatária a NUVIX SOLUTIONS TECNOLOGIA LTDA., CNPJ 69.532.323/0001-22.
A KIKAI SCD S.A. aparece no campo de instituição financeira do destino, e não como destinatária nominal dos valores.
O Pix de R$ 14,80 foi registrado às 21h51min44s; o de R$ 12,68, às 22h00min21s.
Os documentos comprovam as transferências para a empresa indicada.
A vinculação desses pagamentos às etapas da oferta é relatada por Gildo.
A presença dos nomes nos comprovantes, por si só, não demonstra quem administra as páginas nem comprova participação consciente em eventual fraude.
A cobrança mínima de R$ 25 exibida na outra captura é uma exigência adicional registrada na tela; não deve ser confundida com os dois valores efetivamente pagos.
Por que a liberação de um presente religioso dependeria de uma contribuição a uma pessoa apresentada em outra página?
- Quem recebe o dinheiro?
- Qual é o custo total?
- Quem responde pelo envio?
São perguntas que os responsáveis pela oferta precisam esclarecer.
O NOME DO MOSTEIRO NÃO COMPROVA A AUTORIA
Não foi possível confirmar que as páginas sejam administradas ou autorizadas por algum Mosteiro de São Bento.
Também não foi identificada, nos materiais examinados, a comunidade beneditina específica que supostamente promoveria a campanha.
A referência a uma instituição religiosa na publicidade não basta para comprovar seu envolvimento.
Os endereços citados são subdomínios de vercel.app, plataforma de hospedagem.
Esse detalhe, isoladamente, não comprova fraude nem autenticidade.
O acesso direto à página inicial não pôde ser concluído pela ferramenta de consulta utilizada.
Por isso, a análise da oferta se baseia nas capturas fornecidas e no relato do diretor do portal.
Não há confirmação, nesta apuração, de investigação policial, de fraude consumada ou do número de pessoas atingidas.
Mesmo com essas questões pendentes, a cobrança condicionante registrada na imagem merece atenção.
Uma promessa apresentada como gratuita, seguida de despesas reveladas aos poucos, pode levar o consumidor a continuar pagando para não perder o que já desembolsou.
RESPEITO À FÉ EXIGE TRANSPARÊNCIA
A indignação relatada por Gildo tem uma razão compreensível:
- a confiança foi construída em torno de um santo e de uma instituição religiosa.
- Quem procura um objeto de devoção espera respeito e clareza sobre qualquer despesa.
A devoção a São Bento não pode servir de atalho para obter pagamentos sem explicação suficiente.
Se há custos, eles precisam ser apresentados de maneira clara antes de o interessado assumir qualquer compromisso.
Se há uma campanha legítima, seus organizadores devem poder demonstrar quem são, qual instituição a autorizou e quais são as condições de entrega.
O caso relatado pelo diretor do 7Minutos justifica um alerta aos leitores, sem atribuir aos monges ou aos mosteiros uma responsabilidade ainda não demonstrada.
COMO SE PROTEGER
Antes de pagar, confirme a campanha diretamente com a instituição religiosa por um contato obtido em seu site oficial, fora do anúncio.
Guarde as telas, os endereços, as mensagens e os comprovantes de Pix.
Havendo suspeita de golpe, interrompa novos pagamentos, comunique imediatamente o banco e registre um boletim de ocorrência.
O Banco Central informa que vítimas de suspeita de fraude podem contestar o Pix e solicitar análise pelo Mecanismo Especial de Devolução, o MED, em até 80 dias da transferência.
A devolução depende da análise e da disponibilidade de recursos; o mecanismo não se aplica a simples desacordos comerciais.
A denúncia deixa um recado:
- fé merece respeito, e promessa de presente exige transparência.
Usar São Bento para conquistar confiança não dispensa ninguém de explicar cada cobrança.
A devoção a São Bento merece respeito, não cobranças escondidas. Promessa de kit gratuito termina em pagamentos por Pix e exigência de nova taxa para liberar o envio, segundo denúncia do diretor do Portal 7Minutos. A suspeita exige apuração e serve de alerta aos fiéis.
Quando a… pic.twitter.com/XA0cFZdSDi— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) October 13, 2026
Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília
Fonte de serviço:
Banco Central — Segurança no Pix
O Portal 7Minutos deseja a todos um bom dia pic.twitter.com/76cDh70cEI
— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) December 15, 2025
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