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Conteúdo Alessandra Câmara

Melasma vai muito além das manchas: dermatologista brasileiro apresenta novas estratégias de tratamento em congresso internacional

Em apresentação científica em Portugal, Alessandro Alarcão destaca o papel da inflamação, das alterações vasculares e das modificações estruturais da pele na persistência do melasma e discute abordagens terapêuticas que vão além do clareamento

O melasma, conhecido pelas manchas escuras que aparecem principalmente no rosto e atingem sobretudo as mulheres, é muito mais complexo do que um problema de pigmentação.

A doença envolve processos inflamatórios, alterações vasculares, modificações na membrana basal e no funcionamento das células da pele, fatores que ajudam a explicar por que as manchas podem persistir ou reaparecer mesmo após diferentes tratamentos.

Essa foi a abordagem apresentada pelo dermatologista e cirurgião dermatológico brasileiro Alessandro Alarcão, de Goiânia, nesta sexta-feira (30), durante o XXV Congresso Ibero-Latino-Americano de Dermatologia (CILAD), realizado na cidade do Porto, em Portugal.

Na palestra intitulada “Além do pigmento: reconstruindo o microambiente do melasma”, o especialista apresentou uma visão mais abrangente da doença, destacando os mecanismos envolvidos em sua persistência e as possibilidades de tratamentos combinados.

“O melasma não pode ser tratado apenas como uma mancha.

O que aparece na superfície da pele é resultado de uma série de alterações que acontecem em suas diferentes camadas. Quando compreendemos esses mecanismos, conseguimos desenvolver estratégias terapêuticas mais completas, que vão além do simples clareamento , explica Alarcão.

Por que o melasma volta?

Uma das maiores dificuldades enfrentadas por quem convive com o melasma é a recorrência das manchas. Mesmo após tratamentos que conseguem clarear a pele, a pigmentação pode retornar, especialmente diante da exposição à radiação ultravioleta, à luz visível, ao calor e a determinados estímulos hormonais.

Segundo Alarcão, isso acontece porque o excesso de melanina é apenas uma das manifestações da doença.

O melasma envolve uma interação complexa entre melanócitos, queratinócitos, fibroblastos, vasos sanguíneos e mediadores inflamatórios.

Alterações na membrana basal, modificações no microambiente dérmico e a participação de fibroblastos senescentes também estão entre os mecanismos estudados para compreender a persistência e a recorrência da pigmentação.

Durante muito tempo, os tratamentos foram direcionados principalmente à redução do pigmento. Hoje sabemos que é necessário olhar para o ambiente em que essa pigmentação é produzida. Não basta clarear a mancha sem considerar os fatores que contribuem para sua formação e manutenção, afirma o dermatologista.

Novas tecnologias e tratamentos combinados

A evolução do conhecimento científico sobre o melasma tem ampliado as possibilidades terapêuticas.

Além dos medicamentos despigmentantes e da fotoproteção, considerada fundamental no controle da doença, novas estratégias procuram atuar sobre diferentes mecanismos envolvidos em sua fisiopatologia.

Durante sua apresentação, Alessandro Alarcão discutiu a importância dos protocolos combinados e o potencial de tecnologias dermatológicas, incluindo diferentes modalidades de laser, associadas a estratégias que buscam modular a inflamação e atuar sobre alterações do microambiente cutâneo.

Entre as abordagens discutidas estão o uso de laser de CO₂ em modalidades específicas, lasers de picossegundos e terapias regenerativas em investigação, incluindo aplicações experimentais de derivados celulares.

Essas estratégias exigem avaliação criteriosa, uma vez que sua eficácia e segurança no melasma variam conforme a técnica utilizada e ainda dependem, em alguns casos, de estudos clínicos mais robustos.

Para o especialista, a principal mudança está na compreensão de que o melasma é uma doença crônica e multifatorial, que exige planejamento individualizado e acompanhamento contínuo.

Não podemos pensar apenas em retirar o pigmento. Precisamos compreender o que está acontecendo na pele e buscar estratégias que também atuem sobre os mecanismos responsáveis pela manutenção da doença. O objetivo é alcançar um controle mais consistente, com segurança e resultados duradouros,  ressalta.

O dermatologista também destaca que procedimentos realizados sem critérios adequados podem desencadear processos inflamatórios e até agravar a pigmentação, reforçando a importância de uma avaliação especializada.

Ciência brasileira em destaque internacional

A apresentação de Alessandro Alarcão no XXV CILAD integra a programação científica de um dos principais encontros da dermatologia ibero-latino-americana, que reúne especialistas de diferentes países para discutir pesquisas, avanços tecnológicos e novas abordagens no diagnóstico e tratamento das doenças da pele.

Com mais de 25 anos de trajetória médica e atuação em dermatologia clínica, cirurgia dermatológica, laser e cosmiatria, o médico brasileiro participa regularmente de congressos nacionais e internacionais, contribuindo para o debate científico sobre novas tecnologias e estratégias terapêuticas.

A discussão ganha relevância especialmente em países como o Brasil, onde a exposição à radiação solar ao longo do ano e a diversidade de fototipos tornam o melasma uma condição frequente nos consultórios dermatológicos.

Para Alarcão, ampliar o conhecimento sobre a doença também é fundamental para combater a ideia de que o melasma representa apenas uma preocupação estética. “Estamos falando de uma doença que pode afetar profundamente a autoestima, a confiança e a qualidade de vida das pessoas. O futuro do tratamento do melasma está em compreender sua complexidade, individualizar as abordagens e buscar resultados cada vez mais seguros e sustentáveis”, conclui.

Fotos
Créditos: Acervo Pessoal
Foto 1 – Alessandro Alarcão Acervo Pessoal
Foto 2 – Apresentação  Acervo Pessoal

 

Conteúdo Alessandra Câmara

 

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Apresentação  Acervo Pessoal
Alessandro Alarcão Acervo Pessoal
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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