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BASTIDORES sob SUSPEITA

R$ 33 MILHÕES, “CANAL DIRETO” e NOVAS MENSAGENS: O que o caso DALIDE revela sobre a REDE do BANCO MASTER

Documentos apreendidos pela Polícia Federal ampliaram a pressão sobre o Banco Master e seus vínculos nos bastidores de Brasília.

Uma auditoria interna do Banco de Brasília, localizada pelos investigadores, registra que o escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões do banco controlado por Daniel Vorcaro somente em 2024.

O valor já chama atenção por sua dimensão. Mas o ponto mais sensível está nas conversas internas atribuídas a executivos do Master. Ao ordenar pagamentos ao escritório, um diretor financeiro teria justificado a despesa afirmando que Dalide era um “canal direto com o STF”. Em outra mensagem divulgada posteriormente, integrantes da cúpula do banco teriam se referido à advogada como “sócia” do ministro Gilmar Mendes e tratado o pagamento como prioridade.

Essas expressões são graves, mas precisam ser lidas com rigor: elas aparecem em conversas de executivos do banco e não constituem, por si só, prova de influência ilegal, sociedade com ministro ou atuação indevida perante o Supremo.

Dalide nega ter representado o Master no STF ou procurado ministros para tratar de interesses da instituição. Segundo sua assessoria, o trabalho se limitou a processos que começaram com empresas que venderam créditos ao banco e tramitavam exclusivamente na primeira e na segunda instâncias. Gilmar Mendes também nega qualquer sociedade ou favorecimento e afirma que não mantém proximidade com a advogada desde a saída dela do IDP, em 2017.

QUEM É DALIDE CORRÊA

Dalide tem longa trajetória jurídica e trânsito institucional em Brasília. Foi diretora jurídica da Caixa Econômica Federal, assessora na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, procuradora-geral da Agência Nacional de Aviação Civil e chefe de assessoria parlamentar no STF.

Em 2010, abriu o escritório Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia e assumiu a direção-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público, hoje IDP, instituição fundada por Gilmar Mendes. Ela permaneceu no cargo durante sete anos. Segundo as versões divulgadas, os dois se afastaram após divergências de gestão.

Em 2022, Dalide integrou como suplente uma candidatura ao Senado por Goiás. Na ocasião, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de aproximadamente R$ 88,5 milhões.

O QUE MUDOU NA APURAÇÃO

A novidade que aprofunda o caso não é apenas o pagamento de R$ 33 milhões. É o contexto financeiro encontrado na auditoria: as despesas do Master com serviços jurídicos teriam avançado de R$ 76 milhões em 2023 para R$ 215 milhões em 2024 — um aumento de R$ 139 milhões em apenas um ano.

Nos mesmos registros aparecem cerca de R$ 40 milhões pagos em 2024 ao escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Reportagens posteriores, baseadas em dados tributários, apontaram pagamentos declarados superiores a R$ 80 milhões em dois anos e um contrato que poderia alcançar R$ 129 milhões. O escritório sustenta que os serviços foram efetivamente prestados e nega irregularidades.

Depois das primeiras revelações sobre Dalide, outras mensagens atribuídas a Vorcaro e executivos trouxeram novas perguntas. Uma delas indicaria que o banqueiro pediu que fosse entregue “algum caso” ao escritório de Enrique Lewandowski, filho do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, para justificar um contrato. A banca afirma que prestou consultoria fiscal e tributária.

Também foi noticiado um contrato de êxito que poderia chegar a R$ 427 milhões com o escritório de Camilla Ramos, mulher do juiz federal Newton Ramos, em processos relacionados a precatórios. E diálogos divulgados nesta terça-feira, 22 de setembro, sugerem que empresas ligadas ao universo do Master ajudaram a financiar, em Nova York, um evento em homenagem ao ministro Luiz Fux. Fux afirma que foi convidado pela Forbes, que não teve contato com Vorcaro e que participou do encontro para falar sobre segurança jurídica.

O QUE AINDA NÃO ESTÁ PROVADO

Até o momento, não foi divulgada uma conclusão da Polícia Federal afirmando que o contrato de Dalide era fictício, ilegal ou destinado a comprar decisões. Também não há prova pública de que Gilmar Mendes tenha recebido valores, participado da contratação ou praticado ato em favor do Master por causa da advogada.

As expressões “canal direto” e “sócia” exigem investigação, mas não autorizam condenação antecipada. É necessário esclarecer quais processos justificaram R$ 33 milhões, quais serviços foram entregues, como os honorários foram calculados, quem aprovou os pagamentos e por que executivos vinculavam a contratação ao STF se a defesa afirma que a atuação ocorreu apenas em instâncias inferiores.

O TAMANHO DA CRISE

O episódio deixou de ser apenas uma discussão sobre honorários advocatícios. O conjunto de contratos, encontros, viagens, eventos e mensagens envolvendo pessoas próximas a integrantes do Judiciário criou uma crise de confiança. Mesmo quando um serviço é legal, a aparência de acesso privilegiado pode comprometer a credibilidade das instituições.

O Brasil precisa de respostas documentais, não de versões convenientes. Se os pagamentos foram legítimos, os contratos, processos, pareceres, horas trabalhadas e resultados devem demonstrá-lo. Se houve venda de influência, tráfico de prestígio ou pagamento sem contraprestação, os responsáveis precisam ser identificados e julgados com pleno direito de defesa.

O vídeo que circula nas redes usa linguagem eleitoral e apresenta conclusões contra Gilmar Mendes que não estão comprovadas pelos documentos públicos conhecidos. O fato verificável é outro: mensagens internas do Master criaram suspeitas sérias, as pessoas citadas negam irregularidades e a investigação ainda precisa transformar indícios e frases de bastidor em provas — ou descartá-los.

No caso Master, o que está em julgamento perante a opinião pública não é apenas a conduta de um banqueiro. É a capacidade do sistema de investigar relações poderosas sem proteger nomes, antecipar condenações ou esconder documentos.

 

Por Gildo Ribeiro

Redação Portal 7Minutos — Brasília

Fontes consultadas: Polícia Federal; Supremo Tribunal Federal; auditoria interna do BRB citada por Estadão, Terra, UOL, Folha de S.Paulo, InfoMoney e CNN Brasil. Apuração atualizada em 22 de setembro de 2026.

Documentos sob escrutínio diante do STF

O escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões em pagamentos do Banco Master, em 2024.
Foto: Reprodução/Youtube / Estadão

Dalide Corrêa em entrevista no estúdio o
Documentos bancários em foco no STF

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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