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Conteúdo Dra. ANA CLAUDIA SEGANTINE
Outubro laranja é mês de conscientização sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
Outubro laranja é mês de conscientização sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
O mês de OUTUBRO, mês de conscientização sobre o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) é amplamente conhecido no Brasil e internacionalmente como o Outubro Laranja, dedicado a informar a sociedade, estabelecer debates, a aceitação das pessoas e combater o preconceito.
A cor laranja foi adotada como símbolo mais conhecido pelas entidades e associações ligadas ao (TDAH). Ela foi escolhida porque o laranja representa a energia e o impulso que as pessoas com TDAH podem ter.
Além disso, a cor também mostra que é importante que o TDAH seja mais notado, pois, muitas vezes é um problema que as pessoas não conseguem identificar facilmente.
Outubro é mundialmente conhecido como o mês da conscientização usado para unir esforços globais na divulgação de informações científicas, combater estigmas, expondo suas lutas e batalhas, promovendo respeito e orientando principalmente para as famílias sobre o diagnóstico e tratamentos adequados com especialistas.
O mês de outubro, outubro laranja, para o TDAH é o período dedicado a promover informação, combater estigmas e ampliar o acesso ao conhecimento sobre o diagnóstico e tratamento do TDAH.
Assim como é a rotina de cada pessoa especial.
A Lei nº 14.254, de 30 de novembro de 2021, conhecida como Lei do TDAH e Outros Transtornos de Aprendizagem, dispõe sobre o acompanhamento integral de educandos com dislexia, (TDAH) e outros transtornos de aprendizagem. que garante o acompanhamento integral para educandos com TDAH, dislexia e outros transtornos de aprendizagem.
É muito importante que as pessoas saibam que é um condição neurobiológica de origem genética, manifestando-se geralmente na infância acompanhando a pessoa por toda a vida e o que é muito importante: não tem relação com falta de vontade, preguiça ou falta de disciplina, muito pelo contrário, a pessoa se culpa por isso e por mais.
Realmente a lei ao considerar o transtorno como deficiência, auxilia muito, pois o problema influencia na vida prática de crianças, adolescentes e adultos.
E agora, com a lei, podemos solicitar o acesso gratuito aos medicamentos e tratamentos, que são inacessíveis para muitas pessoas carentes.
E não só isso, para todos com dificuldades de acesso a outros vários direitos nas áreas de educação e trabalho,
Por que o TDAH é tão mal visto perante a sociedade?
Principalmente neste mês de outubro, vamos falar sobre isso.
O TDAH ainda é muito mal compreendido socialmente.
Muitas vezes, comportamentos relacionados ao transtorno são interpretados como falta de educação, preguiça, desinteresse, irresponsabilidade, falta de esforço, entre outros.
E é justamente por isso que falar sobre o TDAH durante o mês de outubro é tão importante: informação ajuda a substituir o julgamento pela compreensão.
O TDAH não é simplesmente não conseguir prestar atenção .
Ele pode envolver dificuldades de atenção, impulsividade, organização, planejamento, administração do tempo e regulação das emoções.
Essas manifestações podem aparecer de maneiras diferentes em cada pessoa e acompanhar a vida desde a infância até a idade adulta.
Na perspectiva psicanalítica, é importante também olhar para a experiência subjetiva da pessoa que vive com TDAH.
O sofrimento nem sempre está apenas nas dificuldades do transtorno, mas também naquilo que o sujeito escuta repetidamente sobre si:
- “Você não presta atenção”.
- “Você é desorganizado”.
- “Você precisa se esforçar mais”.
- “Você não termina nada”.
- “Isso é falta de vontade”
Quando essas mensagens se repetem durante anos, podem contribuir para sentimentos de inadequação, culpa, vergonha e baixa autoestima.
Por isso, o diagnóstico não deve ser utilizado para reduzir uma pessoa a uma condição.
Ele pode ser uma ferramenta para compreender sua história, suas dificuldades e suas necessidades, mas não define quem ela é.
E quando o diagnóstico acontece somente na vida adulta?
A descoberta tardia do TDAH pode provocar uma verdadeira releitura da própria história.
Muitas pessoas chegam à vida adulta depois de anos ouvindo que eram distraídas, desorganizadas, impulsivas, preguiçosas, esquecidas ou que simplesmente não se esforçavam o suficiente .
Quando o diagnóstico finalmente acontece, pode surgir uma pergunta carregada de emoção:
Por que ninguém percebeu antes?
Essa é uma questão especialmente importante, pois há a percepção do entendimento de determinadas situações que exigiram dela um esforço maior.
Algumas dessas pessoas sofreram muito na infância pelos sintomas do TDAH, mesmo sendo muito inteligentes, os outros adjetivos se sobressaíram.
Quando finalmente recebem uma avaliação e um diagnóstico, pode surgir uma mistura de sentimentos: alívio por encontrar uma explicação, mas também tristeza pelo que poderia ter sido compreendido anteriormente, raiva pelas oportunidades perdidas e esperança de construir novas formas de lidar consigo mesma.
Na escuta psicanalítica, esses sentimentos podem encontrar um espaço para serem elaborados.
O objetivo não é apenas perguntar o que o TDAH fez com essa pessoa?, mas também compreender como essa pessoa construiu sua relação consigo mesma, com os outros, com suas capacidades, seus limites e seus desejos.
Pela perspectiva psicanalítica, esse momento pode ser compreendido como uma oportunidade de ressignificação.
Não se trata de apagar o passado ou transformar toda a história em consequência do TDAH, mas de olhar novamente para experiências que talvez tenham sido marcadas por incompreensão, cobranças, fracassos e sentimentos de inadequação
A psicanálise pode contribuir nesse processo ao oferecer um espaço de escuta para que a pessoa possa elaborar não apenas o diagnóstico, mas também sua própria história, sua inteligência, desorganização, dificuldades de convívio social, a facilidade em perder as coisas, em iniciar várias atividades e não conseguir concluir nenhum e as marcas, demais sintomas e as marcas deixadas pelos olhares dos outros.
Descobrir o TDAH na vida adulta não significa descobrir que toda a vida foi um erro.
Pode significar encontrar uma nova chave de leitura para uma história que já existia.
Falar sobre TDAH é, portanto, falar sobre pessoas, não apenas sobre sintomas e sobre soluções também.
Que outubro seja um mês para que possamos substituir os julgamentos pela escuta e entendimento, o preconceito pela informação sabedoria, e o julgamento de:
- “você deveria conseguir”, por perguntas mais humanas:
- “O que você precisa para conseguir?”
- “Vamos focar em apenas uma coisa de cada vez? O que faremos primeiro?”
- “Gostaria que eu te mandasse isso por mensagem para você não precisar se preocupar em lembrar?”
- “Estou aqui com você. Vamos resolver isso juntos.”
TDAH não define uma pessoa.
A pessoa existe para além do diagnóstico. Pela escuta, pela compreensão e por uma sociedade menos julgadora.
Telefones para ligar e denunciar
Os principais canais nacionais e gratuitos de atendimento são:
Disque 100 (Disque Direitos Humanos):
- É o canal público centralizado e mais indicado para registrar denúncias de violência física, psicológica ou discriminação atitudinal contra pessoas com deficiência e neurodivergentes. Funciona 24 horas por dia.
190 (Polícia Militar):
- Deve ser acionado imediatamente se a humilhação estiver acontecendo no exato momento, permitindo o flagrante e a identificação dos agressores.
Por: Dra. ANA CLAUDIA SEGANTINE
Ana Claudia de Laet Segantine.
É psicanalista e Mestra em Biociência. Atua principalmente nas áreas de Neurociência, TAB, TDAH, Depressão, Suicídio, Dependência Química, TAG e TEPT. Tratamento com acolhimento, informação, orientação e cuidados, sem preconceitos e julgamentos.
Formada em Apometria e Reiki.
Tik Tok: ANA CLAUDIA DE LAET SEGANTINE
Instagram: @anaclaudiadelaetsegantine
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