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Conteúdo Dra ANA CLAUDIA SEGANTINE

Outubro Rosa: o olhar da Psicanálise para além do corpo

O mês de outubro foi nomeado de Outubro Rosa, sendo um período de conscientização sobre o câncer de mama, insentivação dos cuidados e sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado com a saúde da mulher.

Mas falar sobre essa campanha também significa falar sobre algo que ultrapassa os exames e os tratamentos: significa exclarecer a relação da mulher com o próprio corpo, com sua identidade e com suas emoções.
O Outubro Rosa, pela perspectiva da psicanálise, pode ser compreendido para além da prevenção do câncer de mama.
Ele também abre espaço para falar sobre o corpo, a feminilidade, a autoestima, o medo, a sexualidade, as perdas e a relação da mulher consigo mesma.
O câncer de mama não atinge somente um órgão.
O tratamento pode produzir mudanças na imagem corporal, afetando a autoestima, a identidade feminina e até a sexualidade, aspectos que podem gerar sofrimento psíquico importantes e graves.
Estudos da área de saúde mental destacam justamente essa dimensão subjetiva da experiência.
Pela perspectiva da Psicanálise, o corpo não é apenas uma realidade biológica. Ele também é atravessado por histórias, desejos, afetos, medos, experiências e significados construídos ao longo da vida.
Receber diagnóstico de câncer de mama pode provocar sentimentos profundamente impactantes, como: medo, angústia, tristeza, insegurança, raiva e sensação de perda podem aparecer diante da possibilidade de mudanças no corpo e na própria vida.
Para algumas mulheres, a mama também está associada à feminilidade, à sexualidade, à maternidade, à imagem corporal e à maneira como se reconhecem diante do espelho e do outro.
Nesse contexto, o sofrimento emocional não deve ser diminuído ou tratado como algo secundário, desvalorizado. Cuidar da saúde mental também faz parte do cuidado integral.
Isso não significa que toda mulher vivenciará o câncer da mesma maneira. Cada história é singular.
É justamente aí que a escuta psicanalítica pode ter grande importância: permitir que a mulher fale sobre aquilo que muitas vezes não consegue expressar apenas através das palavras do diagnóstico médico.
  • Prevenir é cuidar.
  • Diagnosticar é cuidar.
  • Tratar é cuidar.
  • Escutar também é cuidar.
A Psicanálise oferece um espaço de escuta no qual a mulher pode falar sobre aquilo que muitas vezes não consegue expressar no cotidiano: seus medos, suas fantasias, suas perdas, sua relação com o corpo e as transformações provocadas pelo adoecimento.
Pela visão psicanalítica, talvez uma das formas mais importantes de cuidado seja permitir que cada mulher possa existir para além do diagnóstico, reconhecendo que seu corpo tem uma história, sua dor tem uma história e sua subjetividade merece ser escutada.
Por que o Outubro Rosa é tão importante?
Porque cuidar da mulher significa cuidar do corpo e também da subjetividade.
O INCA (Instituto Nacional de Câncer)  destaca que o Outubro Rosa é um movimento de mobilização para prevenção e detecção precoce do câncer de mama, através não só do conhecimento, mas pela maior fala da doença, levando informação as pessoas.
A informação pode reduzir medos, esclarecer dúvidas e favorecer a procura por atendimento.
Além disso, o período pode ser uma oportunidade para lembrar que:
prevenção também é uma forma de autocuidado; 
  • conhecer o próprio corpo é importante; 
  • o diagnóstico não deve ser vivido em silêncio; 
  • o sofrimento emocional merece atenção; 
  • a mulher não se resume à doença ou ao seu corpo; 
  • durante e depois do tratamento, ela continua sendo sujeito de desejos, afetos, projetos e relações. 
E existe ainda um ponto fundamental: não transformar o Outubro Rosa em uma obrigação de “ser forte” o tempo todo.
  • Uma mulher pode ter medo.
  • Pode chorar.
  • Pode sentir raiva.
  • Pode precisar de ajuda.
  • Pode sentir-se diferente depois do tratamento.
Tudo isso merece espaço de escuta e acolhimento.
Grupos de apoio e vínculos sociais também podem funcionar como importantes espaços de sustentação emocional; trabalhos fundamentados na psicanálise discutem justamente o valor desses espaços para a integração entre as experiências psíquicas e corporais durante o adoecimento.
Refletindo psicanaliticamente
Outubro Rosa não deveria falar somente sobre a doença que pode atingir a mama.
Deveria falar também sobre a mulher que existe por trás do diagnóstico. Porque, antes de ser um diagnóstico, existe uma história.
  • – Antes de ser um tratamento, existe uma mulher;
  • – Antes de ser uma mama, existe um corpo carregado de significados;
  • – E antes de qualquer doença, existe uma mulher que precisa ser escutada.
  • Cuidar das mamas é importante.
  • Cuidar da saúde é fundamental.
  • Mas cuidar da mulher por inteiro também é essencial.
O Outubro Rosa, portanto, pode ser um convite não apenas para prevenir, mas para olhar, escutar, acolher e respeitar a singularidade de cada mulher.
Neste Outubro Rosa, que possamos falar não apenas sobre a doença, mas também sobre vida, acolhimento, dignidade, autoestima, escuta e o direito de cada mulher ser cuidada em sua integralidade.
Por:   Dra. ANA CLAUDIA SEGANTINE
Ana Claudia de Laet Segantine.
É psicanalista e Mestra em Biociência. Atua principalmente nas áreas de Neurociência, TAB, TDAH, Depressão, Suicídio, Dependência Química, TAG e TEPT. Tratamento com acolhimento, informação, orientação e cuidados, sem preconceitos e julgamentos.
Formada em Apometria e Reiki.
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Dra. Ana Claudia de Laet Segantine é psicanalista e Mestra em Biociência
Escutar também é cuidar. Neste Outubro Rosa, acolher medos, respeitar sentimentos e oferecer apoio é reconhecer a mulher por inteiro, para além do diagnóstico. Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial.

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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