EXCLUSIVO: A ÚLTIMA ENTREVISTA
Na véspera de sua prisão, Roberto Jefferson conversou com a Revista Oeste.
Além de outros temas, sobre o cenário conflagrado do país e o ativismo político do Supremo Tribunal Federal
Nesta sexta-feira, 13 (de agosto), o país acordou com a notícia de que o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, fora preso mais uma vez.
https://twitter.com/marisa_lobo/status/1426510264506138625
Diferentemente da primeira temporada na
cadeia, quando cumpriu pena por envolvimento no escândalo do mensalão do PT — que ele mesmo
denunciou —, desta vez Jefferson é acusado de crime de opinião, uma aberração jurídica criada
pelo Supremo Tribunal Federal. Na quinta-feira, sem pressentir o que ocorreria no dia seguinte,
ele concedeu a Oeste sua última entrevista antes da detenção pela Polícia Federal.
Segundo o STF, este foi um dos videos que causou a prisão inconstitucional de Bobb Jeff
Exclusivo: A entrevista mais polêmica de Roberto Jefferson https://t.co/9TtI85tRki via @YouTube
— Charles Nunes (@charlesnunesam) August 14, 2021
Confira os principais trechos.
A Câmara dos Deputados teria rejeitado a emenda constitucional do voto auditável se não fosse
uma bandeira do presidente Jair Bolsonaro?
Bob Jefferson: As eleições não serão fraudadas porque vem aí o voto impresso pela dor ou pelo amor. Nesta
semana, vão manifestar-se em Brasília pessoas e grupos que apoiam o presidente. Por exemplo: o
cantor Sérgio Reis, os caminhoneiros, motociclistas, evangélicos, o agronegócio e a bancada da
bala. Não adianta o Boca de Veludo [ele se refere pejorativamente ao ministro do STF Luís
Roberto Barroso] comemorar e dizer que ‘eleição não se vence, se toma’. Toma onde? No dele, no
dele. Vamos acampar em Brasília com o movimento Xô, Urubu. O presidente soube disso nesta
quinta-feira na hora do almoço. Essa manobra do PT, com a cumplicidade do presidente da Câmara,
deputado Arthur Lira, e do chefe da Casa Civil, ministro Ciro Nogueira, antecipou a votação
para evitar a mobilização popular. Batizamos a ocupação de Xô, Urubu porque queremos a saída
dessa gente que está no STF. É preciso acabar com esse câncer que se alastra pelo Brasil
democrático. Os ministros do Supremo são nomeados, são lobistas da pior qualidade. A exceção é
o novato Kássio Nunes, sobre quem ainda não temos opinião formada. Mas os outros dez… Desde a
Bruxa de Blair, essa Carmen Lúcia, passando pela Vermelha Weber e o resto dos urubus, não
escapa um. O acampamento só vai levantar quando eles voarem, quando o presidente modificar a
composição do Supremo. Não sei se pela aposentadoria, por impeachment ou pelo Artigo 142 da
Constituição, que os substituiria por uma junta militar. Com esse Supremo, repete-se no Brasil
o que ocorreu na Venezuela.
O STF está prendendo conservadores, defraudando eleições e soltando
criminosos. Sabe por quê? É mais fácil e barato comprar 11?
E se o acampamento der em nada? Como modificar uma decisão do Congresso ou trocar ministros do
Supremo?
Bob Jefferson: Invoca-se o Artigo 142 da Constituição, que dá poder garantidor e moderador do regime
democrático ao chefe de Estado, que é também o chefe das Forças Armadas. Há um conflito aberto
entre o Judiciário e o Legislativo contra o Executivo, e é hora da intervenção constitucional,
preconizada pelo maior jurista do Brasil, o doutor Ives Gandra Martins. As Forças Armadas podem
intervir constitucionalmente quando há um conflito aberto, como agora. Os membros dessa
pocilga, desse ninho de corruptos que é o Tribunal Superior Eleitoral, representaram contra o
presidente porque ele vazou um inquérito sigiloso do TSE que apura corrupção com fraude dos
votos em 2018. Decretaram sigilo, apagaram as provas e não querem a divulgação do inquérito.
Esconderam o Janino [Giuseppe Dutra Janino, secretário de Tecnologia da Informação do TSE], que
está protegido no gabinete do Boca de Veludo. Estão tentando segurar para que a explosão não
seja maior. A perícia da Polícia Federal mostra que houve fraude em vários Estados. O
presidente mostrou isso em sua live, e eles, que vazam dados o tempo todo para tentar intimidar
o presidente, fizeram essa representação ao procurador-geral da República. Sabem que, como é
crime publicar documento sigiloso no exercício do mandato, se a Procuradoria-Geral da República
denunciar, o placar será 10 a 1 pela aceitação da denúncia no Supremo, o que significaria o
afastamento imediato do presidente do cargo. Esse é o jogo, e não podemos permitir, porque o
povo é soberano. Ninguém aguenta mais essa CPI circense montada por bandidos do Senado — são
ladrões de banco que querem processar o xerife. É risível o papel desses senadores,
especialmente o Gracejo da Gazela, o Robespierre do Amapá [refere-se a Randolfe Rodrigues].
Aquilo cheira mal, mas ninguém quer agir para não parecer uma quartelada.
O senhor tem medo de sofrer retaliações por causa das críticas feitas aos ministros do Supremo?
Bob Jefferson: Estou velho para ter medo. Já passei por tudo na vida, já estive perto de morrer, já fui preso.
Eles é que precisam temer. A arrogância que exibem depõe contra eles.
Embora não tenham atingido o número de votos suficientes, a quantidade de deputados que votou a
favor do voto auditável foi superior à que votou contra. O que isso significa?
Significa que não haverá impeachment contra o presidente. As bancadas temáticas foram de
extrema lealdade. Traidor foi o centrão, porque o centrão não tem valores, tem preço: PP, PL,
PR… Mas as bancadas evangélica, ruralista, da bala e a bancada militar ficaram fechadas com o
presidente. Eles precisam de dois terços para aprovar a licença para o impeachment e não há a
menor condição de passar. Para mim, essa foi a grande vantagem da votação.
O presidente só pode ser afastado pelo Congresso?
Bob Jefferson: Existem duas maneiras de afastar o presidente. Ou no início do processo do impeachment pelo
Senado, quando a Câmara aprova a licença, ou com o acolhimento pelo Supremo de uma denúncia de
crime feita pelo procurador-geral da República. Se o Supremo receber agora uma denúncia do
Augusto Aras segundo a qual o presidente cometeu um crime — vazar documentos sigilosos, por
exemplo —, Jair Bolsonaro está afastado automaticamente da função.
Numa entrevista recente, o senhor insinuou que Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, poderia
ser responsabilizado pela tragédia em Brumadinho. Por quê?
Bob Jefferson: O escritório dele advoga para as empresas de Brumadinho, que são condenadas a indenizações
bilionárias. Esse processo hoje está no Supremo. Por isso, ele não age. Um processo que está em
R$ 8 bilhões, que ele tem a chance de reduzir para R$ 2 bilhões, R$ 1 bilhão com essa boa
relação que mantém com os ministros, sentando em cima dos pedidos de impeachment contra eles,
que somam mais de 3 milhões de assinaturas. O Rodrigo Pacheco está buscando uma decisão
favorável à redução da indenização devida às vítimas soterradas vivas na lama, por aquelas
empresas, com suas represas feitas criminosamente em Brumadinho. Se ele reduzir de R$ 8 bilhões
para R$ 1 bilhão, qual será o honorário que o escritório dele vai ganhar? Não quero nem pensar
nisso. É dinheiro com que eu nunca sonhei na vida. Por isso ele não está lá como um presidente
do Senado, independente. Está advogando interesses particulares dos clientes dele e do
escritório milionário que tem.
Se o procurador da República aceitar fazer a denúncia e o Supremo aprovar, é nessa hora que o
presidente pode invocar o Artigo 142, como chefe das Forças Armadas?
Bob Jefferson: Não podemos deixar chegar aí. Tem duas coisas que não podemos deixar acontecer. Leio todos os
dias pela manhã os jornais da Espanha, de Portugal, da Itália… Todo dia o presidente é chamado
de genocida. Parece um concerto internacional. A mídia regular repete a mesma coisa. O que
dizem O Globo, o Estadão, a Folha é repetido nos jornais estrangeiros. Se permitirmos uma
decisão do Senado que carimbe o presidente como genocida, qualquer movimento soará golpista. Se
esperarmos uma decisão do Supremo, a partir de uma denúncia do procurador-geral, também vai
parecer golpe. Temos que nos antecipar para proteger o nosso presidente.
Num programa do jornalista Augusto Nunes, o senhor se referiu ao ministro Alexandre de Moraes,
do Supremo Tribunal Federal, como ‘marido da dona Vivi’. Quem é dona Vivi?
Bob Jefferson: É a mulher dele, doutora Viviane. É a advogada dele. É a advogada de maior sucesso em Brasília
hoje. Ela era piloto de fogão em São Paulo, cozinheira. Quando o maridão foi nomeado ministro,
ela abriu um escritório em Brasília. O curioso é que a página do escritório dela na internet
não diz que é especialista em Direito constitucional, eleitoral, cível, criminal… Não. Diz
apenas: ‘especialista em tribunais superiores’. Ela informa claramente que a especialidade é
lobby. E não há quem entre no escritório dela que gaste menos de R$ 2 milhões. É R$ 1 milhão na
entrada e R$ 1 milhão no sucesso. E ela ganha todas as causas. É hoje o escritório mais rico de
Brasília. E a dona Vivi é imperial. Foi parada para ser revistada pelo pessoal do aeroporto,
aquela segurança ali, esteira eletrônica que a gente tira sapato, tira cinto… Ela não se
submeteu. ‘Sabe com quem está falando? Eu sou dona Vivi, esposa do Xandão.’ E teve que ligar
para a Polícia Federal, ligar para o Xandão. E o Xandão ordenou ao pessoal do aeroporto que não
a revistasse. Uma advogada que era piloto de fogão em São Paulo ficou milionária com o
escritório mais lucrativo de Brasília. Depois vem o da mulher do Toffoli. Mas o primeiro mais
rico é o da mulher do Xandão. Ela é o Rui Barbosa reencarnado. É a maior jurista de Brasília.
Aliás, do Brasil.
O senhor se refere ao ministro Barroso frequentemente como Boca de Veludo. O que é isso?
Bob Jefferson: É o apelido que ele tem no Rio. Tem esse apelido desde a Universidade Estadual do Rio de
Janeiro. Ele é professor de Direito constitucional da UERJ e todo mundo o trata assim, porque é
fato notório, aqui no Rio, que ele é homoafetivo.
O senhor acredita que em 2022 haverá a chamada terceira via, ou o jogo é entre Bolsonaro e
Lula?
Bob Jefferson: O governador de São Paulo está muito desgastado. O do Rio Grande do Sul também. A senadora
Simone Tebet não tem expressão nem para ser governadora de Mato Grosso do Sul. Será Bolsonaro
versus Lula. Não há outro nome que tenha condição de surgir. A luta política de 2022 será do
bem contra o mal. Os cristãos, conservadores, de direita, que amam Deus, a pátria, a família,
que são contra o aborto, a liberação da droga, que não são a favor de ideologia de gênero, que
não são a favor do apassivamento do homem, da virilização da mulher, da erotização dos
pequeninos, esses votam no Bolsonaro. O resto, no Lula. Essa é a luta que está sendo travada. E
vamos derrotá-los.
Link original da matéria:
https://revistaoeste.com/revista/edicao-73/exclusivo-a-ultima-entrevista/
Roberto Jefferson | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil[/caption]



