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Credibilidade a prêmio

GLOBO DE OURO: PREMIAÇÃO OU PALCO DE INTERESSES?

Quando o prêmio vem na hora “certa demais”, a pergunta é inevitável: mérito… ou roteiro?

Durante décadas, o Globo de Ouro foi vendido ao público como um “termômetro artístico”, uma espécie de antecâmara do Oscar.

Mas, quanto mais perto se chega dos bastidores, mais essa aura de credibilidade começa a ruir.

E o que emerge não é apenas fumaça  é um histórico consistente de escândalos, boicotes, devolução de troféus e, agora, conflitos de interesse explícitos.

A pergunta que se impõe é direta e incômoda: até onde é possível confiar em um prêmio que parece funcionar melhor quando precisa empurrar certos nomes, discursos ou produções ao topo?

O NOVO ESCÂNDALO: QUEM CONTROLA A NARRATIVA, CONTROLA O PRÊMIO

Hoje, o Globo de Ouro está sob controle de um conglomerado poderoso.

A Dick Clark Productions e o grupo Eldridge, do bilionário Todd Boehly, não são apenas donos da premiação.

Eles também controlam os principais veículos de imprensa de entretenimento dos Estados Unidos.

Estamos falando de Variety, The Hollywood Reporter, Deadline e IndieWire.

Ou seja: quem premia também pauta, promove, silencia e molda a opinião pública.

Segundo o jornalista Matthew Belloni, ex-editor do Hollywood Reporter, a Variety estaria oferecendo a estúdios “jantares íntimos e curados” com eleitores do Globo de Ouro, mediante pagamento.

Documentos internos indicam taxas que variam de milhares de dólares para simples “consideração” até valores maiores para melhor destaque no portal oficial da premiação.

Em bom português: quem paga mais, aparece melhor.

Isso não é marketing.
Isso é compra de influência.

PAGOU, GANHOU?

O FIM DA ISONOMIA

Os valores relatados impressionam:

US$ 2.000 por filme para “consideração”

US$ 350 por episódio de série

US$ 5.000 de taxa administrativa

E um “bônus”: quem envia 14 títulos ou mais recebe tratamento privilegiado

Esse modelo destrói qualquer noção de isonomia artística.

Não vence o melhor — vence quem tem caixa, lobby e alinhamento.

Curiosamente, essa denúncia não ecoa nos grandes portais.

Quem fala são veículos menores, fora do conglomerado.

Entre os grandes, apenas o Vulture ousou tocar no assunto.

Coincidência?

UM PASSADO QUE NÃO PASSA:
RACISMO, CORRUPÇÃO E BOICOTES

Essa não é uma crise isolada.

Em 2021, o Globo de Ouro entrou em colapso público após reportagem do Los Angeles Times revelar que a então organizadora, a Hollywood Foreign Press Association, não possuía um único votante negro.

Vieram à tona também denúncias de jornalistas aceitando viagens, presentes e regalias de estúdios

 um jabá institucionalizado.

O resultado foi devastador:

  • Boicote de artistas
  • Cancelamento da transmissão pela NBC
  • Abandono público de estúdios e streamings

O GESTO QUE EXPÔS O SISTEMA

Em meio ao escândalo, um ato simbólico virou manchete mundial:
Tom Cruise devolveu três estatuetas do Globo de Ouro.

  • Não foi discurso.
  • Não foi tweet.
  • Foi um gesto concreto.

Cruise abriu mão dos prêmios conquistados por Nascido em 4 de Julho, Jerry Maguire e Magnólia.

Outros nomes de peso seguiram o boicote, escancarando a crise de legitimidade da premiação.

Quando artistas rejeitam o troféu, a pergunta é óbvia: o prêmio ainda vale alguma coisa?

REFORMA REAL OU MAQUIAGEM MORAL?

Após a dissolução da HFPA, foi criada a Golden Globe Foundation.
O número de votantes aumentou, a diversidade foi alardeada em percentuais e discursos institucionais se multiplicaram.

Mas o problema central não era apenas quem votava.

Era — e ainda é — quem controla o dinheiro, a imprensa e o acesso.

Um prêmio pode até mudar o elenco.

Mas se o roteiro continuar o mesmo, o final já está escrito.

QUANDO O PRÊMIO “PRECISA” DE UM VENCEDOR

É aqui que a pulga atrás da orelha vira desconfiança legítima.

Toda vez que o Globo de Ouro surge em um momento estratégico, impulsionando determinados nomes, discursos ou produções “convenientes”, a pergunta retorna com mais força:

Estamos diante de uma celebração artística… ou de uma engrenagem de poder cultural?

Quando o prêmio parece necessário demais para preparar o terreno de algo maior, talvez ele não esteja premiando talentos — mas cumprindo contratos invisíveis.

NO FIM, A QUESTÃO É SIMPLES
O Globo de Ouro não é apenas uma festa.

É um ativo político, cultural e econômico.

E prêmios que precisam ser defendidos o tempo todo, explicados em crises sucessivas e reformulados às pressas… geralmente já perderam aquilo que mais importa: credibilidade.

O público não é ingênuo.

E a arte, definitivamente, não deveria ser refém de bastidores tão bem pagos.

 

Por Gildo Ribeiro
Redação 7Minutos — Brasília

 

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Não vence o melhor — vence quem tem caixa, lobby e alinhamento.   Curiosamente, essa denúncia não ecoa nos grandes portais. Foto: Reuters/Mike Blake

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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