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Conteúdo Alessandra Câmara

Janeiro: como retomar as atividades físicas com consciência e constância

Início do ano concentra retorno às atividades físicas e acende alerta para sobrecarga e lesões

Com a chegada do início do ano, muitas pessoas passam a incluir ou retomar a atividade física na rotina.

Janeiro é tradicionalmente associado, em escala internacional, ao período de implementação de planos voltados à saúde, como mudanças alimentares, início de dietas e aumento expressivo da procura por academias e espaços esportivos.

Esse movimento, embora positivo, costuma ocorrer após períodos prolongados de sedentarismo ou redução do ritmo de treinos, o que exige atenção redobrada para evitar lesões musculoesqueléticas, sobrecarga da coluna e expectativas irreais de resultados rápidos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 47% dos adultos brasileiros não atingem os níveis mínimos recomendados de atividade física, cenário que contribui para o aumento da procura por exercícios de forma concentrada no início do ano.

Especialistas alertam que a retomada abrupta, sem planejamento, pode gerar efeitos contrários aos desejados, tanto do ponto de vista ortopédico quanto metabólico.

Médicos apontam que o aumento rápido da intensidade, do volume ou da frequência dos exercícios está entre os principais fatores associados a dores e lesões nesse período.

A prática sem avaliação prévia pode impactar articulações, tendões, músculos e estruturas da coluna, especialmente em pessoas com histórico de dor, sobrepeso ou alterações já existentes.

Além disso, a execução de exercícios com cargas excessivas, sem adaptação progressiva e técnica adequada, não acelera o emagrecimento nem promove ganho muscular eficiente, aumentando apenas o risco de sobrecarga e lesão.

O ortopedista e traumatologista Fabrício Cardoso Leão, do Hospital Mater Dei Goiânia, explica que, do ponto de vista ortopédico, alguns quadros aparecem com mais frequência quando a atividade física é retomada de forma acelerada.

Observamos tendinopatias, como as do joelho, calcâneo e ombro, além de lesões musculares, síndromes por sobrecarga, entorses e fraturas por estresse, afirma.

Segundo ele, também é comum a piora de problemas pré-existentes que estavam assintomáticos.

Alterações como artrose inicial, degenerações tendíneas ou lesões meniscais podem se manifestar quando a carga aumenta de forma abrupta, diz.

O médico acrescenta que a musculatura despreparada eleva o risco de quedas, torções e fraturas, inclusive em situações cotidianas.

Avaliação define o melhor caminho para o exercício

A avaliação ortopédica antes de iniciar ou retomar atividades físicas permite identificar fatores que influenciam diretamente o risco de lesão.

De acordo com Fabrício Cardoso Leão, a consulta ajuda a mapear desalinhamentos, fraquezas musculares, rigidez articular, frouxidão ligamentar e sinais de desgaste articular.

A partir disso, é possível orientar o tipo de exercício, o impacto mais adequado e a progressão da carga, explica.

Os cuidados variam conforme idade e histórico.

Entre jovens que praticam esportes de impacto, predominam lesões traumáticas e por sobrecarga, muitas vezes associadas a excesso de treino.

Em adultos que começam a correr após longos períodos sedentários, surgem com frequência processos inflamatórios articulares e fraturas por estresse. Já em idosos, a atenção se volta à presença de osteopenia, osteoporose e artrose.

Mesmo traumas leves podem resultar em fraturas, destaca.

Durante a prática esportiva, alguns sinais indicam a necessidade de interromper o treino.

Dor persistente, inchaço, limitação de movimento, perda de força, estalos acompanhados de dor, sensação de instabilidade e dor em repouso são alertas importantes,

orienta o ortopedista.

Coluna requer adaptação e fortalecimento muscular integrado

A saúde da coluna vertebral também deve ser considerada no retorno à atividade física.

A neurocirurgiã do Hospital Mater Dei Goiânia e especialista em cirurgia minimamente invasiva da coluna e dor crônica, Adriana Abrão, explica que longos períodos sentados e a falta de movimento enfraquecem estruturas fundamentais para a estabilidade do corpo.

A coluna depende do equilíbrio entre músculos, ligamentos e articulações. Sem atividade regular, essa proteção se perde, afirma.

Segundo a médica, tentar retomar o treino no mesmo ritmo de antes da pausa é um erro frequente.

Após um período sem exercício, o corpo perde adaptação à carga e ao impacto.

O retorno deve começar com redução de intensidade e volume, permitindo uma adaptação progressiva, diz.

Adriana Abrão chama atenção para sintomas que exigem avaliação especializada, como dor cervical irradiando para os braços, dor lombar com irradiação para as pernas, sensação de choque, formigamento, dormência ou perda de força.

Esses sinais podem indicar envolvimento neural e não devem ser ignorados, alerta.

Ela também destaca que pessoas que concentram atividades intensas apenas em alguns dias da semana impõem maior sobrecarga à coluna.

O cuidado começa com fortalecimento global.

Não existe fortalecimento isolado da coluna; ele depende da integração de core, membros superiores e inferiores, explica.

Para pacientes com hérnia de disco, escoliose ou desgaste articular, o exercício orientado faz parte do tratamento.

O acompanhamento multiprofissional, com integração entre ortopedia, neurocirurgia, fisioterapia, medicina do esporte e avaliação clínica, é apontado como um dos caminhos para planejar a prática esportiva de forma gradual e segura, especialmente em janeiro, período marcado pela alta adesão a

 

Por Alessandra Câmara

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Neurocirurgiã do Hospital Mater Dei Goiânia, Adriana Abrão, especialista em cirurgia minimamente invasiva da coluna e dor crônica
Ortopedista e traumatologista Fabrício Cardoso Leão, do Hospital Mater Dei Goiânia
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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