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MotoGP em Goiânia

Téo José classifica autódromo de Goiânia entre os cinco melhores do mundo e cobra MotoGP por 20 anos

Narrador goianiense, referência em automobilismo na TV brasileira, conversou com exclusividade com o correspondente do 7Minutos em Goiânia e não poupou elogios à reforma do Autódromo Internacional Ayrton Senna.

´Téo José, alertou que a cidade precisa se preparar melhor para o volume de visitantes que está prestes a receber.

 

Por Luiz Cláudio, correspondente do 7Minutos em Goiânia

Quem acompanha automobilismo na televisão brasileira há pelo menos três décadas conhece bem a voz de Téo José.

O narrador goianiense, de 62 anos, acumula mais de 200 provas da Fórmula Indy transmitidas, a maioria delas in loco, e já passou por circuitos na China, em Portugal, nos Estados Unidos e em boa parte da Europa.

Pois esse mesmo profissional, que viu de perto o que há de melhor e de pior em autódromos ao redor do mundo, olhou para o que foi feito em sua cidade natal e não teve dúvida.

Olhando o geral, eu diria que a gente está entre os cinco melhores,

disse ao 7Minutos, referindo-se ao Autódromo Internacional Ayrton Senna após a reforma que preparou o espaço para receber a etapa brasileira do MotoGP, entre os dias 20 e 22 de março.

A comparação que Téo faz é reveladora. Ele conta que assistiu de madrugada à corrida da Fórmula 1 na China e reconhece que o circuito chinês é luxuoso, com arquibancada e cobertura de primeiro nível.

Mas falta algo que Goiânia oferece naturalmente.

Se a gente sentar em qualquer arquibancada do autódromo, qualquer uma, você vai ter uma visão de pelo menos 75% da pista.

E em volta, você tem morro, você tem verde. Isso nenhum autódromo tem, descreve.

O MotoGP, que ele define como “o segundo maior evento de velocidade do mundo, disparado”, só perde para a Fórmula 1 em escala global, e a expectativa é de que 200 mil pessoas passem por Goiânia durante o fim de semana da corrida, com cerca de 75 mil ocupando o autódromo entre público geral, camarotes, organização e patrocinadores.

O investimento para chegar a esse patamar foi pesado.

Fontes extraoficiais estimam que a reforma do autódromo e os custos para viabilizar a vinda do MotoGP ficaram na faixa de R$ 300 a R$ 350 milhões.

Téo José detalha o que encontrou antes e o que existe agora, e a diferença é brutal.

O autódromo não tinha rede de saneamento; quando havia evento grande, a saída era contratar caminhões-fossa.

Energia elétrica para uma operação de grande porte também não existia; tudo dependia de geradores alugados.

Hoje, o complexo tem infraestrutura sanitária completa, rede elétrica própria e uma estação de energia solar que o narrador garante não ter visto em nenhum outro autódromo da América do Sul.

Fibra óptica percorre toda a extensão da pista, a sinalização passou a ser eletrônica e o circuito interno de TV para direção de prova já está operacional.

As pessoas não têm ideia. Quem for vai olhar e falar: caraca, os caras fizeram isso. Ficou um negócio absurdo. Absurdo. A Argentina, então, que lute.

Na prática, essa infraestrutura muda o jogo para qualquer promotor que queira trazer um evento a Goiânia daqui para frente.

Téo explica a conta.

Antes, quem organizava uma corrida na cidade precisava montar camarote do zero, levar equipamento médico, contratar equipe de televisão com cabos e toda a aparelhagem.

Hoje o promotor chega aqui em Goiânia, de qualquer categoria, e não vai se preocupar mais com nada disso. Está tudo aí.

A gente facilitou tudo.

As equipes de TV, que segundo ele cobravam cerca de R$ 150 mil para estruturar uma transmissão, agora podem baixar o preço, porque os cabos já estão passados.

Eles só vão chegar lá e colocar as câmeras.

E para quem questiona a viabilidade econômica do espaço, o narrador é categórico: mesmo antes da reforma, o autódromo já gerava receita com eventos semanais.

Não vem com essa história que é elefante branco.

Porque não é.

O autódromo dá lucro.

Vai ficar mais caro manter?

Vai. Se você está em uma casa mais luxuosa, a manutenção é mais cara. Mas vai continuar dando lucro, porque ele também vai valer mais.

Se o autódromo impressiona, a preparação da cidade nem tanto, na visão de Téo José.

Ele conta que caminhou da região da Rua 148 até a concessionária Ducati, pela Avenida D, e encontrou lixo acumulado na frente de casas e estabelecimentos comerciais.

Eu acho que jogaram muito nas costas do governo, tanto municipal quanto estadual.

Quando você vai fazer um grande evento na tua casa, você faz uma reforminha, compara.

Para ele, Goiânia ainda não dimensionou o que está por vir.

A cidade não sabe o tamanho desse evento. Ela vai ter ideia do tamanho a partir de quarta-feira à tarde, prevê.

Um dado que ele cita dá a medida do fluxo: as locadoras de veículos da capital receberam mais de 4 mil carros extras só nesta semana.

O narrador, no entanto, enxerga o MotoGP como porta de entrada para algo maior.

Segundo ele, já existem conversas para trazer a Fórmula Indy ao autódromo goiano.

A Fórmula Indy está tentando abrir as fronteiras de novo, o mercado americano está meio que saturado, conta.

Há também o que chama de “namoro” com a Nascar.

A Nascar é o bicho.

Não tem piloto brasileiro, é uma categoria totalmente norte-americana, mas tem um público monstruoso e é um evento lindíssimo.

A estratégia dessas categorias, segundo Téo, não passa por faturar com bilheteria no Brasil; o objetivo é expandir a presença de patrocinadores e vender merchandising na América do Sul, no mesmo modelo que a NFL vem adotando.

E ele vai além: sugere que o espaço pode receber até um torneio aberto de tênis de grande porte.

A gente não tem que pensar nele só em termos de corrida de carro e de moto. A gente está ganhando uma praça de esportes top.

 

Eu, sinceramente, não esperava de nenhum governo a agressividade que foi a reforma no Autódromo Internacional. Espero que o Serra Dourada siga da mesma forma.

O contrato assinado em dezembro de 2024 entre o Governo de Goiás, a Dorna Sports e a Brasil Motorsport assegura cinco temporadas do MotoGP em Goiânia.

Para Téo José, é pouco.

A gente não pode ter feito tudo o que a gente fez só por cinco anos.

A MotoGP tem que ficar aqui pelo menos uns 20 anos, sabe?

Porque a cidade vai sentir. A cidade vai sentir o que isso vai trazer, defende.

Ele observa que a Argentina está reformando o Autódromo de Buenos Aires e que, no futuro, a abertura da temporada sul-americana pode alternar entre as duas cidades, barateando a operação para a Dorna e fortalecendo a posição de Goiânia na renovação do contrato

Eu já estou pensando no contrato, admite.

Fora das pistas, a cidade já respira motovelocidade.

O Point Ducati, espaço temático inaugurado pelo Grupo Ramasa na concessionária da marca, na Avenida T-1, recebe o público com transmissão ao vivo dos treinos e corridas, boutique de produtos oficiais e área de convivência.

A montadora italiana, em ano de centenário, desembarca em Goiânia com Francesco Bagnaia e Marc Márquez em sua equipe oficial. Para quem ficou sem ingresso, telões em cinco parques da cidade vão transmitir as corridas ao vivo, e o Fan Fest no Estádio Serra Dourada terá shows de Pedro Sampaio, Matuê, Paralamas do Sucesso e Capital Inicial, com programação que avança pela madrugada.

Téo sabe que o trânsito vai travar, que o deslocamento será difícil e que os transtornos são inevitáveis quando se coloca centenas de milhares de pessoas numa mesma região.

Não finge que será diferente.

É normal em grande evento. É assim em São Paulo, lá no Interlagos. Era assim quando a Fórmula 1 estava em Jacarepaguá, compara.

Ele esteve recentemente em Portimão, em Portugal, cobrindo um evento de motovelocidade, e lá também se caminha muito.

Mas anda feliz, porque é tudo bonito. É tudo organizado.

A entrevista acabou rápida, porque o Uber já esperava na porta.

Mas antes de ir, Téo deixou uma última frase, com a voz de quem nasceu naquela cidade e sabe o peso do que está acontecendo:

Eu estou muito, muito feliz mesmo de ter esse evento aqui.

 

A gente não pode ter feito tudo o que a gente fez só por cinco anos.

 A MotoGP tem que ficar aqui pelo menos uns 20 anos, sabe? Porque a cidade vai sentir o que isso vai trazer.”

 

Por Luiz Cláudio, correspondente do 7Minutos em Goiânia.

 

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O narrador goianiense, de 62 anos, acumula mais de 200 provas da Fórmula Indy transmitidas, a maioria delas in loco, e já passou por circuitos na China, em Portugal, nos Estados Unidos e em boa parte da Europa.
´Téo José, alertou que a cidade precisa se preparar melhor para o volume de visitantes que está prestes a receber.
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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