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Conteúdo: Dra Ana Claudia Segantine

O Dia das Mães na visão da Psicanálise: o amor que molda a alma humana

Mais do que flores e homenagens: a mãe como primeiro universo emocional de um filho

Existe algo no olhar de uma mãe que atravessa décadas.
Uma presença.
Um silêncio que acolhe.

Um abraço que, muitas vezes, continua existindo mesmo depois da ausência.

O Dia das Mães costuma ser celebrado com flores, mensagens emocionadas e reuniões familiares.

Mas por trás das homenagens existe uma verdade profunda que a psicanálise estuda há mais de um século:

  • a mãe é uma das figuras mais decisivas na construção emocional, psicológica e afetiva do ser humano.

E é justamente sobre essa dimensão pouco discutida da maternidade que a psicanalista e Mestra em Biociência, Dra. Ana Claudia Segantine, lança um olhar sensível, técnico e profundamente humano.

A mãe é o primeiro mundo que uma criança conhece

Segundo a psicanálise, o vínculo entre mãe e filho não começa apenas após o nascimento.

Ele começa no afeto, na proteção, no toque, na voz e na sensação de segurança que a criança passa a reconhecer como “vida”.

O criador da psicanálise, Sigmund Freud, defendia que os primeiros anos de vida são determinantes para a formação emocional do indivíduo.

É nesse período que a criança aprende, ainda sem palavras, o que é amor, ausência, cuidado, medo e pertencimento.

A chamada “fase oral”, descrita por Freud, representa justamente o estágio em que o bebê depende totalmente da mãe para sobreviver.

Alimentação, aconchego e proteção se tornam experiências que deixam marcas profundas na estrutura psíquica da criança.

Na prática, isso significa que o modo como uma mãe acolhe emocionalmente seu filho pode influenciar diretamente:

  • a autoestima da criança;
  • sua capacidade de amar;
  • sua segurança emocional;
  • sua relação com o mundo;
  • e até mesmo a forma como enfrentará dores e frustrações na vida adulta.

A mãe não cria apenas filhos. Ela ajuda a formar identidades.

A Dra. Ana Claudia destaca que a mãe exerce papéis centrais na formação emocional do indivíduo.

Ela é:

  • o primeiro objeto de amor;
  • a principal referência afetiva inicial;
  • o espelho emocional da criança;
  • e também a base das futuras relações interpessoais.

Em outras palavras: antes de a criança aprender matemática, política ou religião, ela aprende sentimentos.

E aprende observando como é tratada.

A maneira como uma mãe responde ao medo, ao choro, à raiva e à insegurança do filho pode moldar profundamente a forma como esse ser humano lidará com emoções no futuro.

A “mãe suficientemente boa”: a teoria que revolucionou a psicologia infantil

Um dos conceitos mais conhecidos da psicanálise moderna foi desenvolvido por Donald Winnicott.

  • Ele criou a expressão “mãe suficientemente boa”.

E não.

  • Isso não significa uma mãe perfeita.

 

Pelo contrário.

  • Winnicott defendia que a criança não precisa de perfeição. Precisa de presença emocional verdadeira.

 

A chamada “mãe suficientemente boa” é aquela que:

  • acolhe;
  • protege;
  • sustenta emocionalmente;

mas também permite, aos poucos, que a criança aprenda a lidar com frustrações e desenvolva independência.

Segundo a teoria apresentada pela Dra. Ana Claudia, Winnicott descreve ainda conceitos fundamentais como:

  • holding — sustentação emocional e física;
  • handling — cuidado, toque e manejo afetivo;
  • habiente facilitador — espaço seguro para o desenvolvimento saudável da criança.

O amor materno também possui conflitos

A psicanálise não romantiza completamente a maternidade.

Ela reconhece que o vínculo entre mãe e filho também pode carregar medos, culpas, ausências e dores emocionais.

A psicanalista Melanie Klein mostrou que o bebê inicialmente divide a mãe entre a figura “boa” e “má”, dependendo da experiência emocional vivida naquele momento.

  • Quando é alimentado e acolhido, percebe amor.
  • Quando sente frustração ou ausência, experimenta angústia.
  • Essas experiências iniciais ajudam a construir o psiquismo humano.

Com o passar do tempo, a criança amadurece emocionalmente e compreende que a mãe é uma figura completa  capaz de amar, falhar, cuidar e também errar.

E talvez esteja aí uma das reflexões mais profundas do Dia das Mães:

  • mães não são máquinas emocionais.
  • São seres humanos tentando sustentar vidas enquanto também enfrentam suas próprias dores.
  • Quando a ausência materna deixa marcas invisíveis

A análise da Dra. Ana Claudia também aborda um tema delicado:

  • os impactos da ausência materna.

Segundo a psicanálise, a falta física ou emocional da mãe pode gerar:

  • sensação de abandono;
  • insegurança profunda;
  • dificuldade de criar vínculos;
  • medo da rejeição;
  • dependência emocional;
  • sentimento de não pertencimento.

O psicanalista André Green criou inclusive o conceito da “mãe morta”  não necessariamente uma mãe falecida, mas emocionalmente ausente, desconectada afetivamente do filho.

  • São temas fortes.
  • Mas necessários.

Porque compreender as feridas emocionais também é parte do processo de cura.

O Dia das Mães talvez seja sobre algo maior

  • Talvez o verdadeiro significado do Dia das Mães não esteja apenas em presentes ou frases prontas.
  • Talvez esteja no reconhecimento silencioso de que muitas mães sustentaram famílias inteiras enquanto escondiam suas próprias dores.
  • Talvez esteja na coragem de mulheres que criaram filhos sozinhas.
  • Nas mães adotivas.
  • Nas avós que se tornaram mães novamente.
  • Nas mulheres que acolheram filhos do coração.
  • E até nas mães imperfeitas — porque a psicanálise ensina justamente que perfeição nunca foi o objetivo.
  • O que transforma uma vida é o vínculo.

Quem é a Dra. Ana Claudia Segantine

A autora da reflexão, Dra. Ana Claudia de Laet Segantine, é psicanalista e Mestra em Biociência, atuando nas áreas de Neurociência, depressão, TDAH, TAG, TEPT, dependência química e saúde emocional.

Seu trabalho é marcado pelo acolhimento, orientação e cuidado humanizado.
Redes sociais

TikTok: ANA CLAUDIA DE LAET SEGANTINE

Instagram@anaclaudiadelaetsegantine

Contato profissional

Telefone: (62) 98244-0724

Porque compreender a mente humana talvez seja também compreender o amor que primeiro nos ensinou a existir.

O vínculo invisível da maternidade

O primeiro amor que molda a alma

Abraço acolhedor em meio à memória

Mãe: o primeiro amor que forma vida

 

 

Por Gildo Ribeiro
Editoria de Qualidade Familiar  Redação Portal 7Minutos — Especial Dia das Mães

 

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Mãe: o primeiro amor que forma vida
Abraço acolhedor em meio à memória
Ana Claudia de Laet Segantine é psicanalista e Mestra em Biociência.
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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