Obesidade Infantil:
Uma doença que vai além da alimentação e exige atenção urgente das famílias
Dia 03 de junho alerta para uma das maiores ameaças à saúde das crianças brasileiras
O Dia da Conscientização Contra a Obesidade Infantil, celebrado em 03 de junho, chama a atenção para um dos mais graves desafios da saúde pública mundial.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade já atingiu níveis alarmantes e afeta milhões de crianças em todo o planeta.
Dados internacionais apontam que aproximadamente 224 milhões de crianças convivem com o problema.
No Brasil, o cenário também preocupa. Informações do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde revelam que 12,9% das crianças entre 5 e 9 anos apresentam obesidade. Entre adolescentes de 12 a 17 anos, o índice chega a 7%.
Mais do que uma questão estética, especialistas alertam que a obesidade infantil é uma doença crônica que pode comprometer seriamente a saúde física e emocional da criança ao longo de toda a vida.
O que está por trás do excesso de peso?
A alimentação não pode ser analisada apenas pela quantidade de calorias consumidas. Cada vez mais estudos demonstram que fatores emocionais desempenham papel fundamental no desenvolvimento da obesidade infantil.
Para muitas crianças, a comida torna-se uma forma de lidar com sentimentos difíceis, como ansiedade, tristeza, solidão, frustração, estresse ou insegurança.
Quando isso acontece, o alimento deixa de cumprir apenas sua função nutricional e passa a representar conforto emocional.
A sensação temporária de prazer proporcionada pela alimentação pode criar um ciclo perigoso. A criança encontra alívio momentâneo ao comer, mas a causa do sofrimento permanece. Com o tempo, esse comportamento tende a se repetir, contribuindo para o ganho de peso e agravando o problema.
A visão da psicanálise
A psicanalista e Mestra em Biociência, Dra. Ana Claudia de Laet Segantine, destaca que a obesidade infantil deve ser compreendida de forma ampla, considerando aspectos emocionais, familiares e psicológicos.
Segundo a especialista, a psicanálise entende a obesidade não apenas como um desequilíbrio alimentar, mas também como um possível sintoma emocional.
Em muitos casos, o comer excessivo surge como uma tentativa inconsciente de preencher vazios emocionais, aliviar angústias ou lidar com sentimentos que a criança ainda não consegue expressar através das palavras.
Não se trata apenas do que a criança come, mas de como, quando e por que ela come.
É preciso compreender o significado emocional que a alimentação possui em sua vida, explica a especialista.
Consequências que vão além da balança
Os impactos da obesidade infantil ultrapassam os riscos físicos.
Crianças e adolescentes com excesso de peso frequentemente enfrentam situações de bullying, exclusão social e comentários negativos relacionados à aparência.
Essas experiências podem provocar baixa autoestima, insegurança e sofrimento emocional, criando um círculo vicioso difícil de romper.
A criança sofre com sua imagem, busca conforto na alimentação, ganha mais peso e, consequentemente, enfrenta novos episódios de preconceito e isolamento.
Sem acompanhamento adequado, o problema pode evoluir para transtornos alimentares, ansiedade, depressão e outras complicações emocionais.
O papel da família é decisivo
Especialistas ressaltam que o tratamento da obesidade infantil precisa envolver toda a família.
Pais e responsáveis desempenham papel fundamental na construção de hábitos saudáveis, no acolhimento emocional e no desenvolvimento da autoestima da criança.
Diversos teóricos da psicanálise, como Sigmund Freud, Anna Freud, Melanie Klein, Françoise Dolto, Jacques Lacan e Maud Mannoni, já destacavam a importância da participação dos pais no processo terapêutico infantil.
Por isso, o acompanhamento psicológico e a orientação parental tornam-se ferramentas essenciais para o sucesso do tratamento.
Prevenção começa dentro de casa
A prevenção da obesidade infantil passa por mudanças simples, mas consistentes:
- Incentivar o consumo de frutas, legumes e verduras;
- Reduzir alimentos ultraprocessados;
- Estimular atividades físicas e esportivas desde cedo;
- Limitar o tempo excessivo em telas;
- Promover momentos de convivência familiar;
- Desenvolver diálogo aberto sobre emoções e sentimentos.
Além de combater a obesidade, essas medidas ajudam a prevenir doenças como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e diversos tipos de câncer.
Também contribuem para o fortalecimento da autoestima, do bem-estar emocional e da qualidade de vida das crianças.
- Procure ajuda profissional
- Reconhecer os sinais precocemente pode fazer toda a diferença.
A obesidade infantil não deve ser encarada como falta de disciplina ou simples excesso alimentar. Trata-se de uma condição complexa que exige acolhimento, compreensão e acompanhamento especializado.
Quando família, profissionais de saúde e escola trabalham juntos, é possível interromper o ciclo da obesidade e oferecer à criança a oportunidade de crescer com mais saúde, segurança emocional e qualidade de vida.
Sobre a especialista
Dra. Ana Claudia de Laet Segantine é psicanalista e Mestra em Biociência.
Atua principalmente nas áreas de Neurociência, Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), TDAH, Depressão, Dependência Química, Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e prevenção ao suicídio.
Atualmente tambem é colaboradora do Portal 7Minutos na Editoria de saúde.
Seu trabalho é pautado no acolhimento, na informação e no cuidado humanizado, livre de preconceitos e julgamentos.
Instagram: @anaclaudiadelaetsegantine
TikTok: Ana Claudia de Laet Segantine
WhatsApp: (62) 98244-0724
Cuidar da saúde emocional das crianças hoje é construir adultos mais saudáveis amanhã.
Por Gildo Ribeiro
Editoria de Saúde de nossas Crianças
Redação Portal 7Minutos — Goiânia
O Portal 7Minutos deseja a todos um bom dia pic.twitter.com/76cDh70cEI
— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) December 15, 2025
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