uma 'brutal guerra judicial'
Nova ordem de prisão contra Evo Morales amplia crise política e judicial na Bolívia
Ex-presidente passa a responder por acusações de terrorismo e levante armado enquanto afirma ser vítima de perseguição política em meio à grave crise do país.
A crise política da Bolívia ganhou um novo capítulo com a emissão de mais uma ordem de prisão contra o ex-presidente Evo Morales. O Ministério Público boliviano determinou sua detenção sob acusações consideradas entre as mais graves da legislação do país, incluindo terrorismo, levante armado contra a segurança do Estado, associação criminosa e outros delitos relacionados aos protestos que bloquearam rodovias durante mais de 50 dias entre maio e junho deste ano.
A investigação sustenta que Morales teria incentivado ou participado da organização das manifestações que praticamente paralisaram a Bolívia. Os bloqueios provocaram desabastecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos em diversas cidades, afetando milhões de bolivianos. Segundo dados apresentados pelas autoridades, os confrontos e os impactos da crise deixaram 22 mortos, dezenas de feridos e centenas de presos.
Acusações extremamente graves
Entre os crimes atribuídos ao ex-presidente estão:
Terrorismo;
Levante armado contra a segurança e soberania do Estado;
Atentado contra os meios de transporte;
Associação criminosa;
Instigação pública ao crime;
Atentado contra serviços públicos.
Pela legislação boliviana, apenas os crimes de terrorismo e levante armado podem resultar, somados, em penas que chegam a dezenas de anos de prisão, caso haja condenação.
Evo Morales nega tudo
Morales rejeita integralmente as acusações.
Em manifestações públicas e nas redes sociais, o ex-presidente afirma que a investigação representa uma tentativa do governo de desviar a atenção da crise econômica enfrentada pela Bolívia.
Segundo ele, as mobilizações populares seriam uma resposta legítima ao aumento das dificuldades econômicas, à inflação e à escassez de combustíveis.
Em uma de suas declarações, afirmou que “não vão nos intimidar”, prometendo continuar ao lado de seus apoiadores e classificando os processos judiciais como parte de uma perseguição política.
Governo rebate acusações
O governo do presidente Rodrigo Paz rejeita a versão apresentada por Morales.
A posição oficial sustenta que a ordem de prisão foi determinada pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário, e não pelo Executivo, defendendo que a Justiça deve apurar eventual responsabilidade pelos prejuízos causados durante os bloqueios nacionais.
Outro processo já está em andamento
Esta não é a única frente judicial enfrentada por Morales.
Desde 2024 existe outra ordem de prisão relacionada a um processo que investiga suposto tráfico de pessoas envolvendo uma menor de idade. O ex-presidente também nega essas acusações e afirma que o caso integra uma estratégia para afastá-lo da vida política boliviana.
Um país profundamente dividido
O novo processo evidencia o grau de polarização vivido pela Bolívia.
De um lado, autoridades afirmam que os responsáveis pelos bloqueios devem responder pelos prejuízos humanos e econômicos provocados durante semanas de paralisação nacional.
Do outro, Morales e seus apoiadores sustentam que as ações judiciais representam uma tentativa de neutralizar a principal liderança da oposição em meio à pior crise econômica enfrentada pelo país em décadas.
Independentemente do desfecho judicial, a nova ordem de prisão reforça que a disputa política boliviana continua longe de um consenso e poderá influenciar significativamente o cenário institucional do país nos próximos meses.
Por Gildo Ribeiro
Editoria de Política Internacional
Redação Portal 7Minutos — Brasília
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— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) December 15, 2025
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