Estilo : Família» Estilo

Feliz Dia dos Pais.

DIA DOS PAIS — UM DIA PARA ABRAÇAR, AGRADECER… E SENTIR SAUDADE

Há homens que passam pela nossa vida. E há um homem que, mesmo depois de partir, continua vivendo em nossos gestos, nas nossas escolhas e até na maneira como olhamos para o mundo: NOSSO PAI

Neste domingo, o Brasil acorda diferente.

Em muitas casas haverá almoço especial, telefone tocando cedo, crianças correndo com presentes nas mãos, abraços demorados e aquela tradicional pergunta:

— Pai, o senhor gostou?

E provavelmente ele responderá que sim.

Porque pai tem dessas coisas. Às vezes recebe uma camisa que não escolheria, um perfume diferente daquele que costuma usar ou uma lembrancinha feita às pressas — e ainda assim olha para aquilo como se tivesse recebido um tesouro.

Na verdade, talvez tenha recebido.

Porque o presente nunca foi apenas o objeto.

Era o filho lembrando dele.

E, para um pai, poucas coisas têm tanto valor.

O HOMEM QUE NEM SEMPRE DISSE “EU TE AMO”

Durante muito tempo, muitos pais foram educados para esconder sentimentos.

Homem não chorava.

Homem precisava ser forte.

Homem tinha que trabalhar, sustentar a casa, resolver problemas e seguir adiante.

Por isso, milhares de filhos cresceram com pais que raramente pronunciavam as três palavras que todos gostariam de ouvir:

“Eu te amo.”

Mas diziam de outras maneiras.

Diziam quando acordavam cedo para trabalhar.

Quando perguntavam se o filho havia chegado bem.

Quando deixavam dinheiro escondido sobre a mesa.

Quando ensinavam a andar de bicicleta e corriam atrás segurando o banco.

Quando esperavam acordados até ouvirem o barulho da chave na porta.

Quando reclamavam:

— Leva um casaco!

E o filho respondia:

— Pai, não está frio!

Anos depois entendemos.

Aquilo também significava:

“Eu te amo.”

UM DIA O SUPER-HERÓI ENVELHECE

Talvez exista um momento silencioso e difícil na vida de todo filho.

É quando percebemos que nosso pai envelheceu.

Aquele homem que parecia capaz de carregar qualquer peso começa a andar um pouco mais devagar.

Os cabelos mudam de cor.

As mãos ficam marcadas pelo tempo.

A memória às vezes falha.

A voz pode perder um pouco da força.

E então acontece algo curioso:

os papéis começam lentamente a se inverter.

O homem que segurava nossa mão para atravessar a rua talvez precise que seguremos a dele.

Aquele que nos levou ao médico talvez precise que agora o acompanhemos.

Quem perguntava se havíamos comido passa a ouvir:

— Pai, o senhor já almoçou?

É a vida completando silenciosamente um círculo.

Por isso, se seu pai ainda está aqui, talvez o maior presente deste Dia dos Pais não esteja dentro de uma caixa.

Talvez seja simplesmente tempo.

Sente perto dele.

Escute novamente aquela história que você já ouviu vinte vezes.

Pergunte sobre sua juventude.

Pergunte sobre seus sonhos.

Pergunte sobre seus medos.

Pergunte como ele conheceu sua mãe.

Pergunte como foi o dia em que você nasceu.

Porque chegará um tempo em que você daria qualquer coisa para ouvir aquela mesma história pela vigésima primeira vez.

PARA QUEM HOJE TEM UMA CADEIRA VAZIA

Mas existe outro Dia dos Pais acontecendo neste domingo.

Um Dia dos Pais silencioso.

É o daqueles que entram nas redes sociais, veem fotografias de famílias reunidas e sentem uma pequena pontada no peito.

Porque o pai já não está aqui.

Para essas pessoas, talvez não exista presente.

Não exista telefonema.

Não exista abraço.

Existe memória.

E a memória tem uma característica extraordinária: ela consegue trazer alguém de volta por alguns segundos.

Basta uma música.

Um cheiro.

Uma fotografia antiga.

Uma ferramenta guardada.

Um relógio.

Uma expressão que ele costumava usar.

Uma comida.

De repente, aquele homem está novamente dentro da casa.

E talvez a maior descoberta depois que perdemos um pai seja perceber que ele não desaparece completamente.

Ele continua em nós.

Na maneira como seguramos um volante.

Na forma como tratamos nossos filhos.

Em alguma palavra que repetimos sem perceber.

Na maneira de trabalhar.

Em determinado gesto.

Até naquela velha mania que jurávamos nunca copiar.

Um dia alguém observa e diz:

— Você está ficando igualzinho ao seu pai.

Talvez esse seja um dos maiores elogios que o tempo pode nos oferecer.

QUANDO O FILHO SE TORNA PAI

Existe ainda uma transformação maravilhosa.

Um menino cresce.

Torna-se homem.

E um dia segura seu próprio filho nos braços.

Nesse instante começa a compreender coisas que durante décadas não compreendeu.

Entende por que seu pai se preocupava tanto.

Entende os “nãos”.

Entende as broncas.

Entende as noites sem dormir.

Entende o medo escondido atrás da autoridade.

Entende até alguns erros.

Porque ser pai não significa possuir todas as respostas.

Pai também sente medo.

Pai também erra.

Pai também improvisa.

Pai também se pergunta, em silêncio:

“Será que estou fazendo certo?”

Talvez nossos pais tenham feito essa pergunta muito mais vezes do que imaginamos.

PATERNIDADE NÃO É PERFEIÇÃO

É importante também reconhecer que nem toda história entre pai e filho é simples.

Existem ausências.

Existem mágoas.

Existem famílias reconstruídas.

Existem padrastos que se tornaram verdadeiros pais.

Existem avôs que assumiram filhos novamente quando passaram a criar netos.

Existem tios, irmãos e homens que decidiram ocupar, com responsabilidade e amor, um espaço que estava vazio.

Porque gerar uma vida é algo extraordinário.

Mas participar dela todos os dias é uma escolha.

Paternidade também é presença.

É responsabilidade.

É exemplo.

É proteção sem aprisionamento.

É ensinar sem impedir que o filho descubra seu próprio caminho.

E talvez seja justamente isso que torne essa missão tão difícil.

Criamos filhos para que um dia eles não precisem mais de nossas mãos.

Embora, no fundo, continuemos querendo segurá-las.

O PRESENTE QUE NÃO PODE ESPERAR

Neste Dia dos Pais, antes do almoço, da fotografia, do presente ou da postagem nas redes sociais, faça algo muito simples.

Olhe para seu pai.

Olhe de verdade.

Talvez ele esteja mais velho do que você percebeu.

Talvez você também esteja.

E diga aquilo que tantas famílias deixam para depois.

Obrigado.

Obrigado pelas vezes em que acertou.

Obrigado pelas vezes em que tentou.

Obrigado pelo trabalho.

Obrigado pelas preocupações que eu só compreendi depois.

Obrigado pelos ensinamentos.

Obrigado por estar aqui.

E, se houver amor, diga.

Não tenha vergonha.

“Pai, eu te amo.”

São apenas quatro palavras.

Mas existe uma diferença gigantesca entre pensar essas palavras e permitir que alguém as escute.

PARA OS PAIS QUE JÁ PARTIRAM

E se o seu pai não estiver mais aqui, talvez você possa fechar os olhos por alguns segundos neste domingo.

Lembrar do rosto.

Da voz.

Do sorriso.

E dizer também:

“Feliz Dia dos Pais, pai. Onde quer que você esteja, obrigado.”

Talvez não exista resposta.

Mas existe algo que nem a morte conseguiu levar:

a história que vocês viveram juntos.

No final, descobrimos que nossos pais não ficam eternos porque viveram para sempre.

Eles ficam eternos porque deixaram alguma coisa deles dentro de nós.

E enquanto um filho contar uma história sobre seu pai…

enquanto repetir um conselho…

enquanto ensinar ao neto aquilo que aprendeu com ele…

enquanto abrir um álbum antigo e sorrir…

aquele homem continuará, de alguma maneira, sentado à mesa da família.

Neste domingo, o 7Minutos presta sua homenagem aos pais presentes, aos pais distantes, aos pais de coração, aos homens que estão aprendendo a ser pais e, especialmente, àqueles que hoje vivem apenas na fotografia e na saudade.

Porque há abraços que terminam.

Há vozes que silenciam.

Há cadeiras que ficam vazias.

Mas existem amores que simplesmente se recusam a ir embora.

Feliz Dia dos Pais.

Por Gildo Ribeiro
Editoria de Comportamento
Redação Portal 7Minutos — Brasília

 

Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal 7MINUTOS e fique por dentro das principais notícias de ANÁPOLIS, do BRASIL e do MUNDO siga aqui.

 

Siga o ‘ 7Minutos’ nas redes sociais

X (ex-Twitter)
Instagram
Facebook
Truth Social  

Tributo ao Pai ao Pôr do Sol
  • Fonte da informação:
  • Leia na fonte original da informação
  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

    Artigos relacionados

    Botão Voltar ao topo