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Alerta na América do Sul:

Um novo terremoto de magnitude 7,2 sacode o Peru e sequência de grandes abalos volta a colocar o continente sob atenção.

Forte tremor atingiu Ayacucho nesta quinta-feira (20), poucos dias depois do devastador terremoto na Colômbia; sequência impressiona, mas especialistas não podem afirmar que os eventos anunciem um grande terremoto no Brasil

A terra voltou a tremer com força na América do Sul.

Na tarde desta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, um poderoso terremoto atingiu o sul do Peru, acrescentando mais um grande evento sísmico a um período que vem chamando a atenção no continente.

Segundo o Instituto Geofísico do Peru (IGP), o terremoto atingiu magnitude 7,2 e ocorreu às 13h00min16s, no horário local — 15h00min16s em Brasília.

O epicentro foi localizado 35 quilômetros ao norte de Coracora, na província de Parinacochas, região de Ayacucho.

A profundidade calculada pelo instituto peruano foi de 108 quilômetros.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos apresentou uma medição diferente, calculando magnitude 6,7, profundidade aproximada de 66 quilômetros e epicentro nas proximidades de Upahuacho.

Diferenças desse tipo podem acontecer porque instituições sismológicas utilizam redes de estações, modelos e metodologias diferentes para determinar os parâmetros de um terremoto.

TREMOR FOI SENTIDO A GRANDE DISTÂNCIA

O terremoto foi percebido em diversas áreas do Peru.

Há relatos de que o movimento chegou a ser sentido em Lima e também em regiões da Bolívia e do Chile. Em Coracora, o IGP classificou os efeitos percebidos entre os níveis III e IV de intensidade.

Até as informações disponíveis no fim da tarde desta quinta-feira, não havia confirmação de mortos ou feridos em consequência do terremoto.

Autoridades continuavam verificando possíveis danos.

Relatos locais apontaram desprendimentos de rochas e algumas avarias em residências, mas as primeiras avaliações das autoridades não indicavam danos generalizados à infraestrutura pública.

Outra informação importante: não foi emitido alerta de tsunami. A Marinha do Peru descartou ameaça de tsunami relacionada ao terremoto.

 

E O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A AMÉRICA DO SUL?

É exatamente aqui que o episódio merece atenção.

O terremoto peruano acontece apenas dez dias depois de um terremoto de magnitude 7,4 atingir o oeste da Colômbia, em 10 de agosto.

O desastre colombiano atingiu duramente regiões como Chocó, Cali e Pereira, deixando centenas de mortos, milhares de feridos e enormes prejuízos materiais.

Estimativas divulgadas nos últimos dias apontaram perdas econômicas preliminares próximas de US$ 9,6 bilhões.

Dois grandes terremotos no continente em intervalo tão pequeno inevitavelmente provocam uma pergunta:

há alguma coisa diferente acontecendo debaixo da América do Sul?

A resposta científica exige cautela.

A PLACA SUL-AMERICANA ESTÁ EM MOVIMENTO — COMO SEMPRE ESTEVE

O continente sul-americano está assentado principalmente sobre a Placa Sul-Americana.

No lado do Pacífico ocorre uma das interações tectônicas mais importantes do planeta.

A Placa de Nazca mergulha sob a Placa Sul-Americana, acumulando enormes quantidades de tensão geológica.

Esse processo está diretamente relacionado à formação dos Andes e à elevada ocorrência de terremotos e atividade vulcânica ao longo da margem oeste do continente.

Por isso países como Chile, Peru, Equador e partes da Colômbia convivem historicamente com terremotos de grande magnitude.

O Peru encontra-se no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma extensa região do planeta caracterizada por intensa atividade sísmica e vulcânica.

E O BRASIL? ESTAMOS NESSA MESMA LINHA?

Geograficamente existe uma ligação tectônica, porque o Brasil também está sobre a Placa Sul-Americana.

Mas existe uma diferença fundamental.

O Brasil encontra-se predominantemente no interior da placa, distante da grande zona de contato entre Nazca e a Placa Sul-Americana.

Isso reduz consideravelmente a possibilidade de terremotos extremamente destrutivos como aqueles observados na região andina.

Documentação técnica brasileira explica que a subducção da Placa de Nazca sob a Sul-Americana está relacionada aos frequentes terremotos andinos, enquanto a localização brasileira no interior da placa faz com que, em geral, os terremotos registrados aqui sejam de menor magnitude.

Portanto, é importante deixar isso muito claro:

os terremotos da Colômbia e do Peru não significam que um grande terremoto esteja “caminhando” em direção ao Brasil.

Terremotos não funcionam como uma onda de dominós atravessando o continente.

Também não existe, neste momento, base científica para afirmar que essa sequência esteja anunciando um terremoto de grandes proporções no território brasileiro.

MAS ISSO NÃO SIGNIFICA QUE O BRASIL NÃO TREMA

Esse é outro mito que precisa ser derrubado.

Existem terremotos no Brasil.

O território brasileiro possui falhas geológicas e registra atividade sísmica intraplaca.

Além disso, terremotos muito fortes originados nos Andes podem produzir ondas sísmicas capazes de viajar centenas ou milhares de quilômetros.

Há precedentes claros.

Em novembro de 2015, terremotos ocorridos próximos à fronteira entre Peru e Brasil foram sentidos em cidades brasileiras, incluindo localidades de Acre, Rondônia e Amazonas.

Mais recentemente, no fim de julho de 2026, um terremoto de magnitude 5,6 ocorrido próximo de Pucallpa, no Peru, também foi percebido do outro lado da fronteira, no Acre.

Ou seja:

o Brasil não está isolado das ondas sísmicas produzidas na Cordilheira dos Andes.

O OESTE BRASILEIRO MERECE ATENÇÃO ESPECIAL

Estados como Acre, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso estão geograficamente mais próximos das grandes zonas sísmicas andinas do que as regiões central e oriental do país.

Isso não significa que estejam diante de uma ameaça iminente.

Significa apenas que grandes terremotos profundos nos países vizinhos podem eventualmente ser sentidos nessas regiões brasileiras.

Edifícios altos localizados muito longe do epicentro também podem perceber oscilações provocadas por ondas sísmicas de longo período.

A sensação de movimento, portanto, não significa necessariamente que o terremoto tenha ocorrido no Brasil.

COLÔMBIA E PERU: UMA SEQUÊNCIA QUE IMPRESSIONA

É impossível ignorar o impacto psicológico dos acontecimentos recentes.

Em 10 de agosto, a Colômbia sofreu um terremoto de magnitude 7,4 que provocou enorme destruição.

Agora, apenas dez dias depois, o Peru registra outro grande terremoto, de magnitude 7,2 segundo o IGP.

A proximidade temporal chama atenção.

Mas proximidade no calendário não prova que um terremoto tenha provocado o outro.

A América do Sul possui várias estruturas tectônicas ativas e terremotos podem ocorrer em diferentes segmentos delas sem existir uma relação direta de causa e efeito.

A ciência consegue identificar regiões de maior risco sísmico.

Consegue mapear falhas.

Consegue medir deformações do solo.

Consegue detectar um terremoto praticamente no momento em que acontece.

Mas ainda não consegue prever com precisão o dia, a hora e o local de um grande terremoto futuro.

Por isso qualquer mensagem circulando nas redes sociais afirmando que “o próximo será no Brasil”, ou indicando uma determinada data para um terremoto, deve ser tratada com extrema desconfiança.

NÃO É MOTIVO PARA PÂNICO. É MOTIVO PARA ATENÇÃO.

A sucessão de terremotos importantes na América do Sul merece acompanhamento.

Não porque exista evidência de que o Brasil esteja prestes a enfrentar uma catástrofe sísmica.

Mas porque os acontecimentos recentes lembram algo que muitas vezes esquecemos:

o continente onde vivemos está geologicamente vivo.

Debaixo dos nossos pés existem placas gigantescas movimentando-se continuamente, acumulando e liberando energia há milhões de anos.

Na maior parte do Brasil, esse processo passa despercebido.

Nos Andes, entretanto, ele faz parte da realidade cotidiana.

O terremoto registrado nesta quinta-feira no Peru é mais um lembrete poderoso dessa dinâmica.

ALERTA 7MINUTOS

Neste momento, a informação mais importante é separar atenção de alarmismo.

O terremoto no Peru está confirmado.

A magnitude oficial divulgada pelo IGP é 7,2.

O USGS calculou 6,7.

Até a última atualização desta matéria, não havia confirmação de vítimas fatais e não existe alerta de tsunami relacionado ao evento.

Quanto ao Brasil, não existe evidência científica de que um grande terremoto esteja se aproximando do país em consequência dos recentes eventos na Colômbia e no Peru.

Entretanto, tremores originados nos Andes podem ser sentidos em território brasileiro, especialmente nas regiões mais próximas da fronteira oeste.

 

Depois da Colômbia e agora do Peru, a atividade sísmica sul-americana merece acompanhamento responsável.

  • Sem profecias.
  • Sem pânico.

Mas também sem ignorar a força impressionante de um planeta que, mesmo quando parece imóvel, jamais deixa de se mover.

O 7Minutos continuará acompanhando os registros sísmicos na América do Sul e eventuais reflexos no território brasileiro.

 

Por Gildo Ribeiro.
Editoria de Desastres Mundiais
Redação Portal 7 Minutos — Brasília

 

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Alerta Sísmico no Peru
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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