CULTURA, FÉ e MEMÓRIA AFETIVA
São Cosme e São Damião: o que um saquinho de doces pode guardar além de doces?
Em sua reflexão para o Portal 7Minutos, a psicanalista Dra. Ana Claudia de Laet Segantine convida o leitor a olhar para uma celebração que reúne fé, infância, generosidade e diferentes formas de pertencimento.
Há lembranças que voltam antes mesmo de abrirmos o saquinho: a expectativa na rua, o encontro com outras crianças, a alegria de receber um doce.
Para muita gente, falar de São Cosme e São Damião é também revisitar esse pequeno pedaço da infância.
Mas por que uma bala recebida há tantos anos ainda pode despertar tanto afeto?
Segundo a tradição cristã, Cosme e Damião foram irmãos médicos que cuidavam de pessoas doentes sem cobrar pelo atendimento.
A Igreja Católica celebra sua memória em 26 de setembro.
No Brasil, a festa popular dos doces é especialmente conhecida no dia 27, em uma história marcada pelo encontro entre tradições católicas e religiões de matriz africana.
Nesse contexto, os santos foram associados aos Ibejis, gêmeos ligados à infância. Cada tradição, porém, possui suas próprias crenças e sentidos.
É nesse universo de significados que a Dra. Ana Claudia propõe um olhar pela psicanálise.
Um ritual pode ligar uma pessoa à família, ao bairro e às experiências que ajudaram a formar sua história.
A criança talvez se encante com o doce;
anos depois, o adulto pode se lembrar sobretudo de quem o ofereceu, de quem estava ao seu lado e de como se sentiu naquele momento.
O saquinho, então, carrega mais do que guloseimas.
Pode guardar a sensação de ter sido visto, acolhido e incluído.
Para outra pessoa, a mesma data pode despertar uma lembrança diferente, inclusive a saudade de alguém que já não está presente.
Nenhuma dessas experiências precisa ser igual à outra para ter valor.
Também há muitas maneiras de participar da celebração.
Alguns a vivem pela fé.
Outros preservam um costume familiar, ajudam a organizar a festa ou simplesmente se alegram ao ver as crianças brincando.
E há quem prefira não participar.
Respeitar essas escolhas permite que pessoas de crenças diferentes convivam sem apagar o significado que a data tem para cada uma.
A reflexão da psicanalista deixa um convite bonito:
- prestar atenção ao que sentimos quando uma tradição retorna.
- Talvez a memória traga o gosto de um doce.
- Talvez traga uma rua, uma voz, uma pessoa querida.
Ao compartilhar cuidado e generosidade no presente, podemos criar lembranças que outras crianças levarão consigo por muitos anos.
Por Dra. Ana Claudia de Laet Segantine
Psicanalista parceira do Portal 7Minutos e mestra em Biociência.
Atua com acolhimento, informação e orientação em saúde mental, sem preconceitos ou julgamentos.
Instagram: @anaclaudiadelaetsegantine
TikTok: Ana Claudia de Laet Segantine
Contato: (62) 98244-0724
O Portal 7Minutos deseja a todos um bom dia pic.twitter.com/76cDh70cEI
— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) December 15, 2025
Siga o ‘ 7Minutos’ nas redes sociais
X (ex-Twitter)
Instagram
Facebook
Getter
Truth Social





