Um bom exemplo a ser seguido
Crise no Reino Unido: rainha Elizabeth II aprova a suspensão do Parlamento
Suspensão das atividades do Parlamento foi solicitada pelo primeiro-ministro, Boris Johnson, numa estratégia de impedir esforços contra o Brexit sem acordo
Por Gabriela Ruic e Naiara Albuquerque, com agências de notícias
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, surpreendeu ao solicitar, nesta quarta-feira, (28), a suspensão do Parlamento britânico para a rainha Elizabeth II. Agora pouco, a monarca concedeu a prorrogação das atividades parlamentares.
It’s done pic.twitter.com/YGdB0WX4zk
— Vicki Young (@BBCVickiYoung) August 28, 2019
Isso significa que os parlamentares opositores terão pouco tempo para tentar barrar a saída do Reino Unido da União Europeia sem um acordo de transição. O Brexit está previsto para 31 de outubro de 2019. A suspensão será de cerca de cinco semanas, a mais longa desde 1945, informa o The Guardian.
Com isso, a Câmara dos Comuns irá interromper as suas atividades entre 10 e 12 de setembro, época de convenções partidárias que já estavam previstas, e não retornará no dia 7 de outubro, como seria o esperado.
Em carta enviada aos deputados para explicar seus planos, o líder conservador também falou na publicação de um “discurso da rainha” no dia 14 de outubro e que trará o programa para a próxima legislatura e empurrará a discussão do Brexit para 21 de outubro, poucos dias antes do prazo final estabelecido pela União Europeia.
De acordo com Johnson, os planos de adiamento correspondem ao desejo de seu governo de “desenvolver uma ambiciosa agenda legislativa” sobre a qual os parlamentares poderão votar em outubro e que terá como principal tema um possível acordo para o Brexit com a União Europeia..
Repercussão
Suspender o Parlamento próximo ao discurso é uma tradição britânica, mas limitar a votação parlamentar semanas antes da decisão política mais controversa em décadas despertou reações imediatas.
O movimento de Johnson está sendo amplamente criticado pela oposição, por colegas de partido e até mesmo por Nigel Farage, um dos mentores do Brexit e líder do recém-criado Partido do Brexit, que busca a saída britânica da União Europeia, custe o que custar.
“O anúncio torna uma moção de confiança certa e uma eleição geral ainda mais provável”, disse Farage no Twitter.
The government's announcement today makes a confidence motion now certain, a general election more likely and is seen as a positive move by Brexiteers.
The unanswered question is whether Boris Johnson intends to pursue the Withdrawal Agreement.
— Nigel Farage (@Nigel_Farage) August 28, 2019
Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista e da oposição na Câmara dos Comuns, criticou o plano de Johnson dizendo que era “um ultraje e uma ameaça à democracia”.
Para Anna Soubry, líder do Grupo Independente pela Mudança, Johnson está “deliberadamente fechando o Parlamento para impedir que os representantes eleitos do povo façam seu trabalho”.
O presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, também criticou Johnson: “É óbvio que, agora, o objetivo da prorrogação seria o de impedir que o parlamento debata o Brexit e cumpra o seu dever.”
Philip Hammond, conservador, criticou a suspensão chamando-a de “profundamente antidemocrática”.
It would be a constitutional outrage if Parliament were prevented from holding the government to account at a time of national crisis. Profoundly undemocratic.
— Philip Hammond (@PhilipHammondUK) August 28, 2019
Caos no Brexit
Mais de três anos após um referendo decidir por 52% que o Reino Unido deixasse o bloco, os termos para isso — ou quando — ainda são pouco claros.
Faltando apenas 65 dias até a suposta data limite, os parlamentares estão lutando para impedir que o primeiro-ministro tire o país da UE sem um acordo de transição, direcionando um dos países mais estáveis da Europa a uma crise constitucional.
Na terça-feira, líderes dos partidos da oposição somaram forças para tentar utilizar um procedimento parlamentar para forçar Johnson a adiar o Brexit para além de 31 de outubro.
Tudo o que você precisa saber sobre o Brexit:
As lições que o caótico Brexit ensina ao mundo (e ao Brasil, inclusive)
Desmantelar algo é mais fácil que construir, diz economista sobre o Brexit
Apesar dos choques, apoio à União Europeia é forte entre cidadãos do bloco
5 pontos sobre a saída do Reino Unido da União Europeia
BORIS JOHNSON: quando questionado sobre se haveria progresso nas conversas, o primeiro-ministro britânico respondeu que isso dependeria dos “amigos” e da intenção deles de se comprometerem (Peter Nicholls/Reuters)[/caption]



