Vander Lúcio

By Vander Lúcio Barbosa

A ameaça que vem do Oriente

A primeira vez aconteceu em 1956, quando o presidente do Egito, na época, Gamal Nasser nacionalizou o Canal de Suez, até então, pertencente a uma empresa de capitais inglês e francês.

Com isso, houve problemas na exportação do petróleo ali produzido e, em consequência, o abastecimento foi interrompido, com o bloqueio do Canal, levando a um aumento súbito do preço do produto.

A segunda ocorreu 17 anos depois, em 1973 devido ao protesto pelo apoio dado pelos americanos aos israelenses, tendo os países árabes organizados na OPEP aumentado o preço do petróleo em mais de 400%.

Um ano depois, os preços nominais já haviam subido de três para 12 dólares por barril.

Em 1979 veio o terceiro rombo. Foi durante a crise política no Irã, com a queda do Xá Reza Pahlevi, o que desorganizou todo o setor de produção no Irã, fazendo com que os preços aumentassem.

Entre 1979 e 1981 o preço nominal do barril aumentou de 13 para 34 dólares (de 50 para 120 dólares a preços atuais).

E, há 28 anos (1991) a quarta delas, quando, sob o comando de Saddam Hussein, o Iraque invadiu o Kuwait, um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

Tempos depois, os iraquianos foram expulsos, mas, deixaram um estrago: muitos poços de petróleo do emirado foram incendiados, o que provocou uma crise econômica e ecológica, com reflexos, até, nos dias de hoje.

O mundo vive na iminência de uma quinta crise, com o desenho de ser a mais aguda, com o incêndio da maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita, ocorrido dias atrás.

O estrago econômico já foi feito e não se sabe, ainda, qual é a sua dimensão. Aguarda-se o que vai passar pelo viés político, pois o assunto envolve as chamadas grandes potências, que estão se posicionando.

Se a coisa ficar, apenas, no campo da economia, menos mal. A economia é recuperável.

Mas, o que se teme, é o estouro de um novo e gigantesco conflito envolvendo, a princípio, os países do Oriente Médio.

Mas, ninguém garante que os países denominados potências mundiais não se envolverão, pois o petróleo asiático interessa a todo o mundo.

Inclusive, aos americanos, que detêm as maiores reservas do produto no Planeta Terra.

Para nós, brasileiros, que nos declaramos autossuficientes na produção do petróleo, é chegada a hora da verdade, da prova dos nove.

Temos, ou não temos, a capacidade para nos garantir diante de uma crise?

Se tivermos, menos mal.

Mas, caso contrário, devemos nos preparar para o pior.

Pelo menos do ponto de vista econômico. Afinal, o Brasil é um país sobre rodas, depende do petróleo e de seus derivados para tudo.

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Vander Lúcio Barbosa

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Mas, caso contrário, devemos nos preparar para o pior. Pelo menos do ponto de vista econômico. Afinal, o Brasil é um país sobre rodas, depende do petróleo e de seus derivados para tudo. Imagem: Shutterstock
Para nós, brasileiros, que nos declaramos autossuficientes na produção do petróleo, é chegada a hora da verdade, da prova dos nove. Divulgação
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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