Vander lucio comenta no 7Minutos
Um chamado à ação coletiva
Em 1974, Sílvio Brito lançou “Tá Todo Mundo Louco”, uma sátira que misturava humor e crítica social.
Embora divertida, a canção trazia uma mensagem subliminar sobre o sofrimento coletivo, ainda atual após meio século.
A ironia do título traduz um sentimento que hoje ecoa nas discussões sobre saúde mental, cada vez mais urgentes e necessárias.
As doenças mentais sempre existiram, atravessando séculos e culturas, mas nunca foram tão debatidas como agora. Apesar dos avanços da medicina, psicologia e psiquiatria, ainda não há consenso sobre soluções definitivas.
Famílias convivem com dramas imprevisíveis, cujas consequências afetam todos os envolvidos.
A busca por respostas continua, mas o desafio permanece imenso, exigindo reflexão e ação coletiva.
No Brasil, a situação é alarmante.
Estima-se que 18 milhões de pessoas enfrentem transtornos mentais graves, enquanto a taxa de suicídio cresce em contraste com a tendência mundial de redução.
Esse quadro revela falhas no diagnóstico, tratamento e políticas públicas.
A fragilidade das redes de cuidado reforça a urgência de iniciativas legislativas baseadas em evidências, capazes de transformar paradigmas e ampliar o acesso.
O estigma é outro obstáculo significativo.
Ele não atinge apenas quem sofre com transtornos, mas também suas famílias, profissionais de saúde e serviços especializados.
Essa discriminação compromete a recuperação e a reabilitação, perpetuando exclusão e preconceito.
Combater o estigma é tão importante quanto oferecer tratamento adequado, pois sem acolhimento social, a saúde mental dificilmente encontra espaço para florescer.
É fundamental compreender que saúde mental não é isolada: resulta da interação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.
Essa perspectiva biopsicossocial amplia o entendimento e reforça a necessidade de políticas integradas.
O ambiente, as relações e as condições de vida influenciam diretamente o equilíbrio emocional.
Reconhecer essa complexidade é essencial para construir estratégias eficazes de prevenção e cuidado.
Nesse contexto, o programa “Janeiro Branco” surge como campanha de conscientização.
Ele convida a sociedade a refletir sobre a importância da saúde mental e a necessidade de quebrar tabus.
Mais que um alerta, é um chamado à ação coletiva.
Antes que seja tarde, é preciso transformar reflexão em compromisso, garantindo dignidade e esperança para milhões de brasileiros.
Por Vander Lúcio Barbosa
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