aviões Boeing e Embraer
23 jul 2019. O que sobra da Embraer depois da venda para a Boeing
Agosto de 2019. Mergulhamos na nova Embraer, que se reinventa após venda à Boeing Saem os jatos comerciais, ficam os aviões executivos e militares. A eles se juntam satélites, carros voadores e internet das coisas em um ambicioso plano
Enquanto avança o processo de formação da sociedade entre as fabricantes de aviões Boeing e Embraer na aviação comercial, novos detalhes sobre a negociação têm emergido. Em um parecer sigiloso apresentado em dezembro, ao qual EXAME teve acesso, o comando da Aeronáutica diz que a primeira proposta feita pela empresa americana, no final de 2017, previa a aquisição de toda a operação da Embraer.
Na ocasião, segundo o documento, o governo avisou que vetaria a compra para preservar seu interesse estratégico na divisão militar, responsável por 8% das receitas da Embraer.
No formato final da transação, aprovada em fevereiro pelos acionistas, a seção de defesa e a de jatos executivos continuam sob controle nacional. Mas a Força Aérea levanta dúvidas sobre o futuro da Embraer que sobrará após a venda da área comercial aos americanos. O relatório aponta que a área de desenvolvimento de produtos é atualmente compartilhada entre as unidades e deve ser transferida para a divisão comercial. Isso ameaçaria a competitividade das restantes.
O comando militar ainda indica que, pela competência da equipe de engenharia, a empresa brasileira teria papel fundamental em ajudar a Boeing a substituir seu modelo 737 Max, envolvido em duas grandes tragédias nos últimos meses.
A parceria também resolveria “do dia para a noite” as dificuldades da Embraer em levantar capital para crescer.
Para a efetivação do negócio, só falta a apreciação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
Por Denyse Godoy, 23 jul 2019
https://exame.abril.com.br/blog/primeiro-lugar/o-que-sobra-da-embraer-depois-da-venda-para-a-boeing/
Atualização:
NEGÓCIOS
Mergulhamos na nova Embraer, que se reinventa após venda à Boeing
Saem os jatos comerciais, ficam os aviões executivos e militares. A eles se juntam satélites, carros voadores e internet das coisas em um ambicioso plano
Depois de decidir vender sua divisão mais lucrativa e líder mundial no segmento — a de jatos comerciais de até 150 lugares — à americana Boeing, em meio a um acirramento da concorrência que poderia tirá-la do jogo, a fabricante brasileira de aeronaves Embraer corre para se reinventar. Além de dar novo impulso às divisões que ficaram de fora da parceria — a de jatos executivos e a de defesa —, está aumentando a aposta na prestação de assistência técnica a aeronaves e em negócios disruptivos, que vão de satélites e carros voadores a aplicativos que conectam fornecedores às companhias aéreas.
Na nova estrutura, fábricas da Embraer continuarão fornecendo partes à Boeing Brasil-Commercial, a sociedade que vai controlar a divisão de jatos comerciais, e as duas empresas também podem comprar conjuntamente insumos. A Boeing comprometeu-se a manter a fábrica de São José dos Campos e os empregos. Os 18.000 funcionários serão divididos meio a meio, com uma preocupação de equilibrar nos dois lados as mesmas capacidades de engenharia para criar projetos.
O calendário tende a jogar a favor da nova empresa. A Embraer começa o terceiro ciclo de sua história de 50 anos completados neste mês de agosto com lançamentos nas divisões de aeronaves executiva e militar. Deve investir pesadamente também em negócios ligados a cidades inteligentes e internet das coisas.
Muitos dos programas criados com objetivo militar estão sendo adaptados para uso civil, abrindo novas frentes de negócio para a empresa. Os que monitoram e conectam veículos podem servir às empresas que gerem frotas. Ou para fazer os aparelhos eletrônicos de uma casa se comunicar. As tecnologias de monitoramento podem ter uso na segurança pública.
A Embraer espera ampliar o mercado a partir de agora com a influência da Boeing nas nações aliadas dos Estados Unidos.
Em sua nova fase, a brasileira deve encarar a concorrência de chineses e russos na área militar, de israelenses e americanos em monitoramento e transporte.
Lidará, ainda, com as incertezas da guerra comercial e com os problemas da nova parceira, a Boeing, que tem sofrido grandes perdas após os dois acidentes com o seu modelo 737 Max, que caíram entre outubro e março na Indonésia e na Etiópia, matando seus 346 passageiros.
A versão completa desta reportagem está na edição 1192 da revista EXAME, disponível também na versão digital.
Por Denyse Godoyaccess_time15 ago 2019




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