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Beber uma taça de vinho antes de dormir favorece ou atrapalha o sono? Especialistas respondem

O álcool pode até fazer você adormecer mais rapidamente, mas esse não é o único impacto que a bebida causa no sono

O dia foi longo e estressante, e você finalmente pode relaxar. Se joga no sofá, o tempo passa, mas o sono parece não vir de jeito nenhum.

Alguns podem pensar que a maneira mais simples de contornar essa situação seja beber uma taça de vinho ou uma dose de qualquer outra bebida alcoólica.

Em inglês, isso tem até nome: nightcap.

O que parece um atalho, na verdade, pode custar bem caro para a qualidade do sono.

E, caso isso se torne um hábito, pode levar a consequências graves.

O álcool induz o sono mais rapidamente devido ao seu efeito sedativo no cérebro.

No entanto, isso não significa que o descanso será reparador, resume o

psiquiatra Arthur Guerra, presidente do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool.

 

O impacto do álcool no sono muitas vezes faz com que a pessoa acorde mais cansada no dia seguinte,

completa Olivia Pozzolo, psiquiatra e pesquisadora do CISA.

 

Entendo o efeito do álcool no cérebro

O álcool provoca mesmo sonolência e pode, sim, ajudar a adormecer com mais facilidade.

De acordo com Leticia Soster, médica do sono do Hospital Israelita Albert Einstein, isso ocorre porque ele atua como um sedativo no sistema nervoso central.

Principalmente porque ele aumenta a atividade de um neurotransmissor chamado GABA,

que inibe a atividade central, afirma.

Mas esse efeito não se estende durante toda a noite. Na verdade, ele deve durar algumas poucas horas, que, segundo Guerra, podem até ser de sono profundo.

Efeito rebote

O problema começa a partir do momento em que o álcool é metabolizado pelo nosso corpo.

Como não vai ter mais aquela ativação, o sono vai ficar mais leve,

mais fragmentado e aqueles despertares vão acontecer, afirma Leticia.

E pode ser particularmente difícil voltar a dormir a partir desse momento, mesmo que você esteja cansado.

É o que os especialistas chamam de movimento compensatório ou efeito rebote.

Segundo a médica do Einstein, logo que a atividade do sistema nervoso central cai abruptamente, ocorre uma hiperativação compensatória, que dificulta muito a manutenção do sono.

Isso gera toda uma bagunça na arquitetura e nos ciclos do sono.

Guerra aponta que uma disrupção da fase REM (sigla do inglês Rapid Eye Movement, ou movimento rápido dos olhos, em uma tradução literal) é particularmente preocupante.

O álcool reduz a fase REM, que é quando ocorrem os sonhos e a consolidação da memória.

Essa fase é essencial para o equilíbrio emocional, a aprendizagem e a recuperação mental.

Quanto menos sono REM, mais cansado e mentalmente esgotado você pode se sentir no dia seguinte, afirma ele.

De acordo com Leticia, a pessoa ainda pode enfrentar sonhos vívidos e até pesadelos nessa “segunda metade” da noite.

Apneia e insônia

Se isso não te convenceu que a dose alcoólica antes do sono não é uma boa ideia, saiba que as complicações podem se tornar mais severas.

Guerra explica que o álcool também relaxa a musculatura das vias aéreas,

o que pode agravar o ronco e aumentar o risco de apneia obstrutiva do sono, um distúrbio no qual a respiração fica bloqueada temporariamente durante a noite.

Isso compromete ainda mais a oxigenação e a continuidade do sono, afirma.

Segundo ele, o consumo frequente de álcool também pode desregular o sono a longo prazo, o que aumenta o risco de insônia crônica ou pode agravar um quadro já estabelecido.

A própria busca pelo álcool para conseguir adormecer pode indicar que a pessoa já enfrenta um distúrbio do sono, segundo os especialistas.

Além disso, de acordo com Leticia, o uso frequente pode levar o paciente a necessitar de doses maiores de álcool

para alcançar o mesmo efeito de relaxamento para adormecer.

Você vai fragmentar o sono cada vez mais”

Até quanto tempo antes de dormir dá para consumir álcool?

Vale ressaltar que, quando o assunto é saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já publicou uma declaração no The Lancet Public Health dizendo que não existe quantidade segura de álcool.

Ele aumenta o risco de várias doenças, entre elas o câncer.

Dito isso, para quem pretende consumi-lo,

Guerra informa que o tempo ideal entre a ingestão e a hora de dormir para minimizar os impactos negativos no descanso não é totalmente padronizado.

Estudos sugerem que o álcool pode afetar a qualidade do sono por várias horas após o consumo,  dependendo da quantidade ingerida e do metabolismo individual, avisa.

De forma geral, os especialistas recomendam um intervalo de pelo menos três a quatro horas entre o último consumo de álcool e o momento de dormir.

Outras estratégias

O Estadão pediu aos especialistas que listassem opções que podem ajudar a pegar no sono — e que não acarretem em malefícios.

Algumas são:

  • Faça a chamada higiene do sono (o Estadão já te explicou o que ela é e como incluí-la na sua rotina)
  • Evite telas antes de dormir
  • Tome um banho quente antes de ir para a cama
  • Em vez de álcool, beba um chá quente
  • Faça uma sequência de respirações profundas
  • Pratique exercícios físicos regularmente (mas evite que a prática aconteça muito perto do horário que você quer pegar no sono)
  • Se a dificuldade para adormecer persistir, o indicado é buscar um especialista.

Por Leon Ferrari

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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