By Coronel Carlos Marcelo Fernandes
Como será o amanhã? Responda quem souber…
Para muitos trabalhadores, a falta de atualização no uso de novas tecnologias, a não compreensão dos rumos traçados há muitos anos pelo uso intensivo da internet e a falta de estudo e aperfeiçoamento serão a morte certa.
A pandemia provocada pelo Coronavirus-19 trouxe à tona sérios problemas estruturais brasileiros como a ocupação desordenada nas cidades; as estruturas médico-hospitalares públicas desarrumadas; as estruturas de mobilidade urbana adaptadas a uma realidade que trata os trabalhadores (de qualquer atividade) como número de peças dentro de uma caixa; as estruturas legais sobre normas sanitárias desconexas; a falta de liderança e de estruturas de enfrentamento por parte dos órgãos políticos públicos; a falta de integração de informações; a falta das organizações públicas trabalharem em rede; as redes de mídia dominadas por interesses políticos-ideológicos deturpando informações ou direcionando informações a sabor dos seus interesses econômicos; a falta de formação do cidadão comum em matéria de higiene, hábitos de consumo e cuidados com a própria saúde.
De todos esses, o que trataremos aqui são das relações de trabalho e renda. É notório que as estatísticas de desemprego no Brasil só não são maiores porque as informações não são reais. Ficam de fora os “bicos”, os ajudantes dos ajudantes, os jovens que pressionam por vagas em empregos formais, os que desistiram, os que vivem de favores, os que vivem nas ruas, os que vivem no mundo do crack nas ruas, etc.
Para todos esses, a pandemia do coronavirus-19 revelou sua face mais assassina.
Porque se espera, além do enorme número de mortos de pessoas que possuíam seus empregos formais, uma trituração de cerca de 30% de dos empregos formais, num espaço de até 12 meses, seja por fechamento de atividades; descontinuação de retomada das atividades; falta de investimentos; quebra de grandes, pequenas e médias empresas.
Nesse contexto, o governo brasileiro agiu certo ao abrir possibilidades de créditos oficiais, ajuda direta para as pessoas e mecanismos de proteção de contratos de trabalho.
Mas essa ajuda emergencial não pode se manter por muito tempo, pois as grandes questões relacionadas ao desequilíbrio fiscal não foram resolvidas, simplesmente por falta de entendimento político, com os sempre presentes interesses econômicos difusos, corrupção, busca por nacos de poder, etc.
Além disso, as relações de emprego e renda dos trabalhadores irão mudar totalmente.
Para muitos trabalhadores, a falta de atualização no uso de novas tecnologias, a não compreensão dos rumos traçados há muitos anos pelo uso intensivo da internet e a falta de estudo e aperfeiçoamento serão a morte certa.
Para as empresas e organizações acostumadas a empurrar as questões de problemas de comunicação, falta de clareza de informações, Compliance e dependência de formas informais de controle, será o caminho para a ruína.
Algumas relações de trabalho “presenciais” serão aceleradas para as modalidades “à distância”, como ensino, e-commerce, etc.
Os grandes escritórios de serviços terão de ceder lugar a trabalhadores em home office e reuniões, encontros e seminários irão migrar totalmente para modalidades não presenciais. Isso irá sobrecarregar os sistemas de comunicação e de segurança de dados, podendo levar a sérios problemas de furtos de informações pessoais, legais, empresariais, estratégicas, etc.
Por outro lado, já há uma estimativa que um terço dos empregos formais deverão desaparecer nos próximos meses, com uma tendência a nunca mais retornarem, caso nada seja feito.
No Brasil, as discussões sobre as fragilidades dos sistemas que citamos no início do texto serão esquecidas rapidamente, dando lugar a outros velhos temas bem ao gosto da grande mídia como a corrupção, os embates políticos, e as velhas discussões inúteis de sempre.
A fatura do atendimento emergencial aos cidadãos e às empresas virá na forma de aumento das taxas de juros, para manter o fluxo e interesse dos títulos públicos, do incremento da inflação e, provavelmente, da imposição de uma nova taxação para fazer frente a esse esforço.
As discussões sobre uma reforma fiscal do Brasil já foram embora sem mesmo terem começado pra valer. Estados e Municípios não irão concordar em mudanças de “perdas de receitas” via simplificação e diminuição de percentuais, ainda mais em ano de eleição municipal no Brasil.
E nenhum novo prefeito, seja por via de reeleição ou não, irá aceitar perder receita e irá pressionar os governadores, deputados e senadores para que o status quo fiscal não se altere. O grande pacto federativo virou um acordo emergencial de socorro, devidamente fundamentado na construção de um colchão de proteção para garantir a governabilidade federal, face a possibilidade de medidas para conturbar o atual governo.
Nesse sentido, é um momento complicado e sensível.
Por outro lado, a injeção de recursos emergenciais pode ser a solução para um problema que explodiria lá na frente, haja vista que nos “acordos emergenciais” foram incorporados “soluções” patriarcais para problemas fiscais de Estados e Municípios começados anos lá atrás.
Mas quem paga a conta? Quem esperava uma modificação da tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas para esse ano, por exemplo, pode esquecer isso.
Pode ser que esteja sendo muito pessimista. Tomara. Tomara que haja uma revolução no entendimento de que tudo pode voltar a ser como era antes e melhor, com pleno emprego, crescimento econômico franco, baixa inflação, juros no chão e Carnaval em 2021.
O que será o amanhã?
Deus nos abençoe!
By Coronel Intendente R1 Carlos Marcelo C. Fernandes. Mestre em Planejamento, Orçamento e Gestão Pública. Mestre em Logística Empresarial.




