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Ditaduras não se sustentam

MANIFESTO CONTRA A ILUSÃO GEOPOLÍTICA

Não há inocentes no jogo do poder. Há apenas atores, interesses e estruturas.

Acreditar que a queda de um homem significa a queda de um sistema é uma das mentiras mais confortáveis já vendidas à humanidade.

Ditaduras não se sustentam por nomes, mas por engrenagens.

Quando o rosto cai e a estrutura permanece, o regime apenas troca de idioma.

Maduro não governava sozinho.

Governava porque havia armas fora do Estado, milícias do narcotráfico, economias ilegais, redes de mineração clandestina e um sistema de coerção difusa que tornava o poder invisível e permanente.

Esse modelo não é exceção latino-americana  é fórmula testada.

Quem não entende isso confunde libertação com espetáculo.

Não defendemos tiranos.
Rejeitamos a mentira de que sua queda ocorre por virtude.

A história recente é clara para quem se recusa a viver de manchetes.

Irã, Iraque, Líbia, Síria, Afeganistão, Guatemala, Honduras, El Salvador.

O roteiro se repete: constrói-se um vilão, invoca-se a moral, derruba-se o rosto, reorganiza-se o território conforme interesses estratégicos.

Quando o objetivo é alcançado, a soberania volta ao discurso  seletivamente.

Soberania nunca foi princípio absoluto.
Foi sempre concessão temporária.

O direito internacional não é árbitro; é instrumento.

Não pune quem controla moeda, energia, crédito, exércitos e narrativas.

Punições existem apenas para quem não pode responder.

O resto chama violação de “exceção necessária”.

Democracia, direitos humanos e autodeterminação são palavras nobres  e por isso mesmo úteis.

O discurso moral não é acidente.  É método.

Democracia, direitos humanos, combate ao narcotráfico: essas palavras não existem para proteger povos, mas para legitimar ações perante as massas  internas e externas.

Elas cumprem uma função psicológica e sociológica precisa: transformar interesses estratégicos em cruzadas morais, anestesiar o senso crítico e converter dominação em virtude.

  • Roma falava em civilizar.
  • A Inglaterra, em progresso.
  • Os Estados Unidos, em liberdade.

Muda o rótulo. O negócio permanece.

O poder não abandona a força  apenas aprende a vesti-la com linguagem aceitável.

Servem para pacificar consciências enquanto decisões reais são tomadas longe do voto, do povo e do debate público.

O discurso moral não protege nações; legitima intervenções.

A Venezuela nunca foi sobre socialismo ou autoritarismo.
Sempre foi sobre petróleo, ouro, terras raras e controle regional.

Controlar a produção venezuelana significa enfraquecer a Rússia, reduzir dependências energéticas globais, quebrar a influência chinesa no hemisfério e isolar o Irã.

Não é ideologia. É matemática do poder.

O próximo passo não surpreende quem estuda.

Colômbia. Cuba. México.

Cada qual com sua narrativa conveniente: drogas, corrupção, instabilidade.

O método é antigo; apenas o marketing muda.

A invasão moderna não usa tanques.

Usa lawfare, sistema financeiro, mídia, ONGs, algoritmos e dependência econômica.

Quando o povo percebe, a soberania já foi embora — sem um tiro.

O mundo caminha para uma multipolaridade sem verniz.

  • Zonas de influência explícitas.
  • Menos hipocrisia, mais força.
  • A China olha para Taiwan.
  • A Rússia testa limites na Europa.
  • Os EUA reorganizam o hemisfério.

Quem ainda acredita em neutralidade moral está atrasado uma década.

O Brasil não está fora. Nunca esteve.
É grande demais para ser ocupado, rico demais para ser ignorado e dividido demais para resistir.

Amazônia, água, biodiversidade, pré-sal, nióbio, terras raras, agronegócio.

Um país estratégico mantido confuso, endividado e emocionalmente capturado por disputas ideológicas estéreis.

Funciona porque distração é método de dominação.

Esquerda e direita não explicam o mundo.
Explicam apenas como as massas são organizadas.

  • O poder não tem ideologia.
  • Tem interesse.
  • Quem ainda escolhe lado como se fosse time não entendeu o jogo.

Enquanto a população briga por narrativa, o tabuleiro real avança silenciosamente.

Este manifesto não pede aplauso.
Pede lucidez.

A história não é movida por ideais, mas por homens armados de meios de ação. Ideias pacificam consciências; estruturas decidem destinos.

A violência não nasce da ideia, mas da tentativa de torná-la obrigatória.

Quando alguém invoca a moral para justificar força, está escondendo o essencial: não é sobre o bem, é sobre o controle.

  • O caso Venezuela apenas escancarou o óbvio.
  • Não há salvadores.
  • Não há libertações puras.
  • Não há inocência no poder.

Há apenas disputa.

E quem não entende isso
não perde apenas o debate.

Perde o país.

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Por: Rodrigo Schirmer Magalhães
Cientista político e Analista de Politica

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O discurso moral não é acidente.  É método.   Democracia, direitos humanos, combate ao narcotráfico: essas palavras não existem para proteger povos, mas para legitimar ações perante as massas  internas e externas.
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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