Estilo : Comportamento» Estilo

Vander Lúcio comenta no 7Minutos

O preço oculto da formação médica

Quando o jaleco pesa antes do diploma: O outro lado da escolha pela Medicina

Talvez eu faça parte da exceção de pais que não conseguem celebrar plenamente quando um filho escolhe a Medicina.

Não por falta de orgulho, mas por excesso de preocupação.
Ainda como acadêmico, já percebo com clareza a mudança de comportamento do meu filho nos últimos dias de faculdade.

Antes mesmo do diploma, ele já vive a rotina que muitos médicos carregam por décadas: jornadas longas, pressão emocional, responsabilidade extrema e pouco espaço para ser, simplesmente, jovem.

Rodando por hospitais como estagiário, cumprindo horários “médicos” e se preparando para enfrentar a residência, ele e tantos outros passam a experimentar, cedo demais, o peso da profissão.

  • A universidade exige.
  • O hospital exige.
  • A própria vocação exige.

O resultado é um cotidiano de dupla jornada entre provas, plantões, estudos intermináveis e a cobrança silenciosa por excelência.

No meio disso, ficam pelo caminho coisas que não voltam: namoros interrompidos, eventos familiares recusados, noites de sono comprometidas, amizades enfraquecidas.

  • O cansaço deixa de ser apenas físico.
  • Torna-se emocional.
  • E, muitas vezes, invisível.

Pesquisas recentes mostram que quase metade dos médicos brasileiros apresenta algum grau de sofrimento mental, como ansiedade, depressão ou burnout.

O que pouco se discute é que esse adoecimento começa antes do jaleco definitivo.

Ele nasce nas salas de aula, nos corredores hospitalares, nos plantões de estudante, na cultura que romantiza o excesso de trabalho e transforma exaustão em virtude.

Formamos profissionais para cuidar da vida, mas esquecemos de cuidar de quem aprende a salvá-la.

Existe uma lógica perigosa de que o médico precisa ser forte o tempo todo, resistente ao medo, à dor e ao limite humano.

  • Só que médicos não são máquinas.
  • São pessoas que também sentem, adoecem e precisam de acolhimento.

Este não é um texto contra a Medicina.

Ao contrário: é um texto a favor dela.

A favor dos jovens que escolhem servir à saúde da sociedade e, muitas vezes, pagam com a própria saúde emocional.

É um convite para que universidades, hospitais, famílias e a própria sociedade enxerguem esses estudantes não apenas como futuros profissionais, mas como seres humanos em formação.

Cuidar da saúde começa por cuidar de quem escolheu cuidar.

  • E isso não é fraqueza.
  • É responsabilidade coletiva.

Por Vander Lúcio Barbosa
Diretor geral do jornal e portal CONTEXTO também é colunista do 7Minutos

Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal 7MINUTOS e fique por dentro das principais notícias de ANÁPOLIS, do BRASIL e do MUNDO siga aqui.

 

Siga o ‘ 7Minutos’ nas redes sociais

X (ex-Twitter)
Instagram
Facebook
Truth Social  

Vander Lúcio Barbosa, diretor geral do jornal e portal CONTEXTO também é colunista do 7Minutos
  • Fonte da informação:
  • Leia na fonte original da informação
  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

    Artigos relacionados

    Verifique também
    Fechar
    Botão Voltar ao topo