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Os 7 hábitos que protegem o coração e também podem blindar o cérebro, segundo estudo

Nova pesquisa associa roteiro de cuidados a um menor nível de moléculas que indicam neurodegeneração

Desde os anos 1990, a ciência conhece a ligação coração-cérebro, ou seja, trabalhos científicos já demonstraram que alterações na saúde cardíaca podem estar relacionadas a doenças da massa cinzenta, em especial as degenerativas.

Uma pesquisa publicada neste ano reforça essa teoria. Realizada em parceria por pesquisadores da Universidade Rush, em Chicago, e da Universidade da Califórnia, ambas nos Estados Unidos, ela trouxe uma nova evidência sobre o tema: quem se dedica com mais afinco a fatores modificáveis que favorecem a saúde cardiovascular tem menos risco de sofrer com Alzheimer.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores entrevistaram 1.018 adultos com 65 anos ou mais participantes do Chicago Health and Aging Project, um estudo que analisa problemas crônicos de saúde em idosos, especialmente fatores de risco para Alzheimer, na cidade americana.

Os resultados mostraram que aqueles que tiveram pontuações mais altas em sete fatores de risco modificáveis que influenciam em doenças cardiovasculares relacionados pela Associação Americana do Coração (AHA, na sigla em inglês) apresentaram menos biomarcadores de neurodegeneração, ou seja, moléculas que indicam a presença ou a progressão de uma doença neurodegenerativa.

Os elementos elencados pela AHA em 2010 e batizados de Life´s Simple 7 Journey To Health (Jornada dos 7 passos simples para a saúde, em tradução livre) englobam fatores de risco de estilo de vida conhecidos para doenças cardiovasculares: dieta, atividade física, tabagismo, índice de massa corporal (IMC), glicemia, pressão arterial e lipídios no sangue.

Essa ligação entre doenças do coração e do cérebro já era conhecida, mas o estudo traz uma nova relação específica entre a saúde cardiovascular e os biomarcadores de neurodegeneração cerebral dosados no sangue,

como os neurofilamentos de cadeia leve (NfL) e a proteína tau total (t-tau), explica Marcio Balthazar, professor do Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 

Esses sete fatores selecionados pela Associação Americana do Coração podem aumentar o risco de Alzheimer  por várias razões e

talvez alguns dos denominadores comuns ligados a eles que podem levar a doenças neurológicas são a inflamação sistêmica, que leva à neuroinflamação, e o estresse oxidativo celular, diz Balthazar.

Ele acrescenta que a inatividade física pode ainda diminuir níveis de hormônios que ajudam na formação de novos neurônios, como o BDNF e a irisina.

Além disso, itens como a hipertensão e o tabagismo podem causar comprometimento de pequenos vasos cerebrais e diminuir a perfusão e oxigenação do cérebro.

Com o tempo, isso desencadeia pequenas lesões que vão se acumulando nos neurônios e acelerando a morte celular, afirma Feres Chaddad, professor e chefe da disciplina de Neurocirurgia

na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e chefe da neurocirurgia da BP
– A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Isso tudo sem falar que o tabagismo e a dieta rica em gorduras saturadas aumentam o risco de pequenos infartos cerebrais,

eventos muitas vezes assintomáticos que causam lesões cumulativas, prejudicando a conectividade entre as regiões cerebrais e acelerando o declínio cognitivo, diz Chaddad.

Estudos sugerem que a resistência à insulina, comum no diabetes, está ligada ao acúmulo de beta-amiloide e proteína tau hiperfosforilada no cérebro — marcadores patológicos do Alzheimer — e a obesidade e o sedentarismo desencadeiam uma inflamação crônica, conta o médico.

Nessa inflamação, há a liberação de citocinas que atravessam a barreira hematoencefálica, que regula a passagem de substância entre o sangue e o sistema nervoso central, provocando neuroinflamação e dano sináptico, ou seja, na comunicação entre os neurônios.

Também já foi demonstrado que os riscos cardíacos aumentam a possibilidade de ocorrer um acidente vascular cerebral,

conhecido como AVC, acrescenta o cardiologista Firmino Haag, do Hospital Albert Sabin.

 

Conheça mais a fundo cada um dos sete pilares do Life´s Simple 7 Journey To Health:

1 – Controlar a pressão arterial
Os critérios de pressão arterial foram determinados de acordo com as diretrizes de 2017 da AHA. O documento estabelece níveis inferiores a 120/80 mm Hg como ideais e caracteriza a hipertensão como pressão sistólica de 130-139 mm Hg ou pressão diastólica de 80-89 mm Hg.

A hipertensão pode danificar os vasos sanguíneos do cérebro, levando a um maior risco de danos no órgão, fator que está associado ao declínio cognitivo, explica Haag.

2 – Manter níveis saudáveis de colesterol

Esse item envolve os padrões de colesterol e triglicérides na circulação sanguínea.

Níveis elevados do LDL, o mau colesterol, podem contribuir para a formação de placas nas artérias,

restringindo o fluxo sanguíneo para o cérebro e aumentando o risco de demência, conta o cardiologista.

3 – Reduzir o açúcar no sangue

A AHA recomenda o acompanhamento da glicemia e todos os cuidados necessários para que ela fique controlada.

O diabetes, especialmente se mal controlado, pode levar a danos nos vasos sanguíneos e a alterações no metabolismo que afetam a função cerebral, aumentando o risco de Alzheimer.

4 – Ser fisicamente ativo

A atividade física é medida pelo número total de minutos da prática de exercícios moderados ou vigorosos por semana.

Para adultos, o ideal é praticar 150 minutos ou mais de atividade física moderada por semana ou 75 minutos de atividade física de intensidade vigorosa.

Para as crianças a partir de seis anos, são recomendados 420 minutos ou mais por semana.

5 – Adotar uma dieta balanceada

Uma boa referência nesse caso é a dieta DASH, que recomenda a ingestão de frutas, vegetais, oleaginosas, leguminosas, grãos integrais e laticínios com baixo teor de gordura e o baixo consumo de sódio, carnes vermelhas e processadas e bebidas adoçadas.

Dietas ricas em gorduras trans e saturadas podem promover a inflamação e o acúmulo de placas no cérebro;

dietas saudáveis, como a dieta mediterrânea, têm mostrado um menor risco de declínio cognitivo, diz Haag.

6 – Manter um peso saudável

Apesar de o índice de massa corporal (IMC) não ser uma métrica perfeita, ele continua sendo usado como um indicador para avaliar categorias de peso que podem levar a problemas de saúde.

A faixa de 18,5 a 24,9 kg/m² está associada aos níveis mais altos de saúde cardiovascular. A obesidade está ligada a uma série de problemas de saúde, incluindo inflamação e resistência à insulina, que podem impactar na saúde cerebral.

7 – Parar de fumar

A recomendação é não se expor à nicotina de cigarros, cigarros eletrônicos e dispositivos de vaporização, como narguilés.

O fumo pode danificar os vasos sanguíneos e levar a um aumento do estresse oxidativo e inflamação, fatores que são prejudiciais para o cérebro.

Para completar

Em 2022, a AHA atualizou o Life´s Simple 7 Journey To Health e acrescentou um item à lista: o sono. Medido pela média de horas de descanso por noite, o nível ideal é de 7 a 9 horas diárias para adultos.

As faixas recomendadas para crianças e adolescentes são de 10 a 16 horas de sono a cada 24 horas para aqueles de 5 anos ou menos; 9 a 12 horas para quem tem de 6 a 12 anos; e 8 a 10 horas para adolescentes de 13 a 18 anos.

Por Thais Szegö

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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