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CULTURA, FÉ e MEMÓRIA AFETIVA

São Cosme e São Damião: o que um saquinho de doces pode guardar além de doces?

Em sua reflexão para o Portal 7Minutos, a psicanalista Dra. Ana Claudia de Laet Segantine convida o leitor a olhar para uma celebração que reúne fé, infância, generosidade e diferentes formas de pertencimento.

São Cosme e São Damião: uma reflexão pela visão psicanalítica respeitando uma diversidade de sentidos

Os Santos Cosme e São Damião foram irmãos gêmeos que viveram no século III d.C. e ficaram conhecidos como médicos que atendiam os doentes de graça. Santificados após as suas mortes.

No Brasil, a imagem dos santos católicos, através do sincretismo religioso, no período da escravidão, foram nomeados aos gêmeos da alegria e protetores das crianças.

Comemorar uma data relacionada a São Cosme e São Damião pode assumir diferentes significados para cada pessoa.

Independentemente da religião, da crença ou da forma como cada indivíduo compreende e acredita nesta tradição, a celebração pode ser observada também pela perspectiva da psicanálise como uma manifestação de memória, afeto, vínculo e pertencimento.

São Cosme e São Damião são tradicionalmente associados ao cuidado, à saúde, à generosidade e à proteção, especialmente das crianças.

Ao longo do tempo, suas celebrações também passaram a fazer parte do patrimônio cultural e afetivo de muitas comunidades, envolvendo doces, encontros, brincadeiras e a transmissão de costumes entre gerações.

Pela psicanálise, os rituais e as tradições possuem uma dimensão importante na constituição subjetiva.

Eles podem funcionar como elementos que conectam o indivíduo à sua história familiar e/ou cultural, despertando lembranças da infância ou que vivência a celebração e sentimentos relacionados às pessoas que participaram ou participam de sua formação.

Um doce recebido na infância, por exemplo, pode representar muito mais do que o alimento em si.

Pode estar associado à sensação de ser lembrado, acolhido, cuidado e pertencente a um grupo.

A memória afetiva pode permanecer mesmo quando a pessoa já não compartilha da mesma crença ou interpretação religiosa.

É importante também compreender que celebrar não significa necessariamente professar uma religião.

Uma pessoa pode participar de uma tradição por razões culturais, familiares, afetivas ou comunitárias, respeitando simultaneamente aqueles que possuem outras crenças ou que não possuem nenhuma.

Nesse sentido, a celebração pode proporcionar uma oportunidade para o encontro com o outro, para a solidariedade e para a valorização da infância.

O ato de oferecer, compartilhar e acolher pode favorecer experiências de vínculo e reciprocidade.E até mesmo de reviver o momento, festejando, celebrando a data marcante.

A psicanálise nos convida ainda a olhar para aquilo que uma tradição desperta em cada sujeito.

Para alguns, São Cosme e São Damião podem representar fé; para outros, infância, família, comunidade, generosidade ou simplesmente uma lembrança afetiva.

Não existe uma única maneira de atribuir significado a uma experiência simbólica.

Comemorar uma data, portanto, pode ser também uma forma de preservar memórias, fortalecer vínculos e reconhecer a diversidade das experiências humanas.

Independentemente da religião, o mais importante pode estar justamente na possibilidade de respeitar diferentes formas de acreditar, lembrar e celebrar.

Afinal, a vida psíquica também é construída pelas histórias que recebemos, pelos afetos que vivenciamos e pelos significados que damos às nossas experiências.

São Cosme e São Damião podem, assim, ser compreendidos não apenas como figuras religiosas, mas também como referências culturais e afetivas que atravessam gerações, lembrando-nos da importância do cuidado, da generosidade, da infância e do vínculo humano.

Celebrar uma tradição não precisa significar impor uma crença.

Pode significar reconhecer uma história, compartilhar afetos e respeitar a diversidade de sentidos que cada pessoa atribui à própria experiência.

Por: Dra. ANA CLAUDIA SEGANTINE
Ana Claudia de Laet Segantine é psicanalista e Mestra em Biociência.

Atua principalmente nas áreas de Neurociência, TAB, TDAH, Depressão, Suicídio, Dependência Química, TAG e TEPT. Tratamento com acolhimento, informação, orientação e cuidados, sem preconceitos e julgamentos.
Formada em Apometria e Reiki

Instagram: @anaclaudiadelaetsegantine
TikTok:  Ana Claudia de Laet Segantine
Contato: (62) 98244-0724

 

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Dra. Ana Claudia de Laet Segantine é psicanalista e Mestra em Biociência.
“O doce passa. O afeto fica.”
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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