Morre
Rutger Hauer, o vilão de ‘Blade Runner’
Ator holandês foi intérprete de Roy Batty no filme clássico de 1982
O ator holandês Rutger Hauer, intérprete do vilão Roy Batty no filme Blade Runner: O Caçador de Androides
(1982) morreu aos 75 anos na última sexta-feira, 19.
Além do papel em Blade Runner, o ator participou de filmes como Sin City e Batman Begins. Hauer ainda
interpretou o personagem Niall Brigant na série de vampiros True Blood.
Uma carreira extensa e brilhante
No imaginário dos cinéfilos, ele será sempre o replicante de Blade Runner – O Caçador de Androides, e seu
desaparecimento na ficção científica de Ridley Scott, de 1982, também será para sempre um daqueles momentos
que o fã de cinema carrega pela vida. Podendo matar o caçador de androides interpretado por Harrison Ford,
Rutger Hauer deixa-o viver. O voo da pomba representa esse instante fugidio.
Nesta quarta, 24, a morte deixou de ser uma ficção para o ator holandês de 75 anos. Rutger Oelsen Hauer morreu
em sua casa, na Holanda, após uma breve enfermidade cuja natureza a família não divulgou. Embora deva muito de
seu mito ao replicante de Blade Runner, Hauer teve uma carreira muito mais extensa, e brilhante.
Nascido em Breukelen, nos Países Baixos, ingressou ainda adolescente numa trupe de teatro, na qual permaneceu
por cinco anos, até entrar, em 1969, para uma série que ficou muito popular em seu país, Floris. Ao vê-lo no
vídeo, o diretor Paul Verhoeven chamou-o para um papel em Turkish Delight, de 1973. Começou aí uma parceria
que prosseguiu com outros trabalhos importantes, como O Amante de Kathy Tippel, Soldado de Laranja e Spetters.
Verhoeven, o autor de Elle, com Isabelle Huppert, sempre foi um transgressor e, com ele, Hauer interpretou
ousadas cenas de sexo, incluindo homoerotismo.
Foram parar os dois em Hollywood, Hauer um pouco mais cedo, graças a Blade Runner; Verhoeven na sequência,
adquirindo projeção internacional como diretor de blockbusters. Em Hollywood, Hauer fez filmes como O Feitiço
de Áquila, de Richard Donner, com Michelle Pfeiffer; Conquista Sangrenta, o épico medieval de Verhoeven; e A
Morte Pede Carona, thriller de estrada de Robert Harmon, no qual fazia psicopata que assombrava o pobre C.
Thomas Howell, que o acolhia em seu carro.
Após esse filme, foi à Itália para fazer uma obra-prima de Ermano Olmi, A Lenda do Santo Beberrão, de 1989, um
filme tão intimista e espiritualizado que revelou ao mundo uma nova dimensão do talento de Hauer. Ele poderia
ter virado um ícone do cinema de arte. Preferiu voltar ao cinema de ação, com Fúria Cega, de Philip Noyce, no
papel de um deficiente visual invencível com sua espada.
Nos anos 2000, foi o dono da empresa Wayne Corp., em Batman Begins, de Christopher Nolan; e o corrupto
Cardinal Roark, que detinha o poder de Basin City no filme-gibi de Robert Rodriguez e Frank Miller, Sin City
–A Cidade do Pecado. Hauer teve uma fase mais recente como ator de terror, fazendo o Van Helsing de Drácula
3D, de Dario Argento, e o vampiro Barlow da minissérie A Mansão Marsten, baseada na obra de Stephen King. Para
permanecer na sua obra para TV, vale lembrar que ganhou um Globo de Ouro por Fuga de Sobibor, de Jack Gold, em
1987, e foi indicado de novo em 1994, por A Nação do Medo, de Christopher Menaul.
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