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Queda da Mulher forte da Venezuela

A mulher por trás do poder. Quem é Cilia Flores, a esposa que mandava em Maduro

O nome que o Brasil quase nunca ouviu, mas que sempre esteve no comando

Enquanto o Brasil discutia apenas Nicolás Maduro, uma figura muito mais influente operava longe dos holofotes, decidindo rumos, estratégias e sobrevivência do regime chavista.

Seu nome é Cilia Flores  ou, como ela mesma se definiu, a “primeira-combatente”.

A captura de Maduro pelas forças americanas, na madrugada de sábado (3), trouxe Cilia finalmente para o centro da cena.

Segundo a CNN, ela foi detida ao lado do marido, retirada do quarto por militares norte-americanos e levada a Nova York, onde ambos devem responder por acusações graves, incluindo conspiração e narcotráfico.

A informação foi confirmada também pela The Associated Press.

Para quem acompanha o chavismo de perto, a pergunta não é “quem é Cilia Flores?”, mas sim: como o Brasil demorou tanto para olhar para ela?

Muito além de primeira-dama: poder próprio, projeto próprio

Cilia nunca aceitou o papel decorativo tradicional.

Em 2013, foi o próprio Maduro quem deixou claro:

Ela não será primeira-dama. Esse é um conceito reservado aos ricos.

O título de “primeira-combatente” não era simbólico.   Era político.

Formada em  Direito pela Universidade Santa María, com especialização em direito penal e trabalhista, Cilia construiu uma carreira paralela — e muitas vezes superior — à do marido.

Enquanto Maduro ainda orbitava os bastidores do chavismo, ela já estava no núcleo duro do poder, sob a proteção direta de Hugo Chávez.

Foi Cilia quem integrou a equipe jurídica que defendeu os militares envolvidos na tentativa de golpe de 1992.

Foi ali que conheceu Maduro, então uma figura secundária, quase um guarda-costas do projeto bolivariano.

A ascensão:  do barraco ao topo do Estado

Nascida em 1956, em Tinaquillo, no estado de Cojedes, Cilia veio de origem humilde.

A família se mudou para Caracas ainda na infância, e dali em diante sua trajetória seguiu sempre em linha ascendente.

Deputada em 2000, reeleita, tornou-se a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional da Venezuela, cargo que ocupou por seis anos.

Liderou um parlamento praticamente sem oposição, fechou as portas da imprensa, concentrou poder e foi acusada de nepotismo,  inclusive pela contratação de dezenas de familiares.

Em 2012, Chávez a nomeou Procuradora-Geral da República.

Em 2013, com a morte do caudilho e a eleição de Maduro, Cilia consolidou o que já era fato: o poder passava por ela.

Controle político, mídia estatal e concentração de poder

Mesmo quando o chavismo perdeu a maioria legislativa em 2015, Cilia não recuou.

Abandonou a Assembleia Nacional e ingressou na Assembleia Nacional Constituinte, criada por Maduro como manobra para esvaziar a oposição e concentrar ainda mais poder.

Paralelamente, passou a comandar programas na mídia estatal:

“Con Cilia, en familia”, na televisão

“Decisiones”, no rádio oficial

Não era comunicação. Era doutrinação.

A família no centro das acusações

O nome de Cilia ganhou dimensão internacional em 2015, quando seus sobrinhos foram presos e acusados de tráfico internacional de drogas.

Segundo promotores americanos, eles teriam usado o hangar presidencial para enviar cerca de 800 quilos de cocaína com destino final aos Estados Unidos.

Cilia reagiu acusando Washington de “sequestro”.

Os sobrinhos foram condenados a 18 anos de prisão, libertados em 2022 por decisão do então presidente Joe Biden, dentro de um acordo diplomático.

Com o retorno de Donald Trump à Casa Branca, as sanções voltaram — e mais duras.

O silêncio brasileiro e a pergunta que incomoda

Cilia Flores sempre esteve ali.

Decidindo, influenciando, protegendo aliados e sustentando o regime por dentro.

Ainda assim, o debate brasileiro preferiu ignorá-la, tratando Maduro como uma figura isolada, quando na prática governava em dupla.

Agora, com ambos detidos, a história muda de tom e de urgência.

  • 👉 Por que o Brasil nunca discutiu o papel real de Cilia Flores?
  • 👉 Quantas decisões do chavismo passaram por ela sem que o público brasileiro soubesse?
  • 👉 E, diante desse novo cenário, quem mais pode ser exposto?

O Portal 7Minutos traz à tona uma história que poucos ousaram contar.

Porque entender o passado é essencial para compreender o que vem depois.

Por Gildo Ribeiro
Redação 7Minutos — Brasília

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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