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“Dessa vez DEIXA COMIGO”:

AMEAÇA DE FACADA contra FLÁVIO BOLSONARO mobiliza POLÍCIA & JUSTIÇA em JUIZ DE FORA

Suspeito foi alvo de busca e apreensão após comentário com emojis de faca; Justiça determina distância mínima de 500 metros do candidato.

Caso ganha dimensão ainda maior por ocorrer justamente na cidade onde Jair Bolsonaro foi esfaqueado durante a campanha de 2018

Uma mensagem publicada nas redes sociais colocou novamente Juiz de Fora, em Minas Gerais, no centro das preocupações com a violência durante uma campanha presidencial brasileira.

A Polícia Legislativa do Senado atuou neste sábado, 15 de agosto, contra um homem suspeito de publicar uma ameaça direcionada ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tem agenda de campanha prevista na cidade mineira.

O conteúdo que provocou a reação das autoridades era curto.

E justamente por isso chamou tanta atenção.

Em uma publicação no Facebook relacionada à passagem do candidato por Juiz de Fora, o homem escreveu:

“dessa vez deixa cmg”

A mensagem estava acompanhada de emojis de faca.

A referência imediatamente despertou preocupação porque Juiz de Fora carrega uma das lembranças mais traumáticas da história eleitoral recente do país: foi exatamente na cidade que Jair Bolsonaro sofreu o atentado a faca de 6 de setembro de 2018, quando disputava a Presidência da República.

A INTELIGÊNCIA DO SENADO IDENTIFICOU A POSTAGEM

Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, a ameaça foi identificada durante o trabalho de monitoramento realizado pela estrutura de inteligência da Polícia Legislativa do Senado, responsável também pela segurança do parlamentar.

Flávio Bolsonaro formalizou uma representação após tomar conhecimento do conteúdo.

A partir daí, iniciou-se a identificação do responsável pela conta utilizada na publicação.

As autoridades obtiveram judicialmente acesso aos dados necessários para avançar na investigação, com participação do Ministério Público e da Justiça de Minas Gerais.

A operação culminou no cumprimento de mandado de busca e apreensão em Juiz de Fora.

O suspeito foi levado para prestar depoimento e aparelhos eletrônicos foram apreendidos para análise.

JUSTIÇA IMPÕE DISTÂNCIA DE 500 METROS

Uma das decisões mais importantes foi a imposição de medidas cautelares destinadas a impedir qualquer aproximação entre o investigado e Flávio Bolsonaro.

O homem deverá permanecer a uma distância mínima de 500 metros do candidato.

Também deverá manter distância de locais relacionados à presença do senador e de seus compromissos públicos, conforme as restrições impostas judicialmente.

Há um detalhe que aumenta a preocupação das autoridades: segundo informações divulgadas pela imprensa, o investigado reside a aproximadamente 400 metros do ponto onde está prevista a realização do evento político.

O homem foi identificado pela imprensa como proprietário de um estúdio de tatuagem em Juiz de Fora.

Também foram relatados registros policiais anteriores envolvendo episódios como agressão, lesão corporal e ameaça.

O processo, entretanto, tramita sob sigilo, segundo informação atribuída pelo noticiário ao próprio Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Isso significa que detalhes adicionais da investigação e das provas reunidas não estão disponíveis publicamente neste momento.

NÃO HOUVE ATAQUE — HOUVE UMA AMEAÇA INVESTIGADA

É fundamental estabelecer essa diferença.

Até agora, não existe informação de que o suspeito tenha realizado uma tentativa física de atacar Flávio Bolsonaro.

Não houve aproximação armada registrada, ataque frustrado ou agressão contra o candidato.

O que existe é uma ameaça publicada na internet que as autoridades consideraram suficientemente grave para justificar investigação, busca e apreensão e medidas cautelares.

Essa distinção é fundamental para que um episódio extremamente sério não seja apresentado além daquilo que as evidências disponíveis permitem afirmar.

JUIZ DE FORA E A MEMÓRIA DE 2018

O contexto torna impossível ignorar a história.

Em 6 de setembro de 2018, Jair Bolsonaro caminhava entre apoiadores no centro de Juiz de Fora quando foi atingido por uma faca durante a campanha presidencial.

O episódio marcou definitivamente aquela eleição.

Oito anos depois, seu filho disputa a Presidência e prepara uma agenda justamente na mesma cidade.

Por isso, uma mensagem contendo a expressão “dessa vez deixa comigo”, acompanhada de símbolos de facas, naturalmente recebeu atenção especial dos responsáveis pela segurança.

A Justiça agora terá a responsabilidade de determinar, com base nas provas, o alcance e a natureza jurídica da conduta investigada.

VIOLÊNCIA NÃO PODE SER INSTRUMENTO ELEITORAL

Independentemente de partido, candidato ou posição ideológica, existe um limite que uma democracia não pode permitir que seja ultrapassado.

Divergência política é legítima. Violência política não é.

Candidatos devem poder entrar nas ruas, conversar com eleitores, participar de debates e realizar atos públicos sem que uma disputa democrática se transforme em ameaça à integridade física de quem concorre.

Da mesma forma, qualquer pessoa investigada tem direito ao devido processo legal, à defesa e à presunção de inocência enquanto não houver condenação definitiva.

Neste caso, a atuação rápida das instituições mostra justamente o funcionamento desse princípio: uma ameaça considerada séria é investigada antes que exista a possibilidade de se transformar em algo muito mais grave.

Juiz de Fora conhece melhor do que quase qualquer outra cidade brasileira o preço que a violência política pode cobrar.

Por isso, oito anos depois da facada que marcou a eleição presidencial de 2018, a nova ocorrência serve como um alerta para toda a campanha de 2026:

a disputa pelo voto precisa permanecer nas urnas — jamais chegar às armas ou às facas.

Há ainda um dado que merece atenção: este não é o primeiro episódio de ameaça contra Flávio Bolsonaro em 2026. Em março, o senador já havia registrado ocorrência depois que outra publicação sugeriu que ele sofresse algo semelhante ao atentado cometido contra seu pai em 2018.

Na ocasião, a Polícia do Senado classificou o registro como ameaça com “conotação política”

Sim. Já há identificação pública do investigado:

as reportagens deste fim de semana o identificam como Lauro Cesar Costa Junior, 41 anos, tatuador de Juiz de Fora.

O UOL informa que ele foi conduzido à delegacia no sábado (15), após a operação de busca e apreensão.

Porém, O 7Minutos fez também uma busca específica por fotografia real dele, e ainda nada foi encontrado uma imagem jornalística verificável que eu possa afirmar com segurança ser do investigado.

Esta reportagem poderá ser atualizada caso o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a Polícia Legislativa do Senado ou a Polícia Civil de Minas Gerais divulguem novas informações oficiais sobre a investigação.

 

Por Gildo Ribeiro
Editoria de Crimes Eleitorais em ano de Eleição
Redação Portal 7Minutos — Brasília

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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