Notícias : Brasil» Notícias

Revista Sociedade Militar

Debandada militar aumenta: Exército já perde um oficial a cada dois dias

Um oficial pede baixa a cada dois dias: debandada de militares é tema de estudo em várias universidades

Nas últimas três semanas, o Exército Brasileiro perdeu 12 oficiais, incluindo oficiais superiores.

A situação é equivalente a um desligamento de oficial a cada dois dias.

A tendência, que vem se intensificando nos últimos anos, voltou ao centro do debate entre militares da ativa e da reserva e – como já se observa na Marinha do Brasil e Força Aérea há alguns meses, a evasão não se restringe mais às patentes mais baixas, já chegou aos oficiais intermediários e superiores: mais um major, três capitães e sete primeiros tenentes pediram demissão no curto entre 16 de junho e 7 de julho de 2025, todos serão transferidos para a reserva não remunerada.

Detalhamento por oficial em portarias de publicadas no Diário Oficial da União de 16 de junho a 7 de julho de 2025
Major (1 oficial)
Maj Cav L. Rafael B. F.
Capitães (3 oficiais)
Cap Art C. José da R. R.
Cap QEM D. Barros A.
Cap QMB V. Rafael A. B.
Primeiros-Tenentes (8 oficiais)
1º Ten Art R. dos Santos S.
1º Ten QEM E. C. de Vasconcelos J.
1º Ten QEM U. Ferreira de S.
1º Ten QEM T. O. J.
1º Ten QEM L. C. Araújo
1º Ten QEM L. V. da F.
1º Ten Med D. G..C.

Em discussões entre militares em fóruns restritos de oficiais e graduados da reserva percebe-se um ambiente de preocupação crescente.

A remuneração é mencionada, mas não se aponta uma causa única para o problema, com criticas direcionadas à condução institucional das Forças Armadas nas últimas décadas e à ausência de diagnósticos francos, técnicos e profundos.

A maior parte das opiniões em fóruns de discussão entre militares pode ser resumida por apenas dois comentários abaixo

Suboficial x:

um militar que ingressa em uma academia militar de alto padrão, como AMAN ou ITA,

ou mesmo um que passa para a escola de sargentos do Exército ou FAB, tem condições de ser aprovado na maior parte dos vestibulares e concursos públicos do país.

Após formado e especializado dentro das instituições esse mesmo militar tem suas condições potencializadas e com certeza, ainda jovem,

na iniciativa privada ou mesmo em um outro cargo público, civil, pode receber remuneração bem maior, com mais liberdade de expressão, pensamento e progressão na carreira menos dependente da subjetividade de chefes… .

 

Ex-capitão x: … amigo (não eu, rs) ingressou no EB depois de passar o concurso super concorrido.

Sempre foi dedicado, mas logo veio a realidade… dez anos depois, com ótima formação, ainda não conseguia financiar um bom apartamento nem manter um carro com cinco anos de uso.

Sabia que poucos da turma chegariam ao generalato, quando se ganha então mais que 20 mil, e que isso nem sempre depende só de mérito.

A conta era simples, e ele a fez: Estudou, passou em outro concurso e hoje, ainda no início da nova carreira, já ganha o equivalente a um coronel.

Mas, o mais importante disso tudo, ele tem qualidade de vida.

Leva os filhos à escola, passa os fins de semana com a família e, principalmente, sente que está no controle da própria vida, sabe exatamente onde poderá chegar

A evasão de militares na mídia e na academia

A quantidade de notícias sobre evasão nas Forças Armadas continua a aumentar, com o uso de termos combinados como “evasão” e “militares”, a SERP responde com centenas de artigos em sites jornalísticos sobre a temática.

Entretanto, chama a atenção a crescente quantidade de estudos científicos que tentam identificar tanto as causas do fenômeno, apontado como um risco à segurança nacional, como as possíveis evoluções da situação.

Citamos, entre vários:

Predição de evasão de militares do Exército Brasileiro utilizando técnicas de machine learning – UNB, cuja Autora é Marcella Guarnieri Mercês e o texto Evasão voluntária de Militares De Carreira: Revisão Integrativa Nas Forças Singulares do Brasil e do Mundo – USP, elaborado por Daniele Guimarães Diniz Universidade Federal de Lavras (Ufla); Luiz Henrique de Barros Vilas Boas Universidade Federal de Lavras (Ufla) e Júlio César Mendes de Souza Instituto Federal de Educação, Ciência E Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais (Ifsemg)

O estudo apresentado no Fórum de Administração da USP da sugere uma abordagem profunda e estrutural para tratar do tema. Conduzido pelos trio de pesquisadores doutora Daniele Guimarães Diniz, doutor Luiz Henrique de Barros Vilas Boas, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), e o especialista em gerenciamento de empresas Júlio César Mendes de Souza, do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG), o trabalho aponta que as causas da evasão voluntária de militares de carreira do Exército, Marinha e Aeronáutica pode ir além da questão dos vencimentos e passar pela falta de identificação entre os profissionais e a instituição.

Segundo os autores, as Forças Armadas ainda operam sob uma lógica de gestão baseada na racionalidade instrumental, que prioriza a obediência e a hierarquia, tratando o indivíduo como um mero meio para fins organizacionais.

Essa visão se choca com o novo perfil do militar contemporâneo, mais escolarizado, crítico e orientado por valores pessoais e autonomia.

Salário baixo e propósitos diferentes = pedido de baixa

Quando não há compatibilidade entre a identidade individual e os valores praticados pela organização, o resultado é o enfraquecimento do comprometimento e o aumento da intenção de desligamento.

A pesquisa conclui que a retenção de talentos no meio militar depende, cada vez mais, do reconhecimento dessas tensões e da construção de um ambiente institucional mais aberto à participação, ao diálogo e à valorização do profissional enquanto sujeito ativo.

Colocação feita em um fórum de discussão entre militares no WhatsApp coincide com a visão dos especialistas acima, apontando a falta de um propósito comum entre os militares e as instituições armadas.

Desanima muito o fato do militar perceber que o que que está fazendo não é para o crescimento do país, nada a ver com defesa…

já vi muitas vezes coisas ridículas, que todo mundo via como ridículas, como mandar pintar um prédio inteiro que vai ser demolido porque o almirante tal vem aí, pintar um navio que vai ser usado como alvo…

são casos vistos pelo oficial ou pelo sargento do século XXI como coisas descabidas, não há mais obediência cega, pode haver obediência, para evitar stress ou problemas na carreira.

O militar tem que perceber que está fazendo algo útil.

Salário baixo, escalas apertadas, chefes que só pensam em promoção resultam numa sopa chamada pedido de demissão

Revista Sociedade Militar

Por Robson Augusto

Link original da matéria:

REVISTA SOCIEDADE MILITAR

Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal 7MINUTOS e fique por dentro das principais notícias de ANÁPOLIS, do BRASIL e do MUNDO siga aqui.

Siga o ‘ 7Minutos’ nas redes sociais

X (ex-Twitter)
Instagram
Facebook
Telegram
Truth Social 

Excerto de: Evasão voluntária de Militares De Carreira: Revisão Integrativa Nas Forças Singulares do Brasil e do Mundo – SEMEAD/USP
  • Fonte da informação:
  • Leia na fonte original da informação
  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

    Artigos relacionados

    Verifique também
    Fechar
    Botão Voltar ao topo