OPINIÃO DE RICARDO NOBLAT
Prisão de Jefferson é sinal dos tempos infames que o país vive
Governo e Congresso descem a ladeira sob o comando de Bolsonaro e do $entrão. A Justiça ainda resiste
Chamar Roberto Jefferson de “soldado da democracia”, como ele o fez, não é liberdade de expressão. No mínimo significa que Ramos não entende de democracia nem de soldado. Jefferson só obedece aos próprios interesses. Um soldado, às ordens de cima.
Ramos, hoje, é ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, desalojado da chefia
da Casa Civil com a entrada no governo do senador Ciro Nogueira (PI), o principal líder do
$entrão. O general está sempre pronto a servir a Jair Bolsonaro.
Jefferson, hoje, amanheceu preso no Rio, acusado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal, de atentar contra a democracia, de calúnia, injúria e difamação, e de
integrar uma organização criminosa. Cadeia não é algo estranho a ele.
Tampouco é ficar do lado errado da história. O ex-deputado foi da tropa de choque do presidente
Fernando Collor, cassado por corrupção. Em 1993, escapou de ser citado no relatório final da
CPI que investigou desvio de dinheiro do Orçamento da União.
Por não ter recebido, em 2005, dinheiro sujo prometido ao seu partido, o PTB, denunciou o
mensalão do PT, o pagamento a deputados para que votassem como mandava o governo, teve o
mandato cassado, foi condenado e preso.
Uma vez solto e recuperado de um câncer, reassumiu o comando do PTB, e como quer voltar à
Câmara, tornou-se um bolsonarista mais radical do que o presidente da República. Seu partido
está em decomposição, mas isso não lhe importa nem um pouco.
Agosto no Brasil é marcado por acontecimentos políticos trágicos. Em 1954, ameaçado por um
golpe militar, o presidente Getúlio Vargas suicidou-se. Em 1961, com apenas seis meses de
mandato, o presidente Jânio Quadros renunciou para dar um golpe.
O tiro no peito de Vargas adiou o golpe que se consumou 10 anos depois. A renúncia de Quadros
abriu caminho para a entrada em cena da ditadura de 64, que durou 21 anos, produziu mais de 400
mortos e desaparecidos e atrasou o desenvolvimento do país.
A prisão de Jefferson não está à altura da má fama que tem agosto por aqui. É produto de um
período medíocre da nossa história, do pior governo que o país já conheceu e de um Congresso
que envergonha seu passado. Só a Justiça ainda resiste à degradação.
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