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Aumentar a sua autonomia digital

Gilmar defende lei contra sanções estrangeiras a autoridades brasileiras

Ministro diz que tem tratado do assunto e que ele deve ser discutido pelo Congresso Magistrado afirma que país precisa reduzir sua dependência de empresas estrangeiras

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta terça-feira (30) que participa da discussão de um projeto de lei contra sanções estrangeiras a autoridades e entidades brasileiras.

A afirmação foi feita a jornalistas após uma palestra na qual o ministro defendeu que o Brasil discuta formas de aumentar a sua autonomia digital e reduzir a dependência das big techs.

Nós estamos nos debruçando sobre um debate de lei anti-embargos para proteger as autoridades

e também aquelas chamadas entidades que sofrem sanções secundárias, como bancos e prestadores de serviços,

disse Gilmar, depois de participar de um evento do grupo Lide, em Brasília.

 

É preciso entrar um pouco neste mundo e discutir isso, e acho que o Congresso é o locus adequado para esse tipo de proteção.

Gilmar citou punições que foram aplicadas a autoridades brasileiras, como a suspensão pelos Estados Unidos de vistos de ministros do Supremo e a aplicação da lei Magnitsky, que impõe sanções financeiras, ao ministro Alexandre de Moraes.

Ele disse que esse é um fenômeno que também está ocorrendo com autoridades europeias e, por isso, a necessidade de discussão do tema também no Brasil.

O ministro não explicou em detalhes como tem sido feita a discussão desse projeto e nem com quais pessoas do Congresso.

Antes, na palestra, Gilmar afirmou que o Brasil tem dependência crítica de empresas estrangeiras que controlam tecnologias estratégicas, como a infraestrutura 5G.

Também disse que mais de R$ 3 bilhões foram gastos em contratos públicos para soluções de nuvens e softwares licenciados por quatro conglomerados globais.

 

Essa concentração tecnológica transcende a economia e impacta diretamente a segurança nacional, ao expor informações estratégicas a algoritmos opacos e a jurisdições alheias.

Trata-se de um problema sistêmico, que ultrapassa o plano econômico. É a própria noção de soberania que está em jogo.

Aprovada inicialmente em 2012 na gestão Barack Obama e depois expandida em 2016, a Lei Magnitsky permite que o governo dos EUA imponha sanções financeiras e restrições de visto contra estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos.

O nome faz menção a Sergei Magnitsky, um advogado e auditor financeiro que, ao delatar uma fraude fiscal do governo da Rússia em 2008, foi preso e, quase um ano depois, morreu na cadeia.

A lei prevê dois tipos principais de sanções: pessoais de imigração, que correspondem a medidas como proibição de concessão de vistos e revogação de autorizações de entrada nos EUA, e financeiras.

Neste caso as principais sanções são o congelamento de bens nos EUA e a proibição de que cidadãos e empresas americanas façam negócios com os sancionados.

 

Por José Marques
Link original da matéria:

FOLHA DE SÃO PAULO

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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