Financiamento do genocídio
Polícia da França prende Félicien Kabuga, o “tesoureiro” do genocídio de Ruanda
Fugitivo há 25 anos, o empresário ruandês vivia em um apartamento em Asnières-sur-Seine, subúrbio da capital francesa, utilizando uma identidade falsa.
Considerado como o “tesoureiro do genocídio de Ruanda” e um dos principais réus ainda procurados pela Justiça internacional, Félicien Kabuga foi preso perto de Paris, anunciaram autoridades neste sábado (16).
Fugitivo há 25 anos, o empresário ruandês vivia em um apartamento em Asnières-sur-Seine, subúrbio da capital francesa, utilizando uma identidade falsa.
Kabuga, de 84 anos, é acusado de ter criado as milícias hutus Interahamwe, o principal braço armado do genocídio de 1994 que causou 800.000 mortes, segundo a ONU.
Ele era alvo de um mandado de prisão por parte do Mecanismo para Tribunais Penais Internacionais (MTPI), a estrutura encarregada de concluir os trabalhos do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR).
Segundo o comunicado das autoridades francesas, o empresário ruandês estava entre os
“fugitivos mais procurados do mundo”.
Sua detenção ocorreu durante uma operação realizada na madrugada de sábado, após uma longa investigação do Escritório Francês de Luta Contra os Crimes Contra a Humanidade, em colaboração com as polícias da Bélgica e do Reino Unido.
Os Estados Unidos ofereciam uma recompensa de até US$ 5 milhões pela captura de Kabuga.
“Ele residia em um apartamento de Asnières-sur-Seine com uma falsa identidade, graças a uma estrita organização e cumplicidade dos filhos”, indica a Promotoria de Paris em um comunicado.
Depois de ser entregue às autoridades judiciais, Kabuga passará por um processo de extradição diante de uma câmara do Tribunal de Apelações de Paris. Este órgão decidirá sua entrega ao MTPI em Haia para julgamento.
Financiamento do genocídio
Em 1994, Félicien Kabuga fazia parte do círculo próximo ao presidente ruandês, Juvénal Habyarimana, cujo assassinato em 6 de abril de 1994 foi o ponto de partida para o genocídio. Uma das filhas de Kabuga era casada com um filho de Habyarimana.
O “tesoureiro do genocídio” presidiu a Rádio Televisão Free Thousand Hills (RTLM), que transmitia chamadas para assassinar os tutsis, e o Fundo de Defesa Nacional (FDN), que coletava “fundos” para financiar a logística e as armas dos milicianos hutus Interahamwe, de acordo com a ata de acusação do TPIR.
Memória das vítimas
O secretário executivo da Comissão Nacional de Luta contra o Genocídio, Jean Damascène Bizimana, comemorou a prisão de Kabuga.
“É um passo que saudamos em memória das vítimas. Nós agradecemos também a cooperação da França, a polícia francesa e as instituições que estavam a cargo das investigações”, afirmou.
Para o promotor do MTPI, Serge Brammertz, a detenção de Kabuga mostra que
“os responsáveis pelo genocídio podem ser responsabilizados, mesmo 26 anos após seus crimes”,
disse o promotor do MTPI, Serge Brammertz.
By: RFI
Link original da matéria:
http://www.rfi.fr/br/mundo/20200516-pol%C3%ADcia-da-fran%C3%A7a-prende-f%C3%A9licien-kabuga-o-tesoureiro-do-genoc%C3%ADdio-de-ruanda
Anúncio sobre a busca internacional do empresário ruandês Félicien Kabuga em jornal do Quênia, em 2002. REUTERS/George Mulala/File Photo[/caption]



