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Monitorado por quase 20 dias

Procurado até fora do país: veja como polícia prendeu Cacai Toledo, acusado de matar empresário em Goiás

Segundo a investigação, Cacai passou por São Paulo, Minas Gerais e Paraguai enquanto estava foragido. Suposta rede de apoio será investigada.

 

Carlos César Savastano de Toledo, preso em Samambaia (DF) pela morte do empresário Fábio Escobar, foi monitorado por quase 20 dias, procurado em vários estados e até fora do país, informou a Polícia Civil. Os relatos da investigação apontam que o endereço onde o acusado foi preso foi entregue por meio de denúncia anônima. Segundo o delegado-geral da corporação, André Ganga, o dono da residência possuía um vínculo com a família de Cacai, como era conhecido.

“Foram feitas diligências em vários estados e até outros países. São Paulo, Paraná, Paraguai e Argentina. Retornamos para Brasília e fizemos buscas em várias residências até encontra-lo”, disse o delegado.

A defesa de Cacai disse que estava em acordo com as autoridades competentes para apresentar Carlos César Savastano de Toledo e a única exigência sempre foi de que a vida dele fosse protegida. Ainda segundo o advogado, Demóstenes Torres, Cacai teme “os verdadeiros mandantes do crime praticado contra Fábio Escobar” (veja a nota completa ao final da reportagem).

O acusado foi preso na segunda-feira (3). Segundo o delegado, Cacai não apresentou resistência no momento em que recebeu a voz de prisão.

Carlos Toledo estava foragido desde novembro, quando a Justiça o tornou réu pela morte de Fábio Escobar, que foi assassinado em 2021, em Anápolis. Ao ser perguntado sobre o trajeto feito pelo réu durante os sete meses, o delegado informou que Cacai passou provavelmente passou diversos estados do Brasil até chegar a Samambaia.

“O que podemos informar é que ele passou sim pelo estado de São Paulo, Minas Gerais e provavelmente também esteve no Paraguai, informou o investigador.
O investigador durante coletiva de imprensa ainda apontou a razão da Polícia Civil ter feito buscas em outros países.

“As buscas indicaram que ele poderia ter estado nesses países. Nós deslocamos todas as diligências pois haviam pessoas próximas a ele nessas unidades. Fomos até os locais e fizemos buscas”, disse André Ganga
A Polícia Federal informou que, de maneira regular, Cacai Toledo não havia saído do país por nenhum aeroporto. A informação de que o acusado estava em outro país, surgiu por meio de denúncia em Foz do Iguaçu (PR), que faz fronteira com o Paraguai.

Uma suposta rede de apoio, que o ajudou a fugir durante os sete meses, será agora alvo também da investigação e deve responder pelo crime de favorecimento pessoal. Lembrando que, o apartamento em que o acusado foi encontrado, pertencia a uma pessoa ligada a família de Cacai.

Ainda não há informações de como era a rotina do réu durante o tempo em que ficou escondido em Brasília.

Caso Fábio Escobar

A Polícia Civil (PC) concluiu que o empresário Fábio Escobar foi assassinado no dia 23 de junho de 2021 por vingança após ter denunciado desvios de dinheiro na campanha eleitoral de 2018 de Cacai, que é ex-presidente do partido Democratas.

Cacai foi coordenador da campanha política do partido ao governo do estado de 2018, em Anápolis.

Com a eleição de Ronaldo Caiado, ele ganhou o cargo de diretor administrativo da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego).

Em 2020, foi preso por suspeita de fraudes em licitações na companhia e perdeu o cargo.

Escobar trabalhou com o acusado durante a campanha de 2018. No ano seguinte, passou a denunciá-lo na internet por supostos desvios de dinheiro. Em um dos vídeos, Escobar mostrava o momento em que devolvia R$ 150 mil, que ele dizia ter recebido de Cacai como suborno para que ele parasse com as denúncias (assista acima). Para a investigação, essas desavenças motivaram o assassinato do empresário.

“O dinheiro de vocês está aqui, ninguém me compra não. Pode colocar pistoleiro, pode colocar o que for. O dinheiro que vocês me mandaram está aqui”, diz ele no vídeo.

O pai de Escobar disse em entrevista à TV Anhanguera que o filho tinha muitas informações sobre supostos desvios de dinheiro. José Escobar disse também que o filho chegou a ser ameaçado por uma pessoa ligada a Cacai.

Essa não foi a primeira vez que o meu filho foi seguido por PMs disfarçados.

Eu sempre alertei que isso ia acabar do jeito que acabou, porque ele estava mexendo com gente muito perigosa e muito endinheirada.

A morte do meu filho foi encomendada por políticos, pago por políticos, acobertado por políticos,

disse o pai do empresário.

Segundo a polícia, Cacai, junto com Jorge Caiado, que tem prestígios na Secretaria de Segurança Pública (SSP), usou da proximidade com policiais militares para planejar e matar Escobar.

Eles teriam aliciado agentes para executarem o assassinato e prometido promoções por “ato de bravura”.

A polícia apurou que, dois dias antes do assassinato do empresário, o PM Welton da Silva habilitou uma nova linha em um celular furtado por policiais, se passou por um “Fernando” e, por mensagens, tentou fechar negócios com Escobar.

A investigações concluíram que o policial matou o empresário.

Réus

Além de Cacai Toledo, três policiais militares foram denunciados pelo MP pela morte de Fábio Escobar. Eles se tornaram réus pelo crime de homicídio qualificado.

A decisão da Justiça foi assinada por três juízes de Anápolis na última segunda-feira (19). O crime aconteceu em junho de 2021, em Anápolis, a 55 km de Goiânia.

O g1 não localizou a defesa dos policiais Glauko Olívio de Oliveira, Thiago Marcelino Machado e Erick Pereira da Silva, que foram indiciados pelo crime.

As investigações da Polícia Civil terminaram em novembro de 2023 e concluíram que Cacai foi o “autor intelectual” do homicídio de Escobar, tendo sido o responsável por organizar o crime. Além dele, os três policiais militares têm ligação direta com a morte do empresário, segundo o inquérito.

Nota da defesa de Cacai na íntegra:

“A defesa informa que estava em tratativas com as autoridades competentes para apresentar Carlos César Savastano de Toledo, cuja única exigência sempre foi de que sua vida seja protegida.

Ele teme, com razão, os verdadeiros mandantes do crime praticado contra Fábio Escobar.

Agora, com o cumprimento do mandado de prisão, confia que sua integridade seja preservada pelas forças de segurança pública, Ministério Público e Poder Judiciário.”Por Gustavo Cruz, g1 Goiás


Jorge Caiado (à esquerda), Carlos César Savastano Toledo, conhecido como Cacai (meio), e o empresário morto a tiros, Fábio Alves Escobar Cavalcante (lado direito) — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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