goianos pedem o retorno de Perillo
Suplentes do MDB pedem filiação de Marconi e expõem racha no partido de Daniel Vilela
Um movimento articulado por suplentes de vereador do MDB em Goiânia está agitando o cenário político goiano.
A iniciativa, que pede o retorno do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) às fileiras emedebistas para a disputa pelo governo estadual, foi inicialmente noticiada por Caio Henrique Salgado na coluna Giro do jornal O Popular, e posteriormente detalhada em um release enviado pela assessoria de Perillo.
O ato não apenas resgata a antiga filiação de Marconi ao partido, mas também evidencia uma fissura na base do vice-governador Daniel Vilela, pré-candidato ao governo com o apoio do governador Ronaldo Caiado.
O que começou como uma nota na imprensa local ganhou corpo e contornos de uma dissidência organizada.
Nesta segunda-feira (8), um grupo de emedebistas e “iristas” históricos de Goiânia formalizou a criação do movimento “Volta, Marconi”, entregando ao ex-governador um manifesto que solicita sua filiação imediata ao MDB.
O documento, aprovado por unanimidade pelo grupo, representa a vontade de uma ala do partido que se sente órfã de uma liderança com o perfil do ex-prefeito e ex-governador Iris Rezende.
O grupo é composto por figuras conhecidas da política goianiense, incluindo os ex-vereadores e suplentes Anderson Sales – Bokão, Bill Guerra Moehlink, Dr. Gian, Kleybe Morais, Lucila do Recanto, Silvio Vaz e Sandes Jr.
Juntos, eles representam uma força política expressiva, somando mais de 15 mandatos eletivos e um capital de mais de 40 mil votos apenas nas eleições municipais de 2024.
A leitura do manifesto coube a Kleybe Morais, uma das principais vozes do movimento.
A nossa vontade, como emedebistas, é que o governo de Goiás volte a ser comandado por um emedebista.
Mas não é qualquer emedebista.
Queremos alguém do mesmo perfil de Iris Rezende: arrojado, visionário, administrador nato, tocador de obras.
E ninguém em Goiás tem essas qualidades a não ser Marconi Perillo,
declarou Kleybe, estabelecendo uma comparação direta entre os dois ex-governadores e sugerindo que o partido carece de um nome com tal envergadura.
Kleybe Morais foi além, afirmando que a história recente de Goiás se confunde com as administrações de Iris e Marconi.
Se você pegar as obras do Estado e tirar o que Iris e Marconi fizeram, sobra o quê?
Se colocar uma lupa em Goiânia, aí é mais gritante ainda, provocou, reforçando a narrativa de que ambos foram os grandes responsáveis pelo desenvolvimento estruturante do estado.
O manifesto não se ateve a elogios genéricos.
O documento lista uma série de obras e programas emblemáticos dos governos de Marconi Perillo, como o Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), os Centros de Referência e Excelência em Dependência Química (Credeqs), o Centro Cultural Oscar Niemeyer, a Barragem João Leite, a duplicação das principais rodovias que dão acesso a Goiânia, os Restaurantes Populares, os hospitais regionais, os colégios militares, o programa Vapt Vupt, a ampliação do saneamento básico e a criação da Bolsa Universitária.
Ao receber o documento, Marconi Perillo agradeceu a manifestação de confiança e fez questão de ressaltar seu próprio vínculo histórico com o MDB, partido pelo qual iniciou sua trajetória política.
Ele lembrou sua militância durante a Assembleia Nacional Constituinte, o movimento das Diretas Já e a Aliança Democrática.
Fico feliz em poder reconhecer o trabalho que Iris fez e que o MDB fez em Goiás, discursou.
O ex-governador afirmou que encaminhará o pedido ao ex-presidente Michel Temer e ao presidente nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi.
Contudo, ponderou sobre os obstáculos internos, em uma clara alusão ao controle exercido por Daniel Vilela no diretório estadual.
Se o MDB de Goiás não tivesse dono, seria bem mais fácil.
Vocês sabem que o MDB tem dono.
Mas saibam que esse gesto de vocês será levado na mais alta consideração, disse Marconi, que concluiu reforçando seu respeito ao legado de Iris Rezende e afirmando que mantém as portas abertas do PSDB para os emedebistas e iristas que buscam construir um novo ciclo político em Goiás.
Análise do editor: As peças no tabuleiro de 2026
A iniciativa dos suplentes do MDB, embora parta de um grupo sem mandato atualmente, carrega um simbolismo político profundo e expõe as complexas fraturas internas do partido.
O movimento pode ser interpretado sob duas óticas principais, que não são mutuamente excludentes.
A primeira é a da insatisfação de uma ala histórica do MDB, os chamados “iristas”, que se sentem sub-representados ou ideologicamente distantes da atual direção do partido, comandada por Daniel Vilela.
Esse sentimento de abandono leva o grupo a buscar em Marconi uma figura que, a seu ver, melhor encarna o legado de “tocador de obras” e a audácia política de Iris.
Por outro lado, é impossível desassociar o episódio de uma estratégia calculada do próprio Marconi Perillo.
Ao acolher o movimento e dar-lhe visibilidade, Marconi joga luz sobre uma crise interna no partido de seu principal adversário na corrida pelo governo em 2026.
Ele não apenas se posiciona como uma alternativa viável, mas também como um líder capaz de aglutinar descontentes e herdar o espólio político do irismo.
A menção de que “o MDB tem dono” é um recado direto a Daniel Vilela, sinalizando que seu controle sobre a legenda não é absoluto e que há forças internas dispostas a buscar outros caminhos.
A jogada, portanto, serve para desestabilizar o adversário, testar a lealdade de suas bases e se apresentar como o verdadeiro sucessor do legado desenvolvimentista que marcou as grandes administrações do MDB no passado.
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