fatores que influenciam no cálculo

Por que certos vinhos podem custar fortunas enquanto outros são tão baratos?

Caso de adolescente que fez sangria com vinho de R$18 mil comoveu muitos bebedores e intrigou alguns dessabidos: como que uma garrafa pode custar tanto dinheiro?

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Há algumas semanas, uma notícia fez arrepiar enófilos em todo o mundo: uma adolescente de Madri, durante uma festa em casa com amigos, pegou um legítimo Petrus da adega do pai e preparou uma sangria – típico drinque espanhol que leva frutas picadas, refrigerante e vinho. Que  foi guardado por 17 anos e custou 2.500 euros (cerca de 18 mil reais). (Foto: divulgação)

Há algumas semanas, uma notícia fez arrepiar enófilos em todo o mundo: uma adolescente de Madri, durante uma festa em casa com amigos, pegou um legítimo Petrus da adega do pai e preparou uma sangria – típico drinque espanhol que leva frutas picadas, refrigerante e vinho

. O rótulo da safra 1999, o ano de nascimento da menina, foi guardado por 17 anos e custou 2.500 euros (cerca de 18 mil reais).

“Eu estou arrasado porque, depois de guardá-lo por anos, eu nem pude prová-lo. E o mais trágico é que nem os garotos, pelo menos não apropriadamente”, lamentou Pete Jones, em entrevista ao jornal Olive Press.

Mas quais são os critérios que tornam esse Petrus, elaborado com a uva merlot pela lendária vinícola de Bordeaux (França), tão mais valorizado que um rótulo também de merlot, mas de uma vinícola da Itália ou do Chile e facilmente encontrado por dez ou 15 euros?

Existem fatores que influenciam no cálculo das cifras:

o primeiro, e talvez mais importante, é o terroir – palavra usada para designar a relação entre solo e microclimas de uma região. Terroirs consagrados, como Bordeaux, Champagne e Borgonha, todas na França, são mais favoráveis no cultivo de uvas. Dados divulgados pela agência francesa Safer revelaram que o preço médio do hectare em Pomerol, onde o tal

Petrus é fabricado, é de 1,8 milhão de euros – os melhores vinhedos podem ser vendidos por até 3,6 milhões de euros.

Por serem territórios limitados, nos quais as vinhas rendem poucos cachos (o que melhora ainda mais o vinho, pois concentra mais compostos químicos naturais à fruta), a quantidade de garrafas produzidas é escassa. Aí, aplica-se a lei da oferta e da procura: a demanda mais alta inflaciona o preço.

A mão de obra humana é outra condição que impacta no valor do produto, uma vez que, em muitas dessas vinícolas de prestígio, a colheita é manual e deve ser ultra-qualificada. Soma-se outros custos de produção, como barricas de carvalho para o amadurecimento do vinho (cada um pode custar até mil euros), desastres meteorológicos que podem arrasar com o trabalho de um ano inteiro e, obviamente, o bom marketing.

É claro que a qualidade dessas bebidas é inquestionável. Mas isso não anula o bom trabalho de vinícolas que vendem seus produtos, os chamados vinhos para o dia a dia, por 50 reais ou 100 reais. Mas, se você quiser provar algumas relíquias, aqui estão algumas sugestões de casas que oferecem uma experiência estrelar!

Terraço Itália
Ponto turístico de São Paulo que celebra a cozinha toscana, o complexo de restaurante, bar e salões de eventos tem uma carta de vinhos à altura. A carta é elaborada há mais de 30 anos pelo sommelier Francisco Everardo de Freitas, carinhosamente chamado de Freitas. Com mais de 200 rótulos, a adega “busca representar a essência do restaurante”, diz ele. Destaque para o alta gama Sassicaia Tenuta San Guido 2015, uma explosão de frutas negras e vermelhas maduras e elegância ímpar. É estruturado de taninos macios e acidez suculenta. Perfeito para acompanhar o filé com lâminas de trufas negras e risoto à parmegiana.

Fasano
Desde 1982, é referência de alta gastronomia italiana, aliando o serviço impecável e a cozinha de excelência comandada pelo chef Luca Gozzani. À frente dos vinhos está Manoel Beato, o sommelier executivo do grupo, uma celebridade no ramo – ele experimenta em torno de 20 mil amostras de vinho por ano para trazer a melhor seleção aos seus clientes. Ali, apresenta uma variedade de Châteaux, Barolos e Brunellos coletados durante viagens pelas regiões vinícolas da Itália e França. Como o Brunello di Montalcino Riserva Bueno Cipresso 2008, uma obra-prima produzida apenas em safras excepcionais, vinificada pelo mestre e winemaker Roberto Cipresso. O par perfeito para a Costela de Wagyu grelhada e glaceada no orégano.

Origem
Fora do eixo Rio-São Paulo, esta casa de alta gastronomia fica em Salvador (BA) e é comandada pelo chef Fabrício Lemos, também à frente do restaurante Ori e do minibar Gem. Ali, o menu é mutável, respeitando o ciclo natural dos ingredientes e priorizando o que há de mais fresco entre os produtores. Com foco nos cinco biomas da Bahia e em um menu de 14 etapas, brilham a Lagosta com mini arroz verde e creme de shitake e o Cabrito defumado com pirão de leite, brócolis e cuscuz com licuri (uma castanha da caatinga). Para parear, cada prato tem uma taça perfeita, mas a carta conta com rótulos como o espumante Cremant de Bourgogne Rosé Brut François Labet, da Borgonha e 100% pinot noir, e o tinto espanhol Numanthia, elaborado com a uva tempranillo.

 

By: Marjorie Zoppei – CNN Viagem & Gastronomia

Escolheu o jornalismo ainda na adolescência, mas foi apresentada à gastronomia por acaso. Com passagem pela Editora Abril e Folha de S.Paulo, atualmente é diretora de redação da revista Sociedade da Mesa, publicação do clube de vinhos pioneiro no Brasil. É daquelas pessoas que têm sempre uma taça em mãos e disposição para descobrir o que está por vir. Siga em @mzoppei, no Instagram.

Link original da matéria:
https://viagemegastronomia.cnnbrasil.com.br/curiosidades/por-que-certos-vinhos-podem-custar-fortunas-enquanto-outros-sao-tao-baratos/

Brunello di Montalcino Riserva Bueno Cipresso (Foto: divulgação)

Filé com lâminas de trufas negras e risoto à parmegiana. (Foto: divulgação)

Sassicaia Tenuta San Guido (Foto: divulgação)

Cabrito defumado com pirão de leite, brócolis e cuscuz com licuri. (Foto: divulgação)


Cremant de Bourgogne Rosé Brut François Labet (Foto: divulgação)

Marjorie Zoppei é jornalista e amante de descobrir os melhores vinhos ao redor do mundo (Foto: divulgação)

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