A criação do DCA
Anápolis precisa reconhecer sua própria voz
A criação do Dia do Cinema Anapolino é uma urgência cultural
Mais do que uma homenagem, a proposta é um chamado para que a cidade enxergue, valorize e fortaleça o cinema que já nasce e resiste dentro dela
Anápolis produz cinema.
A questão é: por que a própria cidade ainda age como se isso não existisse?
Essa é uma pergunta incômoda e precisa ser.
Porque toda cidade que ignora sua produção artística também escolhe, conscientemente ou não, silenciar sua própria identidade.
Fala-se muito sobre desenvolvimento, progresso, crescimento urbano, investimentos, indústria, comércio, logística.
Tudo isso importa.
Mas uma cidade não é feita apenas de concreto, cifras e discurso oficial.
Uma cidade também é feita de memória, imaginação, crítica, sensibilidade e expressão.
E é exatamente aí que o cinema entra.
Criar o DCA Dia do Cinema Anapolino não seria apenas estabelecer uma data no calendário municipal.
Seria reconhecer, de forma pública, institucional e simbólica, que Anápolis também pensa, sente, registra, denuncia, emociona e se conta através do audiovisual.
E isso já acontece há muito tempo.
A arte não pede licença para existir mas merece ser reconhecida
O que é arte?
Para além dos conceitos acadêmicos, essa é uma pergunta que nunca terá apenas uma resposta.
E talvez seja justamente aí que resida sua força.
A arte pode ser abrigo, denúncia, espelho, memória, grito, cura, confronto ou beleza.
Para cada pessoa, ela encontra uma forma distinta de tocar, inquietar ou transformar.
No entanto, há algo que é inegável:
- quando uma sociedade deixa de valorizar sua arte, ela também enfraquece sua capacidade de refletir sobre si mesma.
O cinema está no centro dessa discussão.
E para surpresa de alguns — ou descaso de outros — existe cinema produzido em Anápolis.
E não se trata de um caso isolado, passageiro ou improvisado.
Há décadas, realizadores, roteiristas, diretores, atores, atrizes, técnicos, produtores e agentes culturais vêm construindo, muitas vezes com poucos recursos e muita resistência, um verdadeiro patrimônio audiovisual na cidade.
São obras que abordam os mais variados temas:
- família,
- violência,
- fé,
- desigualdade,
- juventude,
- periferia,
- identidade,
- memória,
- política,
- cultura popular,
- medo,
- sonho e r
- ealidade.
Ou seja: o cinema anapolino não é um capricho artístico. É uma ferramenta viva de leitura social.
A pergunta que incomoda: você conhece os filmes produzidos em Anápolis?
- Essa é a pergunta que precisa ser feita em voz alta:
- Você conhece os filmes produzidos em Anápolis?
- Se a resposta for “não”, o problema talvez não esteja na ausência de produção.
- O problema está na ausência de visibilidade.
- E isso muda tudo.
Porque uma cidade pode até ter artistas talentosos, obras relevantes e movimentos culturais pulsantes.
Mas se não cria mecanismos para difundir, preservar, celebrar e aproximar essas produções da população, ela condena seus próprios criadores à invisibilidade.
E invisibilidade, na prática, é uma forma de abandono.
- Não basta dizer que a cultura é importante em discursos de ocasião.
- É preciso criar caminhos reais para que ela chegue às pessoas.
É nesse ponto que o Dia do Cinema Anapolino deixa de ser apenas uma ideia bonita e passa a se tornar uma proposta concreta, inteligente e necessária.
Criar o DCA é criar pertencimento
O Dia do Cinema Anapolino pode e deve nascer como uma data de mobilização cultural, educacional e cidadã.
Mais do que um ato simbólico, a criação dessa data abriria espaço para ações permanentes no âmbito municipal, como:
- exibições de filmes anapolinos nas escolas;
- debates sobre cultura, identidade e território;
- rodas de conversa com cineastas locais;
- sessões públicas em centros culturais, praças e instituições;
- mostras temáticas sobre a história audiovisual da cidade;
- valorização de produções independentes feitas por artistas locais;
- ações de formação para jovens e estudantes interessados em audiovisual.
Ou seja: não se trata apenas de “celebrar o cinema”.
Trata-se de colocar Anápolis diante de si mesma.
Porque quando um estudante assiste a um filme feito na sua cidade, com personagens que falam como ele, vivem como ele, atravessam ruas que ele conhece e enfrentam dilemas que fazem parte da sua realidade, algo poderoso acontece:
- ele deixa de se ver apenas como espectador do mundo e passa a se entender como parte dele.
- Isso é educação.
- Isso é cidadania.
- Isso é cultura pública de verdade.
Cinema também é política pública e já passou da hora de Anápolis entender isso
Há um erro recorrente em muitas gestões públicas: tratar arte e cultura como enfeite institucional.
Como se cultura fosse algo “secundário”, “acessório”, “decorativo”.
- Não é.
A cultura é uma das formas mais profundas de uma cidade se compreender, se posicionar e se projetar.
O cinema, especificamente, é uma das linguagens mais potentes do nosso tempo.
Ele educa, emociona, denuncia, conecta gerações, documenta histórias e amplia repertórios.
E mais: o audiovisual também movimenta economia criativa, formação técnica, turismo cultural, geração de renda e valorização territorial.
Então a pergunta correta não é:
“Por que criar o Dia do Cinema Anapolino?”
A pergunta correta é:
“Por que ainda não criaram?”
Se Anápolis quer ser reconhecida como uma cidade relevante, moderna, criativa e conectada com o futuro, precisa começar a olhar com seriedade para aquilo que já está sendo produzido dentro de casa.
Ignorar o cinema local não é neutralidade.
É atraso.
Anápolis não pode continuar exportando talento e importando reconhecimento
- Essa talvez seja uma das feridas mais antigas da cultura local:
muitos talentos só passam a ser levados a sério quando são reconhecidos fora.
É um vício brasileiro, mas também um problema profundamente municipal.
Quantos artistas, cineastas e agentes culturais de Anápolis já produziram com qualidade, consistência e impacto, mas ainda seguem à margem do reconhecimento institucional?
Quantas histórias importantes foram contadas sem que a cidade lhes desse o devido espaço?
Quantas obras nasceram aqui, emocionaram públicos, circularam em festivais, tocaram pessoas e mesmo assim seguem praticamente desconhecidas por grande parte da própria população?
- Isso precisa mudar.
- E não vai mudar apenas com boa vontade ou discursos em datas comemorativas.
- Vai mudar quando houver decisão política, apoio cultural e compromisso coletivo.
O DCA Dia do Cinema Anapolino pode ser um primeiro passo histórico nessa direção.
- Mais do que uma data, um gesto de respeito à memória e ao futuro
- Toda cidade escolhe o que quer preservar.
- E essa escolha revela muito sobre quem ela é.
Criar o Dia do Cinema Anapolino é dizer que a memória audiovisual de Anápolis importa.
- É afirmar que seus realizadores não são invisíveis.
- É reconhecer que o cinema feito aqui também faz parte do patrimônio simbólico da cidade.
- Mas há algo ainda mais importante:
- essa proposta não olha apenas para o passado — ela planta futuro.
Porque toda política de valorização cultural também envia uma mensagem para a juventude:
- “Sua arte tem lugar aqui.”
- “Sua história merece ser contada.”
- “Sua cidade pode ser cenário, tema, voz e tela.”
E isso muda destinos.
- A quem cabe ajudar?
- Às pessoas certas — e elas sabem quem são
- Toda causa cultural precisa de três coisas para sair do papel:
- visão, coragem e articulação.
Por isso, a criação do Dia do Cinema Anapolino não depende apenas de quem faz cinema.
Ela também exige o apoio das pessoas certas:
- de quem ocupa espaços de decisão;
- de quem tem poder de articulação institucional;
- de quem pode transformar demanda cultural em política pública;
- de quem entende que investir em arte não é gasto, é construção de cidade.
Secretarias, conselhos, vereadores, educadores, produtores, comunicadores, lideranças culturais, empresários comprometidos com identidade local e representantes públicos que ainda compreendem o valor da cultura:
todos têm responsabilidade nesse debate.
Porque se Anápolis pode apoiar feiras, datas comemorativas, campanhas e ações de diversos setores, também pode e deve abrir espaço oficial para o cinema produzido em sua própria terra.
- O que falta não é justificativa.
- Falta decisão.
- O DCA precisa nascer agora
A criação do DCA — Dia do Cinema Anapolino é mais do que pertinente.
- É necessária.
- É justa.
- É estratégica.
- E, acima de tudo, é urgente.
Não porque o cinema precise de permissão para existir ele já existe.
Mas porque Anápolis precisa, finalmente, ter maturidade para reconhecê-lo.
Uma cidade que não valoriza seus artistas corre o risco de se tornar apenas um território funcional, mas sem alma.
E uma cidade sem alma pode até crescer no mapa — mas diminui em significado.
Está na hora de mudar isso.
Está na hora de criar uma data que celebre, provoque, eduque e mobilize.
Está na hora de fazer com que os filmes produzidos em Anápolis cheguem aos olhos, às escolas, aos debates, às políticas públicas e ao coração da cidade.
Porque o cinema anapolino existe.
- Resiste.
- E merece ser visto.
- Anápolis exige o Dia do Cinema Anapolino.
- Sugestão de chamada curta para redes / destaque da matéria
Se Anápolis produz cinema, por que a cidade ainda não criou o Dia do Cinema Anapolino?
A arte local existe, resiste e precisa deixar de ser invisível.
O DCA não é favor — é reconhecimento.
Por Gildo Ribeiro
Editoria Portal 7Minutos
O Portal 7Minutos deseja a todos um bom dia pic.twitter.com/76cDh70cEI
— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) December 15, 2025
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