7 DE SETEMBRO — 2026
O BRASIL que vai ÀS RUAS e o BRASIL que OBSERVA
Entre o desfile oficial de Brasília e a multidão mobilizada em São Paulo, o Dia da Independência de 2026 volta a revelar muito mais do que cerimônias: mostra um país politicamente mobilizado e às portas de uma eleição decisiva.
Há datas que pertencem ao calendário.
E há datas que pertencem à memória de uma nação.
O 7 de Setembro pertence às duas.
Nesta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, o Brasil comemora 205 anos da Independência, proclamada em 1822.
Mais de dois séculos depois, gerações completamente diferentes continuam reunidas sob os mesmos símbolos: a Bandeira Nacional, o Hino, as Forças Armadas, as cores verde e amarela e, principalmente, a ideia de que existe algo maior do que qualquer governo — o próprio Brasil.
Foi justamente por isso que as imagens vindas de Brasília e de São Paulo despertaram tanta atenção ao longo deste feriado.
Na capital federal, o tradicional desfile cívico-militar ocorreu na Esplanada dos Ministérios.
O tema oficial escolhido para 2026 foi “Soberania — A força que une o Brasil”, acompanhado de outros dois eixos:
- o enfrentamento à violência contra meninas e mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027.
Participaram da cerimônia representantes das Forças Armadas, forças de segurança e autoridades dos Três Poderes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin e de integrantes do governo.
Também compareceram os presidentes da Câmara, Hugo Motta, do Senado, Davi Alcolumbre, e do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.
Mas existe uma questão que merece atenção.
BRASÍLIA: AS IMAGENS E OS NÚMEROS
Quem acompanhou determinadas imagens da transmissão de Brasília pôde ter a impressão, em alguns enquadramentos, de espaços pouco ocupados.
Entretanto, é necessário separar a impressão produzida por uma imagem daquilo que pode ser afirmado como fato.
A organização havia previsto inicialmente cerca de 30 mil espectadores.
Depois do evento, a Secretaria de Comunicação da Presidência informou uma estimativa de aproximadamente 70 mil pessoas ao longo da Esplanada durante toda a programação.
Portanto, seria incorreto afirmar que Brasília esteve “sem público”.
Isso não impede, entretanto, uma análise das imagens, da distribuição desse público pela enorme área da Esplanada e, sobretudo, da diferença de natureza entre a cerimônia oficial da capital e a mobilização política ocorrida algumas horas depois em São Paulo…
Porque foi na Avenida Paulista que o 7 de Setembro ganhou outra dimensão.
SÃO PAULO TRANSFORMA O 7 DE SETEMBRO EM ATO POLÍTICO
Na Paulista, milhares de brasileiros atenderam à convocação de uma manifestação organizada por setores da oposição.
Ali não havia apenas comemoração cívica.
- Havia política.
- Havia campanha.
- Havia críticas ao governo Lula e ao ministro Alexandre de Moraes.
- Havia manifestações de apoio ao ministro André Mendonça.
E havia, acima de tudo, uma demonstração de capacidade de mobilização popular em pleno ano eleitoral.
A Avenida Paulista voltou a ser ocupada por bandeiras brasileiras e por uma multidão que decidiu utilizar justamente o Dia da Independência para manifestar suas posições políticas.
É uma imagem poderosa independentemente de concordância ou discordância com aqueles que estavam sobre o palanque.
- Democracia também é isso.
É permitir que cidadãos ocupem pacificamente as ruas, defendam ideias, critiquem governos, apoiem candidatos e expressem suas convicções.
MAS O 7 DE SETEMBRO É MAIOR QUE LULA, BOLSONARO, FLÁVIO OU QUALQUER PARTIDO
Talvez esta seja a reflexão mais importante deste dia.
- Governos passam.
- Presidentes passam.
- Ministros passam.
- Congressistas passam.
Partidos surgem, crescem, vencem eleições, perdem eleições e algumas vezes desaparecem.
O Brasil permanece.
Muito antes das disputas políticas de 2026, milhões de brasileiros já haviam comemorado o 7 de Setembro.
- Nossos avós comemoraram.
- Nossos pais comemoraram.
Muitos de nós, ainda crianças, marchamos diante de escolas carregando pequenas bandeiras verde-amarelas.
E provavelmente nossos filhos, netos e bisnetos continuarão celebrando esta data quando todos os personagens da política atual forem apenas capítulos nos livros de História.
É justamente essa dimensão histórica que não pode ser perdida.
- O Brasil não pertence a um presidente.
- Não pertence à direita.
- Não pertence à esquerda.
- Não pertence ao Congresso.
- Não pertence ao Supremo.
- O Brasil pertence aos brasileiros.
INDEPENDÊNCIA NÃO É APENAS UMA PALAVRA
Quando uma criança pergunta por que não há aula em 7 de Setembro, temos diante de nós uma oportunidade extraordinária.
É possível simplesmente responder:
- Porque é feriado.
Ou podemos dizer:
Porque este é o aniversário da Independência do nosso país.
E explicar que milhões de pessoas viveram antes dela, construíram cidades, trabalharam, produziram, lutaram, erraram, acertaram e deixaram uma nação que agora está nas mãos de uma nova geração.
Esse sentimento de pertencimento talvez seja uma das maiores riquezas de uma sociedade.
Patriotismo não deveria significar submissão a um político.
- Deveria significar compromisso com o país.
- Com sua liberdade.
- Com sua democracia.
- Com suas instituições.
- E principalmente com seu povo.
A PAULISTA É UM TERMÔMETRO — NÃO UMA URNA
Existe ainda uma tentação inevitável neste 7 de Setembro de 2026: olhar para as multidões e tentar antecipar o resultado das próximas eleições.
- O tamanho de uma manifestação tem significado político.
- Mostra capacidade de mobilização.
- Mostra entusiasmo.
- Mostra organização.
Mostra que determinado grupo consegue retirar seus apoiadores de casa e levá-los às ruas.
- Tudo isso interessa profundamente a qualquer campanha eleitoral.
- Mas existe uma diferença fundamental:
- manifestação não é eleição.
A eleição será decidida pelo voto secreto de milhões de brasileiros espalhados por mais de 5.500 municípios.
A Avenida Paulista pode enviar um recado poderoso ao Palácio do Planalto e aos adversários políticos.
Brasília pode produzir outro.
Mas nenhuma avenida brasileira, sozinha, substitui as urnas.
O que estamos vendo neste 7 de Setembro talvez seja outra coisa:
- os primeiros grandes sinais públicos da temperatura emocional do eleitorado brasileiro nesta reta decisiva de 2026.
E isso, sim, merece ser observado atentamente.
O RECADO DO 7 DE SETEMBRO
Talvez daqui a alguns anos ninguém se lembre exatamente de quantas pessoas estavam em determinada arquibancada de Brasília.
Talvez os números das manifestações sejam discutidos, contestados e reinterpretados.
Mas uma coisa permanecerá.
Em 7 de setembro de 2026, mais uma geração de brasileiros voltou a discutir o significado de sua própria independência.
- Nas ruas.
- Nas redes sociais.
- Nas famílias.
- Nos palanques.
- Nos quartéis.
- Nas escolas.
- Na Esplanada dos Ministérios.
- E na Avenida Paulista.
- É saudável que existam divergências.
- É saudável que existam manifestações.
É saudável que brasileiros possam olhar para quem governa e dizer:
Eu concordo.
E também possam dizer:
Eu discordo.
Esse direito é parte essencial da liberdade conquistada e construída ao longo da nossa história.
Por isso, acima das disputas eleitorais deste momento, existe algo muito maior.
O 7 de Setembro não pertence a um governo.
- Não pertence a uma ideologia.
- Não pertence a uma eleição.
- Pertence às gerações que construíram este país.
- Pertence aos brasileiros que vivem nele agora.
E pertence às crianças que ainda irão recebê-lo de nossas mãos.
A política de 2026 passará.
O Brasil continuará.
E talvez essa seja a mensagem mais importante deste 7 de Setembro:
podemos discordar profundamente sobre quem deve governar o Brasil — mas jamais devemos esquecer que o Brasil é muito maior do que qualquer um de seus governantes.
Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília
— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) November 22, 2023
Eu estou ouvindo Rádio 7 pelo RadiosNet. #OuvirRadio
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O Portal 7Minutos deseja a todos um bom dia pic.twitter.com/76cDh70cEI
— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) December 15, 2025
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